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A narrativa é divida entre três grupos de pessoas: a atriz francesa Anne Laurent (Juliette Binoche), o marido dela e sogros; uma romena, Maria (Luminita Gheorghiu), luta para ter dinheiro para sua família voltar para casa; e Amadou (Ona Lu Yenke), um professor para crianças surdas-mudas que está em conflito com seu clã africano. O catalisador das histórias começa numa esquina, onde o cunhado de Anne, Jean (Alexander Hamidi), insulta Maria, que implora ajuda. Amadou, enraivecido, provoca uma briga com Jean, resultando em repercussões negativas para os três grupos.
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- a narrativa fragmentada demais acabou prejudicando a minha experiência, mas é um filme que deve crescer na revisão
- tem várias cenas ótimas isoladas, mas como um todo deixou a desejar
- baita atriz a juliette binoche, as cenas dela são uma pedrada atrás da outra. e enganam sobre o que é real ou o que é a parte de atuação da personagem
- e que sobrinho fdp, fazendo merda e prejudicando todo mundo
Michael Haneke é um gênio, um artista que domina, rearranja e transforma certos códigos secretos dentro de sua própria arte. A falta de uma trama central, ou de um conceito unificador, é justamente o toque divino que eleva essa experiência, pois o que se vê no lugar é uma rede de diversas histórias, que, exceto por alguns momentos que mais soam como excessões, não se encontram ou se influenciam em seus arcos narrativos. Narrativas essas que, e isso eu acho brilhante, não possuem similaridades em suas atmosferas, textos ou formas de ditar ritmo. O filme salta entre momentos cronológicos distintos, sem uma aparente lógica ou estrutura previsível, permitindo que Haneke faça sua mágica em nos hipnotizar mesmo com pouco. O desafio logístico para filmar cada trecho num único plano, utilizando a montagem somente para unificar os planos em uma ordem de crescente intensidade, já seria um negócio bizarro, mas Haneke vai além.
Primeiro na criação de momentos envolventes e cenas INACREDITAVELMENTE marcantes, algo que, num primeiro instante, parece impossível em um filme tão antitrama. Haneke manipula nossa atenção e nos cativa de forma tão magnética, que a frieza do universo, ou o distaciamento dos personagens para com o espectador, não impedem nosso envolvimento com o que estamos vendo. E a intenção de criar em cima de uma frieza tão pungente fica clara quando Haneke, que aqui me ganhou pra sempre, dirige um momento ápice de tensão e urgência, levando nosso coração à boca apesar da dinâmica fugaz das cenas, ao mesmo tempo que "exclui" este trecho da diegese do filme. Seria mais ou menos como se ele estivesse nos dizendo "Viu, eu sei fazer você se borrar, eu sou frio porque eu quero.".
E segundo pela inclusão de conceitos e temas (imigração, inspiração, alienação, incomunicabilidade, estigmatização) que se inserem e se desenvolvem de forma sutil, com paciência, sem tomarem à frente no que concerne à intenção do filme, e nem se refletirem nas demais narrativas, mas que transbordam em tela sem o menor aviso, dando luz à um terceiro ato de impacto. Aliás, e aqui fica o meu motivo pessoal de já saber que nunca me esquecerei deste filme, a noção de uma obra de arte consumida por todos, inclusive por nós, ESPECTADORES, quando tal forma de arte embala e alavanca este mesmo terceiro ato, mas que nunca será consumida pelos próprios artistas que a criaram, é de um brilhantismo inacreditável. Filme genial.
Haneke as vezes me deixa na dúvida se ele é um gênio que finge ser picareta, ou um picareta que finge ser gênio.
Este foi o que menos gostei dele até então (apesar de prometer muito, entrega pouco).
Parece um episódio desgarrado de "71".O drama funciona muito melhor aqui por conta de concentrar suas histórias em apenas uma protagonista.Binoche em outro espetacular trabalho.
>Maratona Michael Haneke - Assistido em 05 de Março de 2024
Estrelado por Juliette Binoche, "Código Desconhecido" segue uma estrutura semelhante à "71 Fragmentos de uma Cronologia do Acaso": várias histórias paralelas com seus dramas cotidianos sendo alternados com os cortes bruscos de Michael Haneke. Tematicamente, por sua vez, o filme viria a dialogar melhor com outro longa que o cineasta viria a fazer futuramente, "Caché" (curiosamente, também com Juliette Binoche), já que aqui o cineasta também dá espaço para a observação política da sociedade, a divisão de classes, a questão da imigração dentro da Europa, o preconceito étnico institucional e o horror subjacente na sociedade advinda dessas questões. Contudo, diferente de outros filmes do cineasta que intrigam pela sua assinatura peculiar, porém sólida, aqui falta coesão no todo, o filme perde consistência a medida que as histórias vão evoluindo e se afastando uma das outras, e o interesse narrativo acaba perdendo força. Cinematograficamente por outro lado, Michael Haneke atesta ser um exímio diretor na forma sempre fria com que cria seus enquadramentos e brinca sem pudores com a metalinguagem do audiovisual, fazendo do filme a ser filmado o próprio filme. Ainda assim, um Haneke menor e menos estimulante.