Musa, um contador que trabalha com a alfândega, acredita no vazio e no absurdo da existência. Ele não luta para mudar sua vida, deixa-se levar juntamente com eventos, porque ele acha que tudo leva para o mesmo fim. A morte de sua mãe não o afeta. Embora ele a ame, sua morte não o deixa triste. E o fato vai ter consequências pesadas em seu futuro.
- Inspirado em "O Estrangeiro", Camus.
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"Não me importo"
Desprezando corajosamente as regras daqueles manuais de roteiro que insistem que um filme precisa de um protagonista ativo e simpático, o escritor/diretor Zeki Demirkubuz, no filme Destino tem como anti-herói um indivíduo Musa (Serdar Orcin) que é impassivelmente indiferente às expectativas da sociedade sobre ele e sobre tudo o resto. O primeiro da trilogia Contos das Trevas do cineasta, Destino transfere O Estrangeiro de Camus para a Istambul contemporânea, o que resulta em um drama escrupulosamente controlado, tornado mais palatável por sua veia do humor negro. Demirkubuz logo estabelece a natureza singular do escriturário Musa, ao examinar a falta de resposta emocional deste último à morte de sua mãe idosa, com quem ele compartilha um apartamento. Ele não mostra sinais visíveis de angústia ou luto, assistindo ao trabalho com seu cadáver ainda no quarto. O destino vai agora ditar sua vida: ele se casa com uma colega (Zeynep Tokus) que ele nem sequer ama, e mais tarde se recusa a se defender das acusações de assassinato da esposa de seu chefe. Mesmo uma longa pena de prisão não altera sua convicção: "Eu não acredito em nada". Muito antes do filme chegar a uma verdadeira penitenciária e a uma conversa chave entre o diretor e Musa, Demirkubuz estabelece uma poderosa sensação de prisão, com tiros de portas, janelas e salas que parecem confinar os personagens. Fotografado em longas e muitas vezes estáticas tomadas, e dependendo de desempenhos subestimados e de um uso poupado de Mahler, o destino é um trabalho exigente. No entanto, há humor na desolação - "Você é como o herói de um romance francês que li" é como alguém descreve Musa - e o final misterioso oferece a possibilidade de uma salvação improvável. Belo filme sobre os dissonantes, o que me agrada profundamente...
Não gostei do filme , mas a história é interessante.
Me identifiquei com o protagonista, ele vive por viver, não tem expectativas, parece que não faz sentido nenhum em estar vivo e ele tem problemas em expressar seus sentimentos
Tanto o filme quanto o livro do Camus começam com a morte da mãe do personagem e prosseguem numa toada em que impera o sentido do absurdo da vida, quer dizer, a falta de sentido em estar vivo. Mas isso não é uma ideia apenas exposta em O Estrangeiro, mas em todo o pensamento de Camus. A cena culminante do livro se dá quando Meursault mata um árabe na praia, aparentemente sem motivo, por conta do sol. Não há uma versão para isso no filme, a não ser aquela cena em que ele atira nos irmãos da ex-amante do amigo, sem pensar muito. Tem trechos interessantes, mas no total não faz da obra algo imperdível.
Ótimo filme turco!
Difícil não sentir raiva em algum momento da quase total apatia do personagem principal.
As atuações também são ótimas, destaque para a belíssima Sinem, pena que ela não atuou em muitos filmes além desse.
Ainda não li o livro do Camus, mas acredito ser tão bom (ou melhor) quanto esse longa.
Acredito que o final poderia ser um pouco prolongado, mas também tenho minhas dúvidas se isso não deixaria o final cansativo.