Elena e Vladimir formam um casal de meia-idade com passados diferentes. Ele é um homem rico e frio; ela, uma mulher doce vinda de uma família modesta. Eles se conheceram tarde na vida, e cada um deles tem filhos de casamentos anteriores. O filho de Elena está desempregado, incapaz de sustentar a família, sempre pedindo dinheiro para a mãe. A filha de seu marido é uma jovem negligente que mantém uma relação distante com o pai. Até que Vladimir tem um ataque do coração e é levado ao hospital, onde percebe que não lhe resta muito tempo.
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- no parasita russo eles resolvem as coisas de um jeito diferente
- terceiro filme que vejo usando viagra assim, medo
- passar meu pano aqui porque a elena deve ter comido o pão que o diabo amassou na mão daquele velho nojento
- mas o resto da familia dela é um bando de encostado mesmo, não tem como defender
Gosto desse tipo de filme mas achei a família da Elena muito parasita..... me incomodou bastante.
Tive uma percepção diferente sobre o ponto central do filme. No meu modo de ver, não é um filme sobre capitalismo/socialismo, desigualdades sociais, ganância ou trabalho/mérito. É sobre não transmitirmos o legado de nossa miséria (perdão Machado de Assis xD).
E isso fica bem evidente no diálogo entre pai e filha no hospital:
- De onde vem tudo isso?
- De onde você pensa? Genes, papai, herança.Sementes podres. Somos todos más sementes. Subumanas.
- Vá e tenha alguns filhos. Talvez eles saiam diferentes.
- Diferentes de todos? Não há algo como "diferente". E não sinto necessidade de experiências nesta área; é dolorosa, cara e sem sentido.
- O que quis dizer com esse "sem sentido"? Desculpas idiotas. Você está tentando evitar ser responsável.
- Papai, irresponsabilidade é produzir descendentes que, você sabe, são doentes e condenados, já que os pais são igualmente doentes e condenados. E só porque todos fazem assim, só porque aparentemente há um "sentido maior" para tudo, que não cabe a nós compreender.
Este trecho é o mais explícito, porém há muitas coisas sutis que corroboram com esta ótica. Que a miséria, não necessariamente financeira, vai sendo transmitida (seja pelos genes, ou por simples imitação de comportamentos).
O pai fala que a filha é uma hedonista, que deve ter herdado tal característica da mãe. Quanto à descendência da Elena, fica ainda mais claro, com o Sasha repetindo o comportamento do Sergey, na cena do videogame (onde o pai quem perde o foco) , e também naquela em que ele cospe da sacada, o pai faz isso no início do filme e o filho, no final. E a Elena deve ter se separado do primeiro marido porque provavelmente ele deveria ter um comportamento parecido com o do filho deles. E quando o Sergey anuncia que mais um filho está a caminho, para mim foi automático pensar "mais um para viver e crescer nessa situação?".
Quanto à cena da briga, que alguns ficaram com dúvida com relação ao seu sentido, e no meu ver também se encaixa nesta abordagem.
Todos eles preocupados com o futuro do Sasha, com a Elena cometendo um crime (parcialmente, talvez) por sua causa, e ele na sua miséria, indo participar de brigas de gangues adolescentes. Todo o esforço desperdiçado. E no fim das contas, com dinheiro ou sem, eles continuariam condenados, como mostra no final, o Sergey mantendo o mesmo comportamento, e todos assistindo programas imbecis na TV.
E claro, a obra ainda vai além deste aspecto que citei, ainda há vários assuntos que eu poderia citar aqui, mas nem quero estender mais este post. Mais um filmaço do Zvyagintsev, diretor fantástico, seus filmes são todos extremamente relevantes. E devo dizer que concordo com a ótica apresentada, também não pretendo ajudar a perpetuar a espécie. :D
Resumindo: vai ficar um bando de sanguessugas!
Filme vencedor do Prêmio Especial do Juri da premiação Um Certo Olhar. O prêmio é merecido já que o filme é tecnicamente perfeito, e bota perfeição nisso. Zvyagintsev mostra aqui toda a competência como diretor, desde a iluminação, fotografia, trilha sonora, atuações, enfim... tudo é perfeito, mas ao mesmo tempo ele nos entrega um filme hermético, frio demais, sem muito sentimento. Acredito que tudo foi milimetricamente pensado, já que a história combina com esse "jeito" de fazer o filme, mas por outro lado tem a experiência do telespectador que poderia ser um pouco melhor. Eu não me senti em nenhum momento ligado emocionalmente aos personagens ou ao filme de maneira geral, fui um mero observador, e isto foi estranho.
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