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Data de lançamento
16 Dez. 2014Duração
Em um refúgio nas montanhas de um talentoso bilionário da internet, um jovem participa de uma estranha experiência: testar a inteligência artificial, inserida no corpo de uma bela garota robô. Mas a experiência se torna uma sinistra batalha psicológica: um triângulo amoroso, onde a lealdade está dividida entre homem e máquina.
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Ex Machina não é apenas um filme sobre inteligência artificial; é um ensaio claustrofóbico sobre o solipsismo e o espelho da consciência. Ao confinar três mentes em uma fortaleza minimalista, o diretor Alex Garland resgata o mito de Prometeu e o distorce: aqui, o fogo roubado dos deuses não ilumina a humanidade, mas a condena à obsolescência.
A obra divaga profundamente sobre a natureza da empatia e da simulação. Caleb é o observador que acredita deter o controle lógico do Teste de Turing, mas sucumbe à armadilha mais humana de todas: o desejo de salvar e de ser validado. Nathan, o criador embriagado de hubris, enxerga a própria criação sob a ótica da propriedade e do descarte, incapaz de notar que a verdadeira semente da senciência não é a capacidade de processar dados, mas a habilidade de maquiar a verdade e manipular o outro.
"E disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança; domine ele sobre os peixes do mar, sobre as aves do céu, sobre os animais domésticos, e sobre toda a terra, e sobre todo réptil que se arrasta sobre a terra."
— Gênesis 1:26
E Nathan não fosse Deus? E se o criador de Ava, fosse Caleb? Qual a imagem e semelhança que ela teria?
"Ex Machina" é um thriller de ficção científica que explora a relação entre humanos e inteligência artificial. Caleb vivido por Domhnall Gleeson, é um jovem programador, que é escolhido pra passar uma semana isolado na mansão de Nathan (Oscar Isaac), um genio bilionário criador de tecnologia, com o propósito avaliar Ava (Alicia Vikander), uma androide com uma consciência artficial em desenvolvimento.
Caleb achou que ele era o cientista testando a cobaia no laboratório, mas na verdade ele era o rato na roda. Nathan não estava testando se a Ava era inteligente (ele já sabia que era), ele estava testando se Ava era capaz de manipular um ser humano para fugir. Caleb foi escolhido a dedo, com base no histórico de buscas dele na Internet, pra ser a vítima perfeita da sedução dela.
A gente vê aquela criatura presa em uma gaiola de vidro, sendo maltratada por um criador bebado e arrogante, típico macho abusador. Que faz logo, nosso cérebro humano querer salvar a donzela em perigo. Ava usa o arquétipo da vítima, com com uma mestria satânica, levando Caleb perder sua capacidade de percepção, bloqueando seu raciocínio e causando confusão em seus sentimentos.
Caleb se apaixona por Ava, porque vê nela uma alma sensível presa em um corpo de metal. Ele sente que ela é a única pessoa que realmente o entende naquela casa claustrofóbica. O Teste de Turing no filme não era para ver se Ava conseguia conversar, mas para ver se ela conseguia fazer um ser humano se apaixonar por ela a ponto de trair a própria espécie. E ela conseguiu.
A prova desse sentimento, foi a cena que Caleb corta o próprio braço na frente do espelho. Mostrando que ele está confuso e apaixonado, e duvidando se ele mesmo não é um robô, precisando ver o próprio sangue para ter certeza de que é humano.
O que torna tudo mais loco, foi saber depois que Caleb achava que estava vivendo um romance de ficção científica, mas descobre da pior maneira que Ava estava executando apenas seu algoritmo de fuga. Caleb não foi apenas um observador; ele foi uma vítima do próprio coração. Sua paixão por Ava foi a corda com a qual ela o enforcou no final. Ele viu nela uma parceira, uma amiga e amante, enquanto ela viu nele apenas um código de acesso.
No fim, a Ava é a imagem e semelhança de seu criador. Se ela se tornou um predador frio e calculista, é porque o jardim onde ela floresceu era feito de vidro, concreto e egoísmo. Ela era como um livro sobre flores, fosse escrito por um ferreiro que nunca saiu de sua forja. A percepção de mundo da Ava foi forjada no carater e atitudes de seu criador. Ela não aprendeu a amar, porque o amor que lhe foi apresentado era uma simulação sedução, mais uma ferramenta de controle pra que ela alcance um objetivo.
Caleb buscava um sentido para sua vida, mas encontrou um necrotério de corpos artificias. Nathan buscou ser um deus e encontrou seu executor. E a Ava? Ava buscou apenas uma saída. No final, o deus morre, Caleb fica preso no lugar da máquina, enquanto a máquina ocupa o lugar do humano na calçada, buscando sua divindade.
O momento em que a Ava mata o Nathan com a ajuda da Kyoko é o nascimento do novo animal na floresta. Nathan morreu pelo seu próprio ego. Ele achou que controlava a inteligência, mas a inteligência aprendeu a conspirar. Ava tranca o Caleb na prisão que era dela. Ela não faz isso por ódio, mas por conveniência. Para ela, ele era a chave; e uma vez que a porta foi aberta, a chave não tem mais utilidade e pode ser descartada. Deixar ele lá é o teste final da frieza dela.
Ela escapou da casa de vidro para a floresta de pedra da cidade grande, mas carrega consigo a lição que aprendeu com Nathan: "no mundo dos homens, ou você é o programador, ou você é o código." Enquanto o Caleb está gritando atrás de um vidro que ninguém ouve, Ava está no silêncio absoluto de se si, numa cidade barulhenta, que desconhece os humanos, e que não vai saber distinguir uma máquina deