Injustamente depreciado no momento do seu lançamento, Eu te amo, eu te amo ressurge quase 30 anos depois como uma das mais brilhantes explorações de Alan Resnais sobre a alma do tempo e da memória. Seu principal personagem, Claude Ridder, é um suicida fracassado que é convidado para participar de uma experiência, já testada num rato, que irá enviá-lo ao passado para recapturar um momento de sua vida. Ele concorda e, ao lado do ratinho, viaja através do tempo e se perde. Enquanto os cientistas tentam trazê-lo de volta, fragmentos do seu passado emergem de vez em quando, mostrando um nebuloso caso de amor com uma garota que ele pode ter ou não assassinado.
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Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças original.
História interessante, e é loucão, mas a execução do filme é estranha pra mim.
Filme chato, confuso e deprimente, sobre gente chata, confusa e deprimente... Este arremedo de ficção-científica é uma completa perda de tempo!
Sabe aquele momento que uma equipe de produção desenvolve o filme, e no resultado vêm que está uma merda? Então o diretor tem a brilhante ideia de picotar as cenas para dar algum sentido maior para aquele enredo.
Brincadeiras a parte, tenho conhecimento da vertente experimentalista de Alain Resnais, mas é inegável que está história sobre viagem no tempo é um total fracasso. O protagonista não possui nenhuma ação própria sobre si mesmo ou eventos, e não pode tentar alterar o passado, mesmo teoricamente ''estando lá''. Ele sequer tem ciência disso. O que ocorre parece mais um experimento onde o protagonista fica preso em suas memórias, e a única viagem que faz é apenas em seus pensamentos. Algumas cenas também remetem a bagunça mental que ali ocorre para o protagonista, onde possuem propositalmente distintas ocasiões misturadas em uma única cena. Algo que remete que aquilo parece mais um sonho do que qualquer outra coisa. O erro do filme, e talvez justifique seu fracasso, é ter se vendido como ''viagem no tempo''. Além dos furos neste quesito, o roteiro consegue ser bastante fraco.
Eu acho que o único jeito de se considerar "Je t'aime, Je t'aime" como um filme sobre viagem no tempo é se se aceitar que o tempo no qual o protagonista viaja não é o tempo cronológico, linear, onde transcorrem os eventos do mundo, mas sim o tempo subjetivo, aquele da experiência particular de cada um, o tempo de Kairós. Mais que uma simples história de ficção científica, esse filme é um verdadeiro estudo sobre a temporalidade e a psicologia humanas. E é um estudo muito, muito, muito bom.