É um filme bem à frente de seu tempo, é quase um proto-Jordan Peele. Embora, dentro dessa seara que mistura decolonialidade e terror, o filme não seja pioneiro, em Tales From the Hood (poderiam ter traduzido para Contos da Quebrada, acho que teria mais apelo por aqui) o real-terror é atenuado pela estética do horror — o último segmento merece uma análise à parte a partir dos estudos de imagem-sintoma. Essa característica, de atenuar a violência, é um efeito estético que, embora limitado por sua própria linguagem, a cinematográfica, fomenta o apagamento histórico, os corpos destruídos, as vozes esquecidas e a crise de segurança pública, étnica-social norte americana — que historicamente ostenta um perfil demoníaco. Dentro do campo de debate histórico-material e identidade social, o segmento dos bonecos elabora uma metonímia da usurpação histórica pós-moderna, os diálogos entre um indivíduo branco — um extremista regenerado — e a sua tomada de posse de um memorial de uma tragédia racial delineiam uma pertinência fanoniana. Nesse segmento, a figura política, um indivíduo branco, e seu discurso político — respaldado por um indivíduo negro — elucidam princípios políticos contemporâneos instituídos com base no falso heroísmo e na apropriação da voz negra. A princípio o político muda-se para a casa — onde aconteceu o extermínio de diversos escravos — a fim de angariar votos da comunidade negra. Entretanto, o segmento decorre a partir da rejeição que a comunidade tem pelo o político; munido pela ideia de propriedade, o homem recusa-se sair do imóvel, que para a comunidade é um espaço sincretizador da tragédia. Assim como todos os contos, esse tem um debate social-racial, mas junto com o último, ele sobressai por trazer essa ideia do apoderamento histórico e da figura branca, detentora do heroísmo e dotada de uma capacidade de ressignificar a história. Como havia dito, existe um real-terror entranhado, esse terror urbano, emergente e político. Um terror que perpassa os limites históricos, sociais e morais, todavia, em Tales From The Hood, ele é um ator tétrico, que está na materialidade do corpo corrompido e dilacerado e que mistura-se à estética de fantasia, a sua natureza não é imperceptível, mas passa quase que inquestionavelmente, de maneira que possa reincidir como uma possibilidade próxima e real.
Para quem curtir o filme, eu recomendo dar uma conferida em um movimento, que surgiu lá em Menphys, chamado de Horrorcore. O pessoal mistura rap e filmes de terror.
O melhores contos, dentro de uma classificação de "bom", são os dois ultimos. O melhor são as criticas sociais existem em todos os contos, são bem aplicados e interessantes. A conclusão da história principal, na minha opinião não foi muito bem concluida. Como um todo, dá pra assistir, sem esperar muito. Existem antologias de terror melhores, mas esta tem histórias interessantes, porém, talvez não tenham sido bem executados.
Vi esse filme na infância/adolescência talvez. Com certeza não tinha entendido nada na época. Alguns efeitos envelheceram mal, mas isso não é nada perto das estórias. O top aqui são as críticas bem afiadas que infelizmente ainda são atuais. Ótima antologia de contos de terror: tem temática, tem segmeto, tem boa premissa, bons roteiros individuais, tem moral das estórias, bons atores e tem personalidade como obra única e não apenas dentro do contexto de cada conto!
- geralmente não curto tanto antologias, porque não desenvolvem bem as histórias, mas esse aqui consegue acertar nos contos e ficar acima da média - toda a critica social por trás de cada um é muito bem pensada e bem executada, necessário
A ambientação da funerária cria um clima de suspense legal e a atuação incrível e caricata de Clarence Williams, deixa tudo melhor ainda ^^ Todas as histórias são intensas e impressionantes, mas pra mim a melhor é "Welcome To My Mortuary"
É um filme bem à frente de seu tempo, é quase um proto-Jordan Peele. Embora, dentro dessa seara que mistura decolonialidade e terror, o filme não seja pioneiro, em Tales From the Hood (poderiam ter traduzido para Contos da Quebrada, acho que teria mais apelo por aqui) o real-terror é atenuado pela estética do horror — o último segmento merece uma análise à parte a partir dos estudos de imagem-sintoma. Essa característica, de atenuar a violência, é um efeito estético que, embora limitado por sua própria linguagem, a cinematográfica, fomenta o apagamento histórico, os corpos destruídos, as vozes esquecidas e a crise de segurança pública, étnica-social norte americana — que historicamente ostenta um perfil demoníaco.
Dentro do campo de debate histórico-material e identidade social, o segmento dos bonecos elabora uma metonímia da usurpação histórica pós-moderna, os diálogos entre um indivíduo branco — um extremista regenerado — e a sua tomada de posse de um memorial de uma tragédia racial delineiam uma pertinência fanoniana. Nesse segmento, a figura política, um indivíduo branco, e seu discurso político — respaldado por um indivíduo negro — elucidam princípios políticos contemporâneos instituídos com base no falso heroísmo e na apropriação da voz negra. A princípio o político muda-se para a casa — onde aconteceu o extermínio de diversos escravos — a fim de angariar votos da comunidade negra. Entretanto, o segmento decorre a partir da rejeição que a comunidade tem pelo o político; munido pela ideia de propriedade, o homem recusa-se sair do imóvel, que para a comunidade é um espaço sincretizador da tragédia.
Assim como todos os contos, esse tem um debate social-racial, mas junto com o último, ele sobressai por trazer essa ideia do apoderamento histórico e da figura branca, detentora do heroísmo e dotada de uma capacidade de ressignificar a história. Como havia dito, existe um real-terror entranhado, esse terror urbano, emergente e político. Um terror que perpassa os limites históricos, sociais e morais, todavia, em Tales From The Hood, ele é um ator tétrico, que está na materialidade do corpo corrompido e dilacerado e que mistura-se à estética de fantasia, a sua natureza não é imperceptível, mas passa quase que inquestionavelmente, de maneira que possa reincidir como uma possibilidade próxima e real.
Para quem curtir o filme, eu recomendo dar uma conferida em um movimento, que surgiu lá em Menphys, chamado de Horrorcore. O pessoal mistura rap e filmes de terror.
O melhores contos, dentro de uma classificação de "bom", são os dois ultimos. O melhor são as criticas sociais existem em todos os contos, são bem aplicados e interessantes. A conclusão da história principal, na minha opinião não foi muito bem concluida. Como um todo, dá pra assistir, sem esperar muito. Existem antologias de terror melhores, mas esta tem histórias interessantes, porém, talvez não tenham sido bem executados.
Vi esse filme na infância/adolescência talvez. Com certeza não tinha entendido nada na época. Alguns efeitos envelheceram mal, mas isso não é nada perto das estórias. O top aqui são as críticas bem afiadas que infelizmente ainda são atuais. Ótima antologia de contos de terror: tem temática, tem segmeto, tem boa premissa, bons roteiros individuais, tem moral das estórias, bons atores e tem personalidade como obra única e não apenas dentro do contexto de cada conto!
- geralmente não curto tanto antologias, porque não desenvolvem bem as histórias, mas esse aqui consegue acertar nos contos e ficar acima da média
- toda a critica social por trás de cada um é muito bem pensada e bem executada, necessário
A ambientação da funerária cria um clima de suspense legal e a atuação incrível e caricata de Clarence Williams, deixa tudo melhor ainda ^^
Todas as histórias são intensas e impressionantes, mas pra mim a melhor é "Welcome To My Mortuary"
Eu simplesmente adorei esse final com o cara revelando ser o diabo e que os três já estavam mortos e que ali era o purgatório ;D