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Torturada mentalmente por um homem que sofre de neurose de guerra, Julia certa noite consegue fugir e é recolhida por um jovem que a oculta numa casa de campo pertencente a uma amiga a quem está preso por laços muito ìntimos. O zelador, no afã de receber recompensa monetária anunciada na imprensa pelo perseguidor da jovem, denuncia o paradeiro dela.
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[24/06/26]
Walter Hugo Khouri coloca Júlia o tempo inteiro dentro de reflexos de si mesma ou presa dentro de redes, ou afundada em sombras como as de onde ela sai logo na primeira cena. E esse é apenas um exemplo de como Khouri sabe muito bem filmar. Este é meu segundo filme dele e ele é um dos nossos mestres em criar atmosfera a partir de imagens.
O começo do filme guia o público para um estado de constante dúvida e paranoia, que nos faz questionar o tempo inteiro se podemos confiar em algum desses poucos personagens. Lendo alguns comentários, concordo que, de fato, o filme parece perder algumas dessas qualidades em seu decorrer, mas eu defendo que a verdade é que ele está propondo alguns temas que permanecem relevantes. Volta e meia isso faz com que o filme perca um pouco de ritmo, mas não o suficiente para que eu o considerasse maçante.
Curioso também este filme ser do mesmo ano que "Vertigo" do Hitchcock, uma vez que são filmes que possuem temáticas em comum. Aliás, "Estranho Encontro" também me lembra em alguns sentidos de "Rebecca", também do Hitch.
Tematicamente falando eu gosto de algumas decisões tomadas aqui e, por mais que talvez isso seja projeção minha sobre as coisas, sinto que ele é um filme à frente do seu tempo: um filme onde os homens são quebrados e quebráveis de um jeito ou de outro, enquanto as mulheres são a bússola e o pilar que os sustentam.
Tem muito mais do que mostra a superfície.
Baita pedida pra um dia chuvoso.
Me parece um tanto hitchcockiano esse começo de carreira do Khouri. De todo modo, é interessante ver como algumas marcas do que viria depois nos filmes dele já aparecem aqui: o vazio de uma classe mais abastada e tramas se passando em uma casa de campo.
A agonia da Julia também é muito bem conduzida no compasso dos vários relógios que aparecem, assim como outros ruídos que acabam entrando nesse tal compasso.
Apesar de quase formulaico, acho que o final consegue surpreender em relação a quem toma a frente na defesa da Julia.
Pra quem gostou, recomendo O Anjo da Noite, com um Khouri já mais maduro.
me senti vendo um filme da fase mexicana do Buñuel.
"Estranho Encontro", de 1958, é um belo exemplar do antigo cinema brasileiro, elaborado com elementos de film-noir e drama de cunho psicológico. A direção eficiente de Walter Hugo Khouri, o competente elenco e a bonita fotografia em P&B, enaltecem a qualidade dessa notável produção que merecia ser redescoberta pelos fãs do nosso antigo cinema nacional. O intrigante roteiro (redigido também por Khouri) é deveras instigante, apesar de morosamente arrastado, mas a crescente tensão entre os envolvidos na trama fica mais interessante no decorrer da história. A trilha sonora de Gabriel Migliori, arranjador, maestro e compositor brasileiro é um show à parte.
As filmagens foram realizadas nos Estúdios da Companhia Cinematográfica Vera Cruz em São Bernardo do Campo, no ABC paulista.
Este thriller clássico do cinema brasileiro se encontra disponível no Youtube.
Assisti pela primeira vez em 23 de agosto de 2014, e minha percepção sobre o filme mudou um pouco. A fotografia é linda, o ethos de filme noir continua ali, mas agora percebo que o roteiro não apresenta consistência, o que faz com que se perca do meio para o fim. Não lembrava da atuação da Lola Brah, que é simplesmente maravilhosa.
Filme 052/2024
Revisto em 14/04/24