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Toda rua em Nova York termina em um rio. Por muitos anos as margens do Rio East ficaram cobertas pelo lixo vindo dos cortiços, mas os ricos, vendo que o curso do rio era pitoresco, moveram suas moradias na direção leste e assim as varandas de apartamentos grandes têm a vista para as janelas dos cortiços. Após 10 anos de crimes, que envolvem o assassinato de oito pessoas, "Baby Face" Martin (Humphrey Bogart) volta para Nova York para ir até o cortiço onde cresceu até ser mandado para o reformatório, pois quer rever sua mãe (Marjorie Main) e Francey (Claire Trevor), sua ex-namorada. Ele tentou disfarçar a aparência fazendo uma plástica mas não adiantou, pois foi reconhecido por Dave Connell (Joel McCrea), um antigo amigo que escapou da criminalidade e se formou em arquitetura. Porém Dave está frustrado, pois é mais um na lista dos desempregados que luta por alguns dólares. Dave o ter reconhecido não preocupa Martin, pois sabe que ele conserva a boca fechada. Martin está com Hunk (Allen Jenkins), seu guarda-costas, que sempre o relembra que ele é o maioral e que não precisa daquilo. Mas Martin não deixará o local até achar Francey, pois quando achou a mãe ela bateu no seu rosto e o renegou, então precisa fazer com que sua viagem tenha algum sentido. Quando a encontra suas doces lembranças são destruídas, pois ela se tornou uma amarga prostituta.
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Reassistido via YouTube em 09/09/2026.
O clássico "Beco Sem Saída" (1937) é um excelente drama policial dirigido por William Wyler que critica duramente a desigualdade social. A história se passa em uma rua de Nova York onde o luxo e a extrema pobreza se cruzam. Nesse cenário, o gângster "Baby Face" Martin, interpretado por Humphrey Bogart, retorna ao seu antigo bairro miserável e acaba influenciando um grupo de garotos de rua. O destino deles se cruza com o do desempregado Dave, vivido por Joel McCrea, e de sua namorada Drina, papel de Sylvia Sidney, que luta para salvar o irmão mais novo do crime. O título do filme serve como uma metáfora perfeita para a falta de oportunidades dos jovens pobres da época. É uma obra ágil, crua e que continua muito atual. No Brasil, esse clássico já foi exibido pela Globo na década de 80 nas extintas atrações Classe A e Código Penal.
O filme não esconde as suas origens teatrais. Quase toda a ação se passa em um único local onde diversos personagens vivem conflitos dos mais diversos. Algo que não prejudica o seu ritmo graças ao habilidoso trabalho de direção. Teve merecidas indicações do Oscar para melhor filme, melhor fotografia, melhor direção de arte e melhor atriz coadjuvante para Claire Trevor que fez apenas uma cena durante o todo o filme. Com certeza a sua indicação foi um exagero. Mereciam mais terem sido indicados Sylvia Sidney e Humphrey Bogart que ainda não era o astro que seria no futuro e chega a roubar a cena do protagonista interpretado por Joel McCrea.
Confesso que até achei mais interessante a história dos trombadinhas, do que a história do Baby Face; mas ambas tem ótimos desfechos em um filme muito bem roteirizado, além de uma fotografia caprichada. Nota 7,5.
Um forte drama com muita crítica social. A direção de arte reconstrói com competência um bairro de Nova York em estúdio, onde vivem personagens amargurados e sem perspectivas. Mesmo o "bem sucedido" Baby Face Martin (Bogart) acaba frustrado por ter mudado de rosto mas mesmo assim não conseguir recuperar o amor da mãe e de sua antiga namorada. O roteiro consegue dar profundidade a praticamente todos os personagens desde o casal de protagonistas que tenta a todo custo levar uma vida honesta, até Hunk (Allen Jenkins), o braço-direito de Martin, que está sempre tentando tirar o amigo daquele lugar que sabe só lhe trará mais tristeza e problemas.
A direção de William Wyler consegue contornar a origem teatral da obra com a ajuda da magnífica fotografia de Gregg Toland (que quatro anos depois revolucionaria o cinema com Cidadão Kane), que cria ângulos inclinados, travellings e closes com os atores se aproximando da câmera.
Um filme com um tema (infelizmente) ainda atual em muitas cidades do mundo e que merece mais reconhecimento.
Ótimo drama policial com uma dedicada direção de Wyler.Utiliza um mistério apreciável,algo visto mais tarde em "A Carta".
>Assistido em 26 de Junho de 2023