Coração de Cão

Compartilhar
Coração de Cão (1988)
Sobachye Serdtse Outros títulos
Média do filme: 3.9 de 5 — baseado em 26 votos
MÉDIAFILMOW
3.9
26 Avaliações
Minha avaliação:
Salvando
Dirigido por Vladimir Bortko
Data de lançamento 20 Nov. 1988 Outras datas
País de origem Rússia 🇷🇺
Duração 136 min (2h16)
Classificação indicativa de Coração de Cão: 14 - Não recomendado para menores de 14 anos
Status Streaming

Dirigido por

Data de lançamento

20 Nov. 1988

Duração

136 minutos Classificação indicativa de Coração de Cão: 14 - Não recomendado para menores de 14 anos
Carregando Publicidade...

Sinopse

Coração de Cão constitui um autêntico fenómeno cultural na Rússia. Escrito em 1925 mas publicado na União Soviética apenas em 1987, Coração de Cão é, segundo Alfredo Barroso, ”a extraordinária história do inefável Sharik (Bolinha), um cão vadio que é transformado – por via de vários transplantes, enxertos e manipulações genéticas – num homúnculo chamado Polygraf Polygrafovitch Sharikov: a mais arrogante, perfeita e acabada besta quadrada que qualquer burocracia, sobretudo a soviética, poderia alguma vez ter produzido”. Uma alegoria satírica sobre a utopia do novo homem soviético, portanto, atravessada por alguma ficção científica que evoca tanto Dr. Fausto como Frankenstein, combinando habilidosamente elementos realistas e fantásticos, situações grotescas e importantes preocupações éticas, aspectos que Bulgakov viria a desenvolver na sua obra-prima, Margarita e o Mestre.

Elenco

Fotos e Trailers

Filmow+
Ticket de Prata

Sem anúncios

Comprar
Filmow+
Ticket de Prata

Aproveite o melhor do Filmow sem interrupções

  • Navegue sem anúncios
  • Badge exclusivo Filmow+ no perfil
  • Acesso antecipado a novidades
  • Apoie a comunidade cinéfila
Comprar agora

Trailer do dia

A Bola Preta | Trailer Legendado

A Bola Preta

Comentários 0
amigos querem ver
rafinhaqq
rafinhaqq
8 meses atrás

Sobachye Serdtse (1988), lançado no Brasil como Coração de Cão, é uma das sátiras mais afiadas do cinema soviético, adaptando a obra de Mikhail Bulgákov com ironia, criatividade e um humor ácido que funciona como crítica social direta. O filme, produzido em 1988, utiliza a ficção científica não como espetáculo, mas como instrumento narrativo para expor contradições humanas, políticas e morais, sempre com inteligência e desconforto.

A trama acompanha o Professor Filipp Filippovich Preobrazhensky (Evgeniy Evstigneev), um médico brilhante, culto e elitista, pertencente à velha intelligentsia russa. Sua motivação principal é científica, mas profundamente atravessada por vaidade e arrogância intelectual. Ele acredita que pode intervir na natureza e criar um “novo homem”, ignorando deliberadamente as implicações éticas desse ato. Evstigneev entrega uma atuação segura, irônica e dominante, sustentando o personagem como alguém intelectualmente superior, mas moralmente cego diante das consequências de seus próprios experimentos.

Ao seu lado está o Dr. Ivan Bormental (Boris Plotnikov), seu assistente, mais jovem, racional e menos ideológico. Bormental funciona como contraponto moral ao professor, sendo o primeiro a compreender que o experimento ultrapassou qualquer limite aceitável. Sua motivação não é o prestígio científico, mas a tentativa de conter o desastre que se forma, atuando como uma voz de alerta dentro da narrativa.

O centro do filme, porém, é Sharik, inicialmente um cachorro de rua e depois transformado em humano. Enquanto cão, Sharik se mostra observador, desconfiado e irônico, moldado pela necessidade de sobreviver em um ambiente hostil. Após a cirurgia, ele se torna Poligraf Poligrafovich Sharikov (Vladimir Tolokonnikov), e sua personalidade revela o cerne da crítica do filme.

Comentário contando partes do filme. Mostrar.

Sharikov carrega os piores traços humanos: vulgaridade, agressividade, preguiça, oportunismo e uma completa ausência de consciência moral. A genialidade está no fato de que esses defeitos não surgem do nada; eles apenas ganham linguagem, respaldo institucional e discurso ideológico.

