Sandra retorna à casa de sua prima Mariana em busca de uma foto de sua falecida mãe, que trabalhou como doméstica para os pais de Mariana. O reencontro as leva a confrontar antigas feridas, enquanto uma força sobrenatural as espreita.
Gostei da narrativa mais crua, objetiva, e em sutil e constante embate, tb gostei do elenco menos conhecido, isso talvez não confere sucesso ao filme, mas valoriza artistas que são bom em cena e merecem oportunidades, do mais as características do nosso cinema, só que menos arte e poesia pra moldar a crítica social e mais "paaaa, e é isso mesmo!", pra mim valeu.
Achei a ideia dos créditos de abertura ótima... o filme propõe debate em cima de uma situação corriqueira que ainda é bem persistente. Gostei da direção detalhista e a escolha das atrizes também é acertada. Às vezes os diálogos soam engessados e o ritmo narrativo ganha formato de um experimento de laboratório. Nesse sentido, o roteiro não prescreve confiabilidade nos resultados, e acaba optando por uma solução fantasiosa. Bem longe de desmerecer a atitude por completo, até acho que essa tipificação de "estrutura" merecia ser expurgada por meio de todo o exagero simbólico como foi retratado. O trabalho da Carol Rodrigues, no todo, é bem interessante.
Primeiro longa da cineasta Carol Rodrigues, o filme sobre racismo estrutural estreou nos cinemas brasileiros na última semana, com distribuição da Vitrine Filmes. A abordagem sensível (e cheia de simbolismos nas entrelinhas) das marcas do racismo e das contradições familiares marcam o longa que tem um tema urgente. Ele mistura drama psicológico e realismo fantástico para transformar uma casa em espaço vivo de memórias, afetos e violências que atravessam gerações. A premissa é o reencontro das primas Sandra (Mawusi Tulani), mulher negra retinta, e Mariana (Ana Flavia Cavalcanti), negra de pele clara, que cresceram juntas na mesma residência, mas em posições sociais distintas. Sandra retorna para buscar uma fotografia da mãe, antiga empregada doméstica da família, e topa com Mariana vivendo naquele lugar. Esse reencontro desperta lembranças da infância, mas também ressentimentos, revelando feridas não cicatrizadas. Entra em cena Raquel (Rudmira Fula), imigrante angolana responsável pela limpeza da casa. Aquela antiga residência vai além de um mero cenário: torna-se personagem central, já que nela se cruzam passado e presente, expondo hierarquias raciais e sociais ainda vigentes. O longa discute ainda precarização do trabalho, ancestralidade, solidão, invisibilidade profissional e o peso do trabalho doméstico nas relações brasileiras, utilizando um tom sobrenatural para tensionar memórias coloniais – são muitos temas, mas são bem delineados nesse drama íntimo e muito pessoal. Produzido ao longo de oito anos, “Criadas” é inspirado em vivências da própria família da diretora e roteirista Carol Rodrigues. Conquistou o prêmio de melhor atriz para suas protagonistas, Mawusi Tulani e Ana Flavia Cavalcanti, na mostra Novos Rumos do Festival do Rio de 2025. Com produção da Gato do Parque Cinematográfica, em coprodução com Telecine, Canal Brasil, NayMovie, Cinefilm, Volta Filmes e Netas de Esméria, está nos cinemas com distribuição da Vitrine Filmes. POR FELIPE BRIDA - Blog Cinema-naweb blogspotcom
que filme primoroso! na lista dos melhores do ano. roteiro impecável, complexo, intenso. fotografia viva, excelentes atuações. um quê de melodrama com suspense. dificil carregar uma historia inteira em duas personagens, em um só cenário. e ele consegue. a tensão permanece do inicio ao fim. é um filme de roteiro pq carrega sutilezas em cada fala, olhar, ação. tudo é pensando. não é um filme contemplativo, como costumam ser os filmes alternativos brasileiros. é como uma gangorra entre essas duas mulheres que não consgeuem deixar o passado pra trás. uma pena estar em tao poucas salas de cinema
Gostei da narrativa mais crua, objetiva, e em sutil e constante embate, tb gostei do elenco menos conhecido, isso talvez não confere sucesso ao filme, mas valoriza artistas que são bom em cena e merecem oportunidades, do mais as características do nosso cinema, só que menos arte e poesia pra moldar a crítica social e mais "paaaa, e é isso mesmo!", pra mim valeu.
IMPRIMATUR - visto no cinema:
Achei a ideia dos créditos de abertura ótima... o filme propõe debate em cima de uma situação corriqueira que ainda é bem persistente. Gostei da direção detalhista e a escolha das atrizes também é acertada. Às vezes os diálogos soam engessados e o ritmo narrativo ganha formato de um experimento de laboratório. Nesse sentido, o roteiro não prescreve confiabilidade nos resultados, e acaba optando por uma solução fantasiosa. Bem longe de desmerecer a atitude por completo, até acho que essa tipificação de "estrutura" merecia ser expurgada por meio de todo o exagero simbólico como foi retratado. O trabalho da Carol Rodrigues, no todo, é bem interessante.
Avaliação em nota: ≈ 7.0
"Eu ainda tenho muita coisa pra conquistar. "
Criadas (Brasil, 2025)
Direção: Carol Rodrigues.
Com:Mawusi Tulani, Ana Flávia Cavalcanti.
Sandra retorna à casa de sua prima Mariana em busca de uma foto de sua falecida mãe, que trabalhou como doméstica para os pais de Mariana.
O reencontro as leva a confrontar antigas feridas.
Filme tocante dirigido e protagonizado por talentosas mulheres do nosso cinema!!!
Nos cinemas.
Primeiro longa da cineasta Carol Rodrigues, o filme sobre racismo estrutural estreou nos cinemas brasileiros na última semana, com distribuição da Vitrine Filmes. A abordagem sensível (e cheia de simbolismos nas entrelinhas) das marcas do racismo e das contradições familiares marcam o longa que tem um tema urgente. Ele mistura drama psicológico e realismo fantástico para transformar uma casa em espaço vivo de memórias, afetos e violências que atravessam gerações. A premissa é o reencontro das primas Sandra (Mawusi Tulani), mulher negra retinta, e Mariana (Ana Flavia Cavalcanti), negra de pele clara, que cresceram juntas na mesma residência, mas em posições sociais distintas. Sandra retorna para buscar uma fotografia da mãe, antiga empregada doméstica da família, e topa com Mariana vivendo naquele lugar. Esse reencontro desperta lembranças da infância, mas também ressentimentos, revelando feridas não cicatrizadas. Entra em cena Raquel (Rudmira Fula), imigrante angolana responsável pela limpeza da casa. Aquela antiga residência vai além de um mero cenário: torna-se personagem central, já que nela se cruzam passado e presente, expondo hierarquias raciais e sociais ainda vigentes. O longa discute ainda precarização do trabalho, ancestralidade, solidão, invisibilidade profissional e o peso do trabalho doméstico nas relações brasileiras, utilizando um tom sobrenatural para tensionar memórias coloniais – são muitos temas, mas são bem delineados nesse drama íntimo e muito pessoal. Produzido ao longo de oito anos, “Criadas” é inspirado em vivências da própria família da diretora e roteirista Carol Rodrigues. Conquistou o prêmio de melhor atriz para suas protagonistas, Mawusi Tulani e Ana Flavia Cavalcanti, na mostra Novos Rumos do Festival do Rio de 2025. Com produção da Gato do Parque Cinematográfica, em coprodução com Telecine, Canal Brasil, NayMovie, Cinefilm, Volta Filmes e Netas de Esméria, está nos cinemas com distribuição da Vitrine Filmes. POR FELIPE BRIDA - Blog Cinema-naweb blogspotcom
que filme primoroso! na lista dos melhores do ano. roteiro impecável, complexo, intenso. fotografia viva, excelentes atuações. um quê de melodrama com suspense. dificil carregar uma historia inteira em duas personagens, em um só cenário. e ele consegue. a tensão permanece do inicio ao fim. é um filme de roteiro pq carrega sutilezas em cada fala, olhar, ação. tudo é pensando. não é um filme contemplativo, como costumam ser os filmes alternativos brasileiros. é como uma gangorra entre essas duas mulheres que não consgeuem deixar o passado pra trás. uma pena estar em tao poucas salas de cinema