⚠️ Alerta de Spoilers: Se você ainda não assistiu esse filme, corra daqui.
Existe um nódulo maligno na história americana que ainda não foi tratado. Uma ferida aberta que ainda não cicatrizou. A Guerra Civil Americana (1861–1865) permanece como o conflito mais sangrento da história dos Estados Unidos, somando mais mortes americanas do que a Primeira e a Segunda Guerra Mundial juntas. A questão racial, a escravidão e a fratura entre o Norte industrializado e o Sul separatista deixaram marcas profundas no tecido social do país até hoje. O conflito deixou ressentimentos regionais e raciais que foram empurrados para debaixo do tapete e herdados por gerações.
"Republicanos x Democratas", ficção recorre a esse tema porque a sensação de divisão nos EUA é real. A fixação de Hollywood com esse tema não é um fetiche distópico; é o fantasma de história real o povo ainda não aceitou oor completo e que ganha força toda vez que o país se polariza ao extremo.
"Guerra Civil", dirigido por Alex Garland, é uma pancada seca no estômago que passa longe dos clichês ideológicos do cinema. Em vez de entregar um debate panfletário entre democratas e republicanos, o longa ignora os discursos de gabinete pra focar no horror cru da barbárie e na visão do jornalismo de guerra.
A trama acompanha a vida de uma equipe de correspondentes cruzando um país devastado rumo a Washington D.C., onde o Presidente, agora ditador de terceiro mandato, está prestes a ser deposto. O grupo é liderado por Lee (Kirsten Dunst), uma fotógrafa consagrada e anestesiada pelo trauma, e Joel (Wagner Moura), um repórter movido à adrenalina do front. Somam-se o experiente Sammy (Stephen McKinley Henderson), atuando como bússola moral veterana, e a jovem Jessie (Cailee Spaeny), garota que força sua presença na viagem em busca do batismo de fogo no fotojornalismo.
A construção das cenas é magnífica. Alex Garland joga a gente pra dentro do carro, nos levando pra uma América dividida, destruida e devastada. A atmosfera de apocalipse é intensa, o clima de medo aumenta a casa cena, com sequências de ação tensas, dramáticas e realistas, onde o horror e as atrocidades de uma guerra ganham mais veracidade por causa da presença jornalística. A cena dos atiradores de elite ocultos numa propriedade rural evoca a frieza dos grandes clássicos de guerra, naqueles momentos onde um silêncio eterno sempre antecede a morte. Enquanto a sequência em alta velocidade — onde os jornalistas trocam de carro em movimento na estrada — entrega uma rara descontração antes do colapso total. É essa insensatez que os lança diretamente no pesadelo orquestrado por Jesse Plemons: um soldado de óculos vermelhos que, ao lado de uma cova comum, executa friamente quem não responde adequadamente à pergunta "Que tipo de americano você é?". O pesadelo nazista vem à tona. O horror do holocausto vem a mente e faz o nosso sangue congelar. A banalização do mal, o terror psicológico da herança fascista ganha a tela numa cena inacreditável que a gente quer esquecer depois, mas não consegue.
A virada central da história reside entre Lee e Jessie. Um rito de passagem e término de uma carreira, acontece como as histórias de guerra são: dramáticas e trágicas. Enquanto a veterana recupera gradativamente a humanidade a ponto de se sacrificar, a jovem aprendiz faz o caminho inverso: anestesia-se diante da violência para garantir a foto definitiva da missão. Acontece de tudo de forma seca, fria rápida. Um tiro, uma bala define o desfecho do filme.
Com um design de som ensurdecedor, atuações irretocáveis de Dunst e Moura, uma produção realista, momentos de tensão, medo e loucura, e um plano-sequência final em Washington que figura entre os mais incríveis dos últimos anos no cinema, "Guerra Civil" não romantiza o conflito. O longa de Alex Garland expõe o custo humano de um país consumido pelo próprio ódio, provando que a maior distopia é a perda da pátria para ideologia e interesses políticos. Enquanto jovens se matam nas ruas, o colarinho branco contam o dinheiro.
⚠️ Alerta de Spoilers: Se você ainda não assistiu esse filme, corra daqui.
Existe um nódulo maligno na história americana que ainda não foi tratado. Uma ferida aberta que ainda não cicatrizou. A Guerra Civil Americana (1861–1865) permanece como o conflito mais sangrento da história dos Estados Unidos, somando mais mortes americanas do que a Primeira e a Segunda Guerra Mundial juntas. A questão racial, a escravidão e a fratura entre o Norte industrializado e o Sul separatista deixaram marcas profundas no tecido social do país até hoje. O conflito deixou ressentimentos regionais e raciais que foram empurrados para debaixo do tapete e herdados por gerações.
"Republicanos x Democratas", ficção recorre a esse tema porque a sensação de divisão nos EUA é real. A fixação de Hollywood com esse tema não é um fetiche distópico; é o fantasma de história real o povo ainda não aceitou oor completo e que ganha força toda vez que o país se polariza ao extremo.
"Guerra Civil", dirigido por Alex Garland, é uma pancada seca no estômago que passa longe dos clichês ideológicos do cinema. Em vez de entregar um debate panfletário entre democratas e republicanos, o longa ignora os discursos de gabinete pra focar no horror cru da barbárie e na visão do jornalismo de guerra.
A trama acompanha a vida de uma equipe de correspondentes cruzando um país devastado rumo a Washington D.C., onde o Presidente, agora ditador de terceiro mandato, está prestes a ser deposto. O grupo é liderado por Lee (Kirsten Dunst), uma fotógrafa consagrada e anestesiada pelo trauma, e Joel (Wagner Moura), um repórter movido à adrenalina do front. Somam-se o experiente Sammy (Stephen McKinley Henderson), atuando como bússola moral veterana, e a jovem Jessie (Cailee Spaeny), garota que força sua presença na viagem em busca do batismo de fogo no fotojornalismo.
A construção das cenas é magnífica. Alex Garland joga a gente pra dentro do carro, nos levando pra uma América dividida, destruida e devastada. A atmosfera de apocalipse é intensa, o clima de medo aumenta a casa cena, com sequências de ação tensas, dramáticas e realistas, onde o horror e as atrocidades de uma guerra ganham mais veracidade por causa da presença jornalística. A cena dos atiradores de elite ocultos numa propriedade rural evoca a frieza dos grandes clássicos de guerra, naqueles momentos onde um silêncio eterno sempre antecede a morte. Enquanto a sequência em alta velocidade — onde os jornalistas trocam de carro em movimento na estrada — entrega uma rara descontração antes do colapso total. É essa insensatez que os lança diretamente no pesadelo orquestrado por Jesse Plemons: um soldado de óculos vermelhos que, ao lado de uma cova comum, executa friamente quem não responde adequadamente à pergunta "Que tipo de americano você é?". O pesadelo nazista vem à tona. O horror do holocausto vem a mente e faz o nosso sangue congelar. A banalização do mal, o terror psicológico da herança fascista ganha a tela numa cena inacreditável que a gente quer esquecer depois, mas não consegue.
A virada central da história reside entre Lee e Jessie. Um rito de passagem e término de uma carreira, acontece como as histórias de guerra são: dramáticas e trágicas. Enquanto a veterana recupera gradativamente a humanidade a ponto de se sacrificar, a jovem aprendiz faz o caminho inverso: anestesia-se diante da violência para garantir a foto definitiva da missão. Acontece de tudo de forma seca, fria rápida. Um tiro, uma bala define o desfecho do filme.
Com um design de som ensurdecedor, atuações irretocáveis de Dunst e Moura, uma produção realista, momentos de tensão, medo e loucura, e um plano-sequência final em Washington que figura entre os mais incríveis dos últimos anos no cinema, "Guerra Civil" não romantiza o conflito. O longa de Alex Garland expõe o custo humano de um país consumido pelo próprio ódio, provando que a maior distopia é a perda da pátria para ideologia e interesses políticos. Enquanto jovens se matam nas ruas, o colarinho branco contam o dinheiro.
Impactante.
Novata imprudente, me deu ranço.
11 Jan 2025
Se o Homem Aranha tivesse lá…
interessante a visão de uma guerra civil do lado da imprensa, HBO2 25/07/2026
Não é um filmão mas é interessante pelas críticas, pela ambientação, tem bom elenco e algumas cenas tensas.