Fúsi (Gunnar Jónsson) é um homem que já passou dos quarenta anos de idade, mas ainda não teve coragem de entrar na vida adulta. Ele vive uma pacata rotina morando com sua mãe até que um encontro com uma mulher vivaz e uma menina de 8 anos afeta seu equilíbrio, obrigando o homem a fazer mudanças.
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A Islândia e seus filmes frios, sobre a reconstrução das relações humanas. ‘Desajustados’ é mais um bom exemplar dessa temática e feito nesse país nórdico, um filme para poucos, exibido nos Festivais de Berlim e Tribeca. A figura do protagonista, Fúsi (título original do filme), é enigmática, ao mesmo cativante e monótona, papel desempenhado por um ator excelente, Gunnar Jónsson, de ‘A ovelha negra’ (2015). Obeso, solitário, vive com a mãe, que o mima, tem um emprego chato no aeroporto local e coleciona brinquedos de guerra. É alvo de bullying no trabalho, mas diz que não passa de brincadeiras dos amigos. Certo dia, no pé da escada do prédio onde mora, encontra a filha de um vizinho, sentada, esperando alguém abrir a porta para ela. Fúsi a leva para casa, trocam conversas, dá para a menina algo para comer e brincam. Desse encontro inusitado nasce uma amizade, e todos os dias a menina passa a visitar o novo amigo, mesmo que seu pai ache estranho e até a proíba. Com a desenvoltura de Fúsi com Hera, ele consegue deixar a timidez de lado e se envolve com uma mulher nas aulas de dança de salão que frequenta após incentivo da mãe. Sua vida muda da água para o vinho, entre altos e baixos nas relações com a menina, com a nova namorada, que tem depressão, e com a mãe.
Uma história feita com simplicidade, humana, bonita, com breves momentos de humor, com tipos reais que cruzamos pela rua. Mas sim, é um drama sólido, melancólico e bem construído. Para público adulto e inserido no cinema cult.
Curiosidade: O diretor Dagur Kári, filho do escritor islandês Pétur Gunnarsson, nasceu na França, é pai atriz mirim que interpreta Hera, rodou filmes na Islândia e em 2009 dirigiu nos EUA a comédia dramática ‘O bom coração’, com Paul Dano e Brian Cox.
Disponível em DVD pela Imovision e no streaming da distribuidora em parceria com o cinema Reserva Cultural, o Reserva Imovision.
POR FELIPE BRIDA - BLOG CINEMA NA WEB
Não teria como o Fusi ter uma estrutura corporal diferente da que tem no filme, pois caso tivesse, não caberia seu imenso coração dentro dele.
Ninguém comentou que apesar de tudo, Fúsi tinha um amigo de verdade. Também sendo um ser humano tão querido, mereceria até um amor, se os roteiros de filmes nórdicos não fossem como a vida, pouco hollywoodianos, mas reais. É assim mesmo.
Ao longo do filme o protagonista despertou em mim os mais diversos sentimentos. Em algumas vezes torci por ele e em outras senti raiva, mas em nenhum momento ele me deixou indiferente. Ele acaba conquistando a nossa empatia na sua busca por um lugar no mundo. Mesmo que esse mundo nem sempre o aceite como ele realmente é.
Fúsi é de fato um dos personagens mais sensíveis e incríveis que já vi em tela, como foi reconfortante e ao mesmo tempo doloroso acompanhar a sua história.