Na trama, dois pais superprotetores (vividos por Clive Owen e Catherine Keener) não conseguem impedir que uma de suas filhas, Annie (a texana Liana Liberato), seja vítima de abusos de um rapaz que conhece na web.
“Confiar” é um drama que recusa simplificações e evita qualquer abordagem sensacionalista sobre abuso sexual. Dirigido por David Schwimmer, o filme desloca o foco do ato violento para suas reverberações psicológicas, sociais e emocionais, tratando a violência inicial não como clímax, mas como ponto de partida de um processo longo e devastador. A narrativa se constrói no “depois”, expondo como cada resposta institucional, familiar e social pode aprofundar o trauma, tornando a experiência difícil de assistir justamente por sua honestidade e rigor ético.
A construção de Annie Cameron é central para esse impacto. Liana Liberato interpreta a adolescente com precisão, compondo uma personagem marcada por uma confiança genuína no mundo e por um tempo emocional próprio, distante de caricaturas de ingenuidade ou sexualização precoce. O filme estabelece com clareza quem Annie é antes da violência, o que torna ainda mais doloroso acompanhar a erosão gradual de sua identidade. A relação virtual com Charlie (Chris Henry Coffey) é apresentada com inquietante normalidade, revelando como a manipulação se infiltra em gestos cotidianos, afinidades calculadas e pequenas mentiras acumuladas. O predador surge não como figura monstruosa imediata, mas como alguém atento e aparentemente afetuoso, tornando o envolvimento emocional de Annie compreensível e tratado sem julgamento.
O encontro presencial e a violência são filmados com contenção, sem exploração gráfica, reforçando que o horror maior está na quebra da confiança. A partir daí, “Confiar” se transforma em um retrato implacável da revitimização: investigação policial, exposição pública, ambiente escolar e comentários online funcionam como extensões da agressão inicial. O filme mostra como a sociedade, mesmo sem intenção explícita, contribui para o isolamento da vítima. Os adultos ao redor de Annie são retratados com complexidade: o pai, vivido por Clive Owen, canaliza a dor em fúria e desejo de vingança, deslocando o foco do cuidado para o próprio ego ferido; a mãe, interpretada por Catherine Keener, oferece acolhimento silencioso, porém insuficiente diante da dimensão do trauma. A presença da psiquiatra vivida por Viola Davis surge como contraponto ético, destacando a importância da escuta, da paciência e do respeito ao tempo da vítima.
Embora o filme enfrente problemas de ritmo ao alongar algumas situações já estabelecidas emocionalmente, essa exaustão acaba dialogando com o desgaste vivido por Annie. No desfecho, “Confiar” se recusa a oferecer conforto, justiça plena ou redenção artificial. Ao expor a impunidade do agressor e o isolamento progressivo da vítima, o longa assume uma postura amarga e honesta. Schwimmer demonstra um olhar sensível e atento para um tema frequentemente tratado de forma exploratória, entregando um retrato duro, imperfeito e profundamente humano, que permanece não pela violência explícita, mas pela forma silenciosa e cruel com que revela nossas falhas coletivas diante de quem mais precisa de cuidado.
Assisti a primeira vez aos 15 anos e hoje revi novamente com 28 anos. Mais de dez anos e essa situação ocorre exatamente como nos filmes, até mesmo a impunidade dos predadores. Os monstros também vivem em pele de cordeiro, e cara, que amiga, salvou ela duas vezes.
Filme na época serviu bem como alerta sobre esses chats de relacionamento. A menina deve ser tapada, mas acontece mesmo na vida real. Fiquem de olho nos seus filhos, as deciões burras não tem hora pra acontecer.
“Confiar” é um drama que recusa simplificações e evita qualquer abordagem sensacionalista sobre abuso sexual. Dirigido por David Schwimmer, o filme desloca o foco do ato violento para suas reverberações psicológicas, sociais e emocionais, tratando a violência inicial não como clímax, mas como ponto de partida de um processo longo e devastador. A narrativa se constrói no “depois”, expondo como cada resposta institucional, familiar e social pode aprofundar o trauma, tornando a experiência difícil de assistir justamente por sua honestidade e rigor ético.
A construção de Annie Cameron é central para esse impacto. Liana Liberato interpreta a adolescente com precisão, compondo uma personagem marcada por uma confiança genuína no mundo e por um tempo emocional próprio, distante de caricaturas de ingenuidade ou sexualização precoce. O filme estabelece com clareza quem Annie é antes da violência, o que torna ainda mais doloroso acompanhar a erosão gradual de sua identidade. A relação virtual com Charlie (Chris Henry Coffey) é apresentada com inquietante normalidade, revelando como a manipulação se infiltra em gestos cotidianos, afinidades calculadas e pequenas mentiras acumuladas. O predador surge não como figura monstruosa imediata, mas como alguém atento e aparentemente afetuoso, tornando o envolvimento emocional de Annie compreensível e tratado sem julgamento.
O encontro presencial e a violência são filmados com contenção, sem exploração gráfica, reforçando que o horror maior está na quebra da confiança. A partir daí, “Confiar” se transforma em um retrato implacável da revitimização: investigação policial, exposição pública, ambiente escolar e comentários online funcionam como extensões da agressão inicial. O filme mostra como a sociedade, mesmo sem intenção explícita, contribui para o isolamento da vítima. Os adultos ao redor de Annie são retratados com complexidade: o pai, vivido por Clive Owen, canaliza a dor em fúria e desejo de vingança, deslocando o foco do cuidado para o próprio ego ferido; a mãe, interpretada por Catherine Keener, oferece acolhimento silencioso, porém insuficiente diante da dimensão do trauma. A presença da psiquiatra vivida por Viola Davis surge como contraponto ético, destacando a importância da escuta, da paciência e do respeito ao tempo da vítima.
Embora o filme enfrente problemas de ritmo ao alongar algumas situações já estabelecidas emocionalmente, essa exaustão acaba dialogando com o desgaste vivido por Annie. No desfecho, “Confiar” se recusa a oferecer conforto, justiça plena ou redenção artificial. Ao expor a impunidade do agressor e o isolamento progressivo da vítima, o longa assume uma postura amarga e honesta. Schwimmer demonstra um olhar sensível e atento para um tema frequentemente tratado de forma exploratória, entregando um retrato duro, imperfeito e profundamente humano, que permanece não pela violência explícita, mas pela forma silenciosa e cruel com que revela nossas falhas coletivas diante de quem mais precisa de cuidado.
Bom filme
Assisti a primeira vez aos 15 anos e hoje revi novamente com 28 anos. Mais de dez anos e essa situação ocorre exatamente como nos filmes, até mesmo a impunidade dos predadores. Os monstros também vivem em pele de cordeiro, e cara, que amiga, salvou ela duas vezes.
Filme na época serviu bem como alerta sobre esses chats de relacionamento.
A menina deve ser tapada, mas acontece mesmo na vida real. Fiquem de olho nos seus filhos, as deciões burras não tem hora pra acontecer.
Vale a pena
Havia assistido a uns anos atrás
É um filme bem chato e com boas atuações, dá raiva da burrice da garota.