Comentário contando partes do filme. Mostrar.

O enredo se desenvolve como uma progressiva perda de controle dentro do apartamento do professor, que passa a representar um microcosmo da sociedade soviética. O experimento, que deveria simbolizar avanço e progresso, se transforma em uma ameaça concreta, expondo o fracasso da ideia de moldar o ser humano pela força da ciência ou da ideologia. Os desdobramentos são cada vez mais incômodos, com Sharikov se integrando à burocracia estatal e utilizando o sistema para se legitimar, ameaçando justamente aqueles que o criaram.

Comentário contando partes do filme. Mostrar.

O final do filme é direto, simbólico e coerente com tudo o que foi construído. A decisão de reverter o experimento reforça a ideia de que nem toda transformação é evolução, e que certos limites éticos não podem ser ignorados sem consequências. Não há alívio moral, apenas a constatação amarga de que a tentativa de “corrigir” a natureza humana pode gerar algo ainda mais monstruoso.

A fotografia é um dos aspectos mais marcantes da obra. Embora seja um filme de 1988, ele opta por um preto e branco com tonalidade amarelada, lembrando papel antigo envelhecido. Esse efeito visual remete a documentos, fotografias e livros do início do século XX, criando uma sensação constante de memória histórica e decadência. A escolha estética reforça o caráter satírico e crítico do filme, situando a narrativa como um registro quase documental de uma sociedade em colapso moral.

Ainda assim, apesar de reconhecer toda a força da proposta e a inteligência por trás da crítica, eu não consegui gostar tanto do filme quanto esperava. Entendo perfeitamente a intenção, e ela é boa, mas a experiência acaba sendo bastante cansativa. A própria fotografia amarelada, embora conceitualmente interessante, me desgasta com o tempo e faz o filme parecer mais antigo do que ele realmente é. Além disso, acredito que a narrativa poderia ser mais enxuta; com uma duração menor, talvez o impacto fosse mais forte e a experiência mais envolvente. Do jeito que é, admiro o filme muito mais pelo que ele representa do que pelo prazer que ele me proporciona ao assistir.

O humor de Coração de Cão é ácido, irônico e frequentemente desconfortável. A criatividade está em usar o absurdo para revelar verdades incômodas, expondo hipocrisias, autoritarismos e a fragilidade das estruturas sociais. No fim, o filme se consolida como uma crítica mordaz, inteligente e atemporal, que utiliza a ficção científica não para entreter, mas para provocar, incomodar e refletir sobre o que realmente define o ser humano.

Assistido em 07/01/2026

leonardocavalcante996
Leonardo (cynico)
12 meses atrás

Maravilhoso!

coldfer
Marcelo DiColdfer
2 anos atrás

Uma pérola da alegoria fantástica. Irônico, crítico, de humor inteligente e aguçado.
Anos depois Vladimir Bortko adaptou outro livro de Mikhail Bulgakóv para uma minissérie, O mestre e Margarida, igualmente maravilhoso!

tonypp
tonypp
15 anos atrás

Genial.

Carregando Publicidade...
½
1
2
3
4
5

Listas com o filme

Ver todas as listas (13)
Instituto Benjamenta ou Este Sonho que as Pessoas Chamam de Vida Humana Cartas de um Homem Morto O Visitante do Museu L'uomo, La Donna e La Bestia Twilight
Surrealismo, meu amor...
por cavallone
Dente Canino Estrada Perdida Otesánek Um Filme Doce O Bebê Santo de Macon
Estranhas Histórias
por chicomoreno

Elenco de Coração de Cão

Mostrar mais (7)
Aleksey Mironov (I) 0 1

Aleksey Mironov (I)

(Fyodor)
Boris Plotnikov 0 0

Boris Plotnikov

(Dr. Bormenthal)
Evgeni Evstigneev 0 0

Evgeni Evstigneev

(Professor Filipp Filippovich Preobrazhensky)
Nina Ruslanova 0 0

Nina Ruslanova

(Darya Petrovna)
Olga Melikhova 0 0

Olga Melikhova

(Zinochka)
Roman Kartsev 1 0

Roman Kartsev

(Schwonder)

Se você gostou deste filme, confira também estes aqui: