Corações Loucos

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Corações Loucos (1974)
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Média do filme: 3.8 de 5 — baseado em 209 votos
MÉDIAFILMOW
3.8
209 Avaliações
Minha avaliação:
Salvando
Dirigido por Bertrand Blier
Data de lançamento 20 Março 1974 Outras datas
País de origem França 🇫🇷
Duração 116 min (1h56)

Dirigido por

Data de lançamento

20 Março 1974

Duração

116 minutos
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Sinopse

Sem se importar com qualquer convenção estabelecida pela sociedade, dois jovens passam o tempo perambulando pela cidade, molestando mulheres e praticando assaltos, entre outros crimes.

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Uma exploração abusada da masculinidade tóxica (principalmente na primeira metade), que provavelmente é muito ambígua e vulgar para funcionar bem com a maioria das audiências modernas, mas também não funcionaria tão bem hoje, quanto a natureza inesperada (em uma comédia francesa dos anos de 1970) de uma representação tão brutal e ridícula de misoginia e machismo é uma grande parte de seu sucesso. No entanto, ele sofre das fraquezas usuais de Blier, de piadas um pouco surreais e lentas que duram muito tempo em uma cena e são principalmente baseadas em pessoas sendo estúpidas e más de maneiras incomuns, mas bastante não originais. Mas, como acontece com os outros Bliers clássicos, tem momentos hilários, cenas maravilhosas, edição incrível e uma alma. Dois rapazes, idiotas e egocêntricos, revestidos de masculinidade fluida, na casa dos vinte anos vagam pela cidade em busca de dinheiro fácil, garotas para fazer sexo e, geralmente, algo divertido para fazer; desde que esse divertido faça alguém sofrer, sentir-se humilhado e as garotas que topem ir ao sexo com eles saiba, de antemão, que farão isso e mais nada. Principalmente sexo e dinheiro, porém, sejamos honestos. Durante suas travessuras, eles encontram a bela, mas fria Marie-Ange que não consegue ter nenhum orgasmo, para seu desespero! Juntos, eles conhecerão pessoas, farão sexo, roubarão, roubarão e matarão pessoas. A delinquência autopropulsada, que foi moda nos anos de 1970, ganha com esses rapazes imbecis alguma aura de arte, mas é pura idiotice travestida de ignomínia e se isso era típico daqueles anos, que se fodam tais anos. Esse filme parece muito 70': uma geração pós-liberdade sexual com problemas sociais e desejo de não se encaixar; talvez até uma parcela dos jovens franceses intimidados com os jovens de 1068; Jean-Claude e Pierrot realmente fazem a vibração desta geração viver enquanto vagam pelas ruas sem rumo, apenas cumprindo seus desejos primitivos. A dupla funciona muito bem e com Miou-Miou como uma espécie de "terceira roda" fica muito engraçado às vezes. Mas o filme não é apenas uma comédia, mas fala de problemas profundos da sociedade francesa naquela década: sem precisar desvendar as coisas, faz uma visão sombria da solidão, da frustração sexual em tempos de emancipação, encontrando um lugar na sociedade em em geral. Les Valseuses podem saltar de muito claro para muito escuro muito rapidamente e isso pode ser perturbador. Pessoalmente, achei uma bosta. É uma comédia muito pensativa na minha opinião. de tudo o quanto tal pensamento servir para nada. O que também funciona aqui é o fato de que, ao contrário de muitos filmes estadunidenes, o universo não é feito para se encaixar nas personagens, mas as personagens aqui são bastante insanas em nosso mundo padrão. Cada interação entre os dois principais bandidos e uma pessoa aleatória, especialmente uma mulher, induz muita ansiedade. Até onde eles vão? O que eu faria se meu filho / ente querido / eu encontrasse esses personagens? Há pouco neste filme, e não funciona! Engraçado, sombrio e, em geral, uma visão da sociedade francesa que não mostra nenhuma piedade; se é que eles merecem tendo colonizado na bala e no chicote tanta população africana! Acho que aprendi alguma coisa assistindo a isso, e embora não vá agradar a todos, acho que é perdível do cinema francês. não serve para nada. talvez para confirmar o que já se sabe dos franceses.

jessyinchains
Jessica
5 anos atrás

Provocador e marginal.

