Charlie escapa do genocídio armênio ainda menino, fugindo para os Estados Unidos, mas retorna adulto e é preso. Ele observa um casal armênio de sua cela na prisão, finalmente aprendendo sobre sua terra natal.
O filme começou bem... E depois ficou chatão... Aí de metade em diante ficou bom de novo... Enfim, nem acho que o maior problema do filme seja esses altos e baixos, mas sim que ele desperdiçou uma baita chance de mostrar a cultura armênia e o seu sofrimento para o público ocidental... Parece que decidiram fazer um filme hollywoodiano para servir apenas de propaganda "anticomunista". Eu vi tanto potencial nele... Se o objetivo era criticar a URSS tinha tantas formas para fazê-lo... Mas no fim resumiram em uma história um pouco bobinha e bastante, extremamente, inverossímil. De real mesmo, só o Genocídio Armênio e o fato de que a URSS era uma ditadura... O resto... Pura ficção para agradar Hollywood.
Conheci Amerikatsi devido a sua pré-indicação ao Oscar de melhor filme internacional 2024, como representante da Armênia. Na data em que escrevo, o longa está entre os 15 semifinalistas da supracitada categoria. Acompanhei algum burburinho sobre este trabalho em um grupo de whatsapp e fiquei curioso. Trata-se da história de um garoto que sobrevive ao genocídio armênio escondido dentro de uma mala. Sua família acaba executada por soldados otomanos e o garoto vai parar nos EUA. Após a segunda guerra mundial, e já sob o domínio da União Soviética, a Armênia parece ser um lugar para onde um filho da terra pode retornar, ainda mais depois das promessas de Stalin para repatriar sob pagamento armênios que fugiram da violência otomana. Charlie é aquele menino sobrevivente que retorna à Armênia para se encontrar com suas origens, mas acaba encontrando seu país mais uma vez dominado pelo autoritarismo, agora soviético. O interessante nessa película é o tom usado pelo diretor/roteirista/produtor/co-editor/ator (ufa!) Michael A. Goorjian. O drama denso e pungente dá lugar a uma atmosfera lúdica cheia de humor, por vezes representando a burocracia soviética em toda a sua estupidez de forma muito brejeira. Mas o ponto alto do filme talvez seja a identificação humana que vemos nascer entre um Charlie encarcerado e um artista punido pelo partido que trabalha como guarda na torre de vigilância da prisão em que nosso protagonista está. Este prisioneiro que alguns até chamam de Charlie Chaplin, passa longas horas observando a vida da família Armênia desse guarda (pintor) chamado Tigran. Da janela de sua cela, Charlie imita hábitos armênios, finge comer refeições típicas de sua terra natal, dança como seus conterrâneos, aprende sobre seu povo e sofre com os problemas matrimoniais da família do artista. Há muita singeleza, há poesia, há sentimento sincero em Amerikatsi. Certamente é um belo filme. Mas sinto que as comparações com A Vida é Bela não o favorecem. Considero o filme italiano um dos mais lindos já feitos. Nesse sentido, Amerikatsi está alguns degraus abaixo. Ainda sim, vale muito a pena ver o trabalho de Michael A. Goorjian. É o tipo de filme que cumpre um papel importante: despertar nosso interesse por um país e por um povo sobre os quais não conhecemos muito. Nota 7.9
O filme começou bem... E depois ficou chatão... Aí de metade em diante ficou bom de novo...
Enfim, nem acho que o maior problema do filme seja esses altos e baixos, mas sim que ele desperdiçou uma baita chance de mostrar a cultura armênia e o seu sofrimento para o público ocidental... Parece que decidiram fazer um filme hollywoodiano para servir apenas de propaganda "anticomunista". Eu vi tanto potencial nele... Se o objetivo era criticar a URSS tinha tantas formas para fazê-lo... Mas no fim resumiram em uma história um pouco bobinha e bastante, extremamente, inverossímil.
De real mesmo, só o Genocídio Armênio e o fato de que a URSS era uma ditadura... O resto... Pura ficção para agradar Hollywood.
Conheci Amerikatsi devido a sua pré-indicação ao Oscar de melhor filme internacional 2024, como representante da Armênia. Na data em que escrevo, o longa está entre os 15 semifinalistas da supracitada categoria. Acompanhei algum burburinho sobre este trabalho em um grupo de whatsapp e fiquei curioso.
Trata-se da história de um garoto que sobrevive ao genocídio armênio escondido dentro de uma mala. Sua família acaba executada por soldados otomanos e o garoto vai parar nos EUA. Após a segunda guerra mundial, e já sob o domínio da União Soviética, a Armênia parece ser um lugar para onde um filho da terra pode retornar, ainda mais depois das promessas de Stalin para repatriar sob pagamento armênios que fugiram da violência otomana. Charlie é aquele menino sobrevivente que retorna à Armênia para se encontrar com suas origens, mas acaba encontrando seu país mais uma vez dominado pelo autoritarismo, agora soviético. O interessante nessa película é o tom usado pelo diretor/roteirista/produtor/co-editor/ator (ufa!) Michael A. Goorjian. O drama denso e pungente dá lugar a uma atmosfera lúdica cheia de humor, por vezes representando a burocracia soviética em toda a sua estupidez de forma muito brejeira. Mas o ponto alto do filme talvez seja a identificação humana que vemos nascer entre um Charlie encarcerado e um artista punido pelo partido que trabalha como guarda na torre de vigilância da prisão em que nosso protagonista está. Este prisioneiro que alguns até chamam de Charlie Chaplin, passa longas horas observando a vida da família Armênia desse guarda (pintor) chamado Tigran. Da janela de sua cela, Charlie imita hábitos armênios, finge comer refeições típicas de sua terra natal, dança como seus conterrâneos, aprende sobre seu povo e sofre com os problemas matrimoniais da família do artista.
Há muita singeleza, há poesia, há sentimento sincero em Amerikatsi. Certamente é um belo filme. Mas sinto que as comparações com A Vida é Bela não o favorecem. Considero o filme italiano um dos mais lindos já feitos. Nesse sentido, Amerikatsi está alguns degraus abaixo. Ainda sim, vale muito a pena ver o trabalho de Michael A. Goorjian. É o tipo de filme que cumpre um papel importante: despertar nosso interesse por um país e por um povo sobre os quais não conhecemos muito. Nota 7.9
Visto em 11/01/2024
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Submissão da Armênia ao Oscar 2024.