Dirigido por
Duração
A lenda do cinema Cary Grant interpreta o Dr. Noah Praetorius, um adorável professor e chefe de uma clínica médica que se torna o alvo de uma investigação no estilo McCarthy devido a denúncias de um colega enciumado (Hume Cronyn).
Ao mesmo tempo, Praetorius se apaixona por uma jovem aluna que, ao descobrir estar grávida do namorado recém-falecido em combate na guerra, tenta cometer suicídio. Mas, à medida que a caça às bruxas na vida pessoal do bom doutor continua, continuam também as gargalhadas nesta bem-construída comédia que é um tesouro que não pode faltar na coleção de clássicos de todos os amantes do cinema.
Sem anúncios
Aproveite o melhor do Filmow sem interrupções
Comédia e drama romântico em preto e branco da 20th Century Fox que foi baseado na peça alemã de 1932 de Curt Goetz (1888-1960), que foi transformada em filme na Alemanha anos depois. Escrito e dirigido por Joseph L. Mankiewicz (1909-1993) e produzido por Darryl F. Zanuck (1902-1979). Eis as 3 produções alemãs baseadas na mesma peça: Frauenarzt Dr. Prätorius (50), Dr. med. Hiob Praetorius (58), feito para a TV, e Dr. med. Hiob Prätorius (65).
No início da pré-produção, Jeanne Crain (1925-2003) fez campanha para o papel feminino, mas a vaga foi para Anne Baxter. Depois que Baxter teve que desistir devido à proximidade da maternidade, os desejos de Crain foram atendidos. O personagem de Cary Grant (1904-1986) tem o mesmo sobrenome do personagem de Ernest Thesiger em A noiva de Frankenstein (35); ambos são o Dr. Praetorius. Sidney Blackmer (1895-1973) chama seu cachorro de "Belzebu". No thriller satânico O bebê de Rosemary (68), Blackmer serve Belzebu, também conhecido como Satanás.
Tocando em questões polêmicas (gravidez fora do casamento, um homem enterrado vivo),
Tanto o título original como o brasileiro assim como também o pôster do filme dão a ideia de se tratar de uma comédia. Apesar da leveza com que é conduzida a história há pouco espaço para o humor no filme, até porque ele trata de temas sérios e difíceis que são muito bem desenvolvidos pelo roteiro. Este no início parece exagerar um pouco na quantidade de situações e personagens que joga na tela, mas logo tudo se harmoniza. Cary Grant entrega aqui uma das melhores performances da sua carreira e graças ao seu carisma não é difícil torcer para que o seu personagem supere todos os obstáculos que encontra pelo caminho.
Dr Praetorious é
um anjo em defesa da vida inocente.
Na revisão, gostei ainda mais... O tom melancólico dos personagens acerca dos julgamentos mundanos não resvala no ressentimento, mas, pelo contrário, no júbilo transformador. Por conta de alguns problemas pessoais (boa parte deles, com alçada julgamental), projetei-me idealmente no protagonista, cuja maneira de lidar com os problemas ao seu redor tem tudo a ver com a maturidade emocional que espero atingir um dia - ainda que eu não aprecie a tática da "mentira bem-intencionada" de que ele se vale eventualmente como médico. Inclusive, o modo como o roteiro desafia as diretrizes proibitivas do Código Hays é incrível: abordar a questão do abandono feminino após a entrega sexual, com tamanha audácia, é desafiador ainda hoje, que dirá em 1951. A interpretação do Cary Grant está bastante contida aqui. Sóbria e fascinante, merecedora dos elogios mais demorados. O Gilles Deleuze tem razão ao elogiar tanto este filme: é uma jóia hollywoodiana, repleta de interstícios psicanalíticos de cunho (homo)erótico. Brilhante! (WPC>)
Isso é que é um roteiro bem escrito!