Comentário contando partes do filme. Mostrar.

Patrick Dewaere é a cara de Eduardo Sterblitch

igorcxt
igor
5 anos atrás

Laranja Mecânica sem instituições.

gosto
Marsergio
6 anos atrás

Poucos filmes retratam o sexo de maneira tão natural, equilibrada e hilariante. É um filme que não pode ser comparado com o momento de agora, hoje somos novos homens, que sabem valorizar uma mulher. O retrato de Blier sobre o machismo vistoso, o mau comportamento reflexivo e o prazer vazio é seu triste comentário sobre a cultura dos anos setenta. Um ótimo filme e uma ótima comédia, casualmente ofensivo e distintamente, hilariamente e terrivelmente masculino, bem a cara da época. Gerard Depardieu e Patrick Dewaere têm uma ótima química um com o outro e é definitivamente revigorante ver um filme, mesmo com quase 40 anos de idade, que trata seus personagens sem muito sentimentalismo. Inferno, os personagens principais são definitivamente facilmente desagradáveis, mas o filme não tenta apresentá-los como algo diferente disso. E ainda tem a talentosa Miou-Miou, no auge de sua beleza.

umcinefilo
Gui Augusto
½
7 anos atrás

O filme é chocante. Chocante e repugnante em vários momentos pelo tratamento exageradamente misógino dado às mulheres. Confesso que fiquei por toda a sua duração um tanto quanto enojado e me perguntando se eu devia continuar assistindo aquilo; por sorte (de poder ser provocado pelo bom cinema) eu resisti e fiquei.

Na verdade demorou algumas horas, mesmo depois de ter compreendido e aceitado a premissa, para eu admitir aumentar a nota desse filme na minha cabeça e assumir que ele foi mais genial do que repugnante no fim das contas. Por outro lado, já durante o filme, um dos estranhamentos e curiosidade que me fizeram ficar foi notar que as personagens femininas não pareciam ultrajadas com o que acontecia. Pelo contrário, a atmosfera de surrealidade (e estranhamento, pra mim) era composta em parte pelo fato de elas aparentemente estarem aceitando toda uma cornucópia insana de misoginia com apatia e até certo deboche. E fiquei pensando: ora, são atrizes ali (aliás, grandes atrizes, de renome, inclusive uma adolescente Isabelle Huppert surpreendendo pela densidade do papel), elas não aceitariam fazer um filme desses se não conhecessem a real motivação do roteiro. Alguma coisa tem.

E tem. Na realidade estamos diante de uma sátira visceral sobre a masculinidade tóxica (ou, um tipo dela). Em parte do problema de nós (e do público norteamericano provavelmente também) não entendermos a motivação do filme com antecedência é a tradução do nome. Em francês, no original, o nome é gíria para "bolas" (sim, do saco escrotal). Se traduzíssemos fidedignamente suscitando o clima de sátira teríamos algo como "Os Bolas". Título que, imagino eu, seria mais curioso e atrativo e nos colocaria a pensar já durante o filme que não se trata de mera exploração sexista (como esteticamente ele provoca e sugere ser). Infelizmente também, a cópia definitiva do filme teve de ter o final original imaginado pelo diretor cortado (informações do IMDB) - advinha por exigência de quem? Sim, do mercado norteamericano.

Comentário contando partes do filme. Mostrar.

Em vez de entrarem no túnel e os créditos subirem, a intenção era que o carro sofresse o acidente sugerido e que esperávamos já (afinal, c'mon, a trama estava fadada a terminar da maneira mais cínica possível condenada pela lei do eterno retorno: o carro que os vigaristas sabotaram a roda no início para tentar vingança contra o almofadinha seria o mesmo que eles roubaram no final e acabaria acontecendo com eles o "acidente"). Ao meu ver, matar as personagens era o único fim digno para heróis tão controversos; e, em plenos anos 70, seria uma mensagem clara e bem humorada de repúdio, de esse também ser o único fim aceitável para toda a misoginia e o machismo exacerbado que os machões super héteros representavam: penhasco abaixo.

