Do diretor de Vício Frenético vem este olhar interessante sobre o lado negro do cinema hollywoodiano. Vividamente cru e chocante, Olhos de Serpente traz como estrelas dois dos atores mais passionais e controversos dos dias atuais: Harvey Keitel e Madonna. Mesmo sendo um diretor experiente, nada poderia preparar Ediie Israel (Keitel) para o que ocorre no set de seu novo projeto. Dirigindo uma produção sobre um casamento abusivo, Eddie consegue performances incrivelmente reais de seus atores. Contudo, mais horripilante que a violência no roteiro é o fato de que a brutalidade começa a sair do set e se transpor à vida real. Enquanto Eddie fica mais envolvido com sua produção, especificamente com sua atriz principal (Madonna), ele também fica preso nesta terrível armadilha - na qual o mundo da fantasia se torna uma realidade assombrosa.
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Há algumas comparações que podem ser feitas entre esse filme e Vício Frenético, a principal é como o Harvey Keitel interpreta homens muito destrutivos em ambos.
A principal diferença, claro, é onde atuam estes personagens. Um é um policial corrupto e o outro é um diretor. Esta distinta função de ambos não impede que o diretor seja nocivo a todos ao seu redor. A princípio nós até o vemos como alguém que não quer ser mau com seus atores e família, porém descobrimos o impacto de seus atos com o passar do tempo. A relação entre seu elenco parece ser o principal problema, mas enxergamos que é ele quem mais os manipula. Sua esposa não pode contar com ele nem no pior momento de sua vida.
Ao final, toda essa destruição do protagonista é voltada para si mesmo, e ele tem o fim natural dos personagens do Ferrara, que é uma morte trágica e amargurada. Vejo, porém, que aqui há uma distinção grande: Eddie é muito parecido com o próprio Ferrara. A morte de Sarah (no filme dentro do filme) soa como a morte do próprio Eddie. Então quem Ferrara estava matando quando seus personagens morriam nos anos 90? Em quem seus mafiosos eram inspirados? Algum deles, com todos os crimes cometidos, era tão nocivo aos outros ao seu redor quanto Abel Ferrara era na vida real? Ele próprio parece dizer que não.
Vejo que em Napoli, Napoli, Napoli o Abel está um pouco mais otimista, mais compadecido.
Me agrada esta forma narrativa que Abel Ferrara trouxe para limiar a ficção x a realidade , nada é muito inteligível neste quesito enquanto habitamos um mundo sujo e brutal no que tange a indústria cinematográfica. Por outro lado, aparentemente o texto não decola e a crise existencial do personagem me parece rasa e não sair desta esfera da sujeira pela sujeira o que me parece limitar o trabalho metalinguístico. Keitel e incrivelmente Madonna grandes aqui . Alguém me explica qual a relação do Herzog neste papo todo?
A proposta é interessante e o elenco está competente – incluindo uma bastante esforçada Madonna – porém não são favorecidos diante de uma tentativa ininterrupta de dramatização ao extremo. Muito foco na gritaria e pouco desenvolvimento da história, o resultado final soa pretensioso e só.
(assistido na mostra “Madonna - Ícone Pop”, produção da Saraguina Filmes, no Caixa Cultural RJ)
02.04.1995
No embalo dos Super Cines 90's e no ritimo da Madonna Louise Veronica Ciccone, eu resolvi assistir esse "Olhos de Serpente" pra ver se a cobra fumava e a peixera cantava, mas não! Me enganei! Esse zóio é um drama de puro Malte 90, sobre um diretor fazendo um filme no filme sobre uma estória que você não sabe qual é a pior nos filmes, a do filme ou a do filme do filme. Harvey Keitel é o o diretor do filme do filme, um homem casado, mas mulherengo. Madonna vive Sarah e no filme do filme vive uma mulher que tem um marido opressor que faz uns absurdos loco com ela em casa. A duas estórias são pesadas, porque fora das filmagem, tanto o diretor quando o ator do marido opressor comem a atriz.
O ator mostraser um baita de um fila da puta,talvez no mesmo nivel do seu personagem no filme do filme, tendo atitudes nojentas e histéricas com a atriz. Coisa de se capotar quando a gente vê. No personagem o bicho faz toca o terror na casa, numa crise braba de casóiro que nem os "Casos de Familia" resolve, coisa loca mesmo.
Alem disso o diretor com as crise de casamento dirigindo um filme desse tipo. Cê loco...
É um filme denso e lento, com grandes atuações do James Russo, Harvey Keitel e da Madonna que evoluiu muito como atriz no mesmo ano.
A direção do Abel Ferrara é foda! Aquela camera dele é só pra quem tem Zóio de Serpente mesmo!