O bandido errante conhecido como Cobra Verde é contratado para trabalhar numa plantação de café no sudeste brasileiro. Quando ele engravida três filhas do dono da fazenda, e este descobre quem de fato empregou, é mandado numa missão suicida na costa africana, onde sucede e comanda uma rebelião de escravos locais.
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Só a fotografia me prendeu. Não veria de novo e nem indico. Já assisti a outros filmes desse diretor, ambos me marcaram, mas acho maçante a estrutura narrativa.
A sequencia inicial e a última emocionam qualquer coração baiano! Filmaço!!
Dirigido pelo Werner Herzog, "Cobra Verde" forma uma trilogia de filmes sobre a história dos países subdesenvolvidos da América do Sul junto de "Aguirre - A Cólera dos Deuses" e "Fitzcarraldo". Apropriadamente todos eles são protagonizados por Klaus Kinski, em atuações soberbas, ainda que neste ele apresente o seu personagem mais racional e menos inclinado à loucura crescente. Nesta obra, Herzog foca sua atenção para a questão da escravidão, o maior crime que a humanidade já viu, e como reis da própria África contribuíam com o sistema fornecendo indivíduos que alimentavam um ciclo quase vicioso. A crítica a hipocrisia que se forma através do emaranhado econômico se perfaz na citação à Inglaterra, que combatia o tráfico de escravos, mas comprava os produtos de países escravagistas, alimentando o sistema enquanto aparentava combatê-lo. Assim como acontece em outras obras, Herzog aproveita a oportunidade para fazer um retrato antropológico de seu objeto de estudo, e "Cobra Verde" conquista seus melhores momentos, certamente, quando foca nos costumes e rituais africanos. Além dos outros dois filmes citados anteriormente, o filme faria valer a pena uma dobradinha com "O Leão de Sete Cabeças" do Glauber Rocha, que também lança uma visão à África e a seus exploradores de forma crítica e politizada.
A grande maioria dos trabalhos do Werner Herzog me agradam, podem até não ser unanimidade, mas sempre são interessantes. E Cobra verde não deixa de ser um filme bem realizado, cheio de bons momentos e com uma ótima atuação do Klaus Kinski. Enfim, acredito que não seja para todos os gostos, mas pra quem gosta dos trabalhos do diretor, vale a conferida.
O filme é excelente. Apesar de Klaus Kinski, com cabelos loiros, olhos vítreos e queixo angular, não convencer como brasileiro (o que gera algumas estranhezas muito patentes para quem é brasileiro de verdade - tipo eu), seu personagem, Francisco Manoel da Silva é excelente.
A história é interessante e não há um pingo das já manjadas politizações e falsificações históricas que povoam filmes que tocam no tema da escravidão. É apenas uma fantasia "Corto-Malteseiana" descompromissada, ou a fotografia do espírito do homem branco numa terra estranha.
Não sei se é por influência do ator, mas ele parece bastante com Aguirre - tanto pela sua engenhosidade e astúcia, quanto por certo indiferentismo moral - fora o seu apreço pela aventura e pela conquista: tipicamente notória do europeu de séculos passados.
Diferente de muitos, não achei o filme cansativo. Pelo contrário. Achei ele até curto. Tanto as paisagens africanas quanto brasileiras me deixaram com os olhos fixos na tela. O Brasil é um pais gigantesco e infelizmente, quando vejo as suas paisagens, me sinto estrangeiro na minha própria terra.