Mas são problemas externos que não atrapalham a trama, e mesmo com eles é possível notar a guinada do filme ainda durante seu desenvolvimento. A crítica está escondida tão sutilmente que eu mesmo só notei a intenção da narrativa no terceiro ato

Comentário contando partes do filme. Mostrar.

(numa cena espetacular do orgasmo da personagem de Miou-Miou, quando pelo jogo de cenário, ambientação, foley e câmera entendemos que aquela casa idílica naquele interior bucólico, tudo é o corpo da mulher, e aqueles dois otários que estamos acompanhando a trama toda nada mais são do que duas "bolas" perdidas e completamente ineptas diante da força do orgasmo feminino, aqui traduzido como força da natureza - aliás, o aspecto "escrotal" dos heróis vem dado no figurino, quando estão sempre andando juntos, com roupas iguais, como se um fosse o direito e o esquerdo do outro).

Comentário contando partes do filme. Mostrar.

Ao fim e ao cabo entendemos que nada daquele tratamento repugnante foi de fato "real" no mundo das personagens. Tudo era uma alegoria para mostrar que por mais brutos que os "sacos" sejam, as mulheres resistem impassíveis e blasé quase como se fossem superiores no nível divino a toda mundanidade dos homens - aqui, literalmente, reduzidos a bolas, isto é, despersonificados, como merecem, afinal todos os atos propagados por eles são desumanos (o triste da alegoria, na verdade, é perceber que são mais reais do que deveriam ser - os homens-bola estão por aí a atrapalhar a vida de tantas mulheres no mundo real, mesmo que de fato sejam reduzíveis moral e mentalmente àquilo que possuem no meio das pernas, em outras palavras, "nem gente" sejam). Há também aquelas mulheres que só encontram um fim trágico para o sofrimento (e aí é daquelas cenas mais "pesadas" num filme que seria de comédia, tratando de um drama psicológico mais profundo da personagem de Jeanne Moreau).

Um aspecto nem sempre atrativo das comédias francesas desse período é que elas não são muito óbvias enquanto gênero - e algumas são só sem graça mesmo. O ideal desse filme não é causar humor, mas causar o sentimento de absurdo, o questionamento da surrealidade que em alguns momentos pipoca na tela. Por vezes há humor negro. Por vezes há repugnância. De todo modo, é injusto simplesmente classificá-lo como exploratório, pois pelo contrário, ele desnuda a covardia masculina, ri do rei, e eleva a força feminina ao patamar inatingível diante de homens tão abobados e infantilizados que quase seriam caricatos (se não fossem tipos de verdade à solta por aí). Torna, ao fim, homens tão cruéis e cínicos verdadeiras crianças desnorteadas, sem saber lidar ou entender a complexidade da psique feminina - e a única reação de que são capazes é a primitiva, a boçal. Eles são de fato desprezíveis (
Comentário contando partes do filme. Mostrar.

e por isso, como eu já disse, o único fim possível seria mesmo a morte, negar qualquer redenção a esses crápulas

), mas terminam ridicularizados e diminuídos. O filme dos "bolas" é mais um filme sobre as mulheres, do que sobre os homens; das mulheres diante da misoginia. Aborda diferentes fases e aspectos do corpo feminino, a relação delas com este corpo, sua reificação como objeto de desejo, e do poder de resiliência que elas têm de suportar o tratamento tão baixo encarnado por um comportamento masculino muito tempo inquestionado e estruturado na sociedade patriarcal.

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Gérard Depardieu

(Jean-Claude)
Miou-Miou 3 25

Miou-Miou

(Marie-Ange)
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Patrick Dewaere

(Pierrot)
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(La femme du train)
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