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Em um antigo casarão em ruínas, no centro de São Paulo, um velho ator shakespeariano exilado dos palcos vive com seus fantasmas. Em seu leito, cercado de cortinas vermelhas retiradas de um teatro abandonado, ele sonha com a peste e com o fogo se alastrando por todo o país. Em torno do velho ator, forma-se uma estranha comunidade.
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Em formato de teatro épico com musical moderno e dança, e grandioso apelo cenográfico com cores e símbolos, ‘Deuses da peste’, dirigido pelos cineastas Gabriela Luiza e Tiago Mata Machado, chega aos cinemas pela Zeta Filmes depois de uma curta carreira em festivais – venceu, por exemplo, na categoria de melhor longa da Mostra Olhos Livres na Mostra de Tiradentes de 2025. Original, com diálogos que jogam entre o humor e o drama, o filme, de difícil classificação se pensarmos em gênero, transcorre num velho casarão no centro velho de São Paulo. Em ruínas, o lugar abriga um ator exilado, apreciador de William Shakespeare. Ao seu redor perambulam fantasmas, num espaço que lembra um antigo palco de teatro, com cortinas e alguns objetos cênicos. As ideias do ancião beiram o caos – ele vislumbra tragédias envolvendo pragas e fogo. Até que entram em cena membros de uma trupe de teatro mambembe, músicos e bailarinos, que aprofundam uma discussão em torno do Brasil do passado e de agora. Com metalinguagem pura, com forte comentário político, o filme, rodado no fim da pandemia, em 2022, é uma discussão sobre a arte e a cultura no Brasil em tempos do bolsonarismo, tratando de elementos pontuais como o fascismo e as formas autoritárias de poder. A obra, de essência shakespeariana, simboliza a resistência das artes numa era tomada por desvarios, ameaças e perseguição à classe artística, como ocorreu no governo passado. Um filme para poucos, feito de maneira independente e cheio de referências – gostei muito e recomendo aos apreciadores de um cinema engajado e simbólico. POR FELIPE BRIDA - em cinema-naweb blogspot com
Desde já, um dos grandes filmes do ano. Exagerado e potente, ainda que, por vezes, redunde num didatismo militante, logo compensado pela inspiração de algumas alegorias e pelas intervenções estroboscópicas na tela (aquela do "vai piorar!" é caso de antologia!). O elenco, obviamente, está esplêndido, visto que temos aqui uma escancarada homenagem ao teatro, e a listagem de referências (literárias, musicais, cinematográficas) nos créditos de encerramento é infindável. Amei o primeiro ato, as hipertrofias greenawaynianas, em verve tupiniquim, e mergulhei no jogo de alucinações e reivindicações da obra. Tesouro audiovisual de primeiríssima grandeza. Se eu já era fã do co-diretor, fiquei ainda mais! (WPC>)