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Data de lançamento
3 Out. 1983Duração
Yolanda Bell, uma jovem cantora de bolero, leva uma vida cheia de drogas, exageros e ambiguidades, até que assiste seu namorado morrer de overdose de heroína misturada com estricina. Apavorada ela decide desaparecer. Busca refúgio no convento das "redentoras humilhadas" cuja madre Superiora manifesta sua admiração por Yolanda numa noite em que vai assistir ao seu show no "Molino Rojo". Por muitos anos as "redentoras humilhadas" têm tentado salvar jovem moças que levam vida de perdição. Ultimamente porém, a comunidade atravessa uma crise: poucas garotas desejam ser salvas. Desta maneira, Yolanda é muito bem recebida, especialmente pela madre Superiora - um cruzamento de São João Bosco e Jean Genet - cuja fascinação pelo mal a torna cúmplice de todas as garotas que passam pelo convento.
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Marília Mendonça: Sentimento Louco
Maus Hábitos é um retrato fascinante e caótico do início da carreira de Pedro Almodóvar, capturando perfeitamente a energia transgressora da Movida Madrileña. O filme brilha ao fundir o sagrado e o profano dentro de um convento surreal, onde o humor negro e o melodrama kitsch servem como uma resposta ousada a décadas de repressão religiosa na Espanha. O grande trunfo da produção está no carisma magnético de suas atrizes — como Julieta Serrano e Chus Lampreave —, que humanizam personagens absurdos (como freiras viciadas em heroína ou criadoras de tigres), transformando o que poderia ser apenas uma provocação barata em um ensaio vibrante sobre solidão e companheirismo feminino.
Vista hoje, a obra funciona menos como um dos grandes filmes de Almodóvar e mais como um registro fascinante de sua evolução artística. Entre exageros camp, performances intensas e uma crítica mordaz às instituições conservadoras, o diretor também abre espaço para discutir afetos, repressão e sexualidades dissidentes sem recorrer ao moralismo. É um filme imperfeito, mas historicamente importante, que evidencia o nascimento de uma voz autoral singular — uma voz que, anos depois, refinaria esse mesmo caos em obras muito mais maduras e emocionantes.
Esse é um filme do Almodóvar que eu não gosto nenhum pouco. Na verdade, eu considero esse filme bem experimental, igual seus anteriores. A impressão que tenho, é que a criatividade dele estava a todo vapor, mas ele não sabia muito bem como transpor isso para as telas.
Em Maus hábitos, temos uma tentativa de fazer críticas religiosas, que não são bem sucedidas no seu propósito. Falta clareza e argumento na mensagem que o filme quer passar. O que vale, são as atuações e o humor negro e ácido. Em falar em humor; esse também não está muito lapidado ainda, e nesse sentido, o diretor só encontraria o ponto certo alguns anos depois em “Mulheres a beira de um ataque de nervos”, mas mesmo assim, já dá para perceber o tipo de humor que ele queria construir, e mesmo com falhas, é divertido.
Pra finalizar; eu dei sim algumas risadas, pois absurdos são o que não faltam, e como disse, as atuações são o destaque. Mas isso não faz esse filme ser bom, e falando a real, é um filme bem ruim.
Mas como disse, é uma obra experimental, e para o diretor, com certeza foi um filme importante, pois depois disso, se percebe que ele aprendeu muito com suas falhas.
Uma ótima sessão para vocês.
No começo pensei que ia ser igual o filme Mudança de hábito, mas logo vi que não tinha nada haver, era só o começo mesmo. Acho que é o convento mais doido que vi num filme, as freiras são umas figuronas e muito engraçadas, e cada uma tem um papel bem interessante dentro do filme. Gostei das criticas ácidas que o filme faz a religião e sobre o machismo, mas acho que nem sempre se concretizam tão bem. E sobre a decisão final da personagem cantora de cabaret não consigo discordar muito apesar de ser insensível d+.
Divertidíssimo!
A irmã Rata é uma das freiras ficcionais mais carismáticas que eu já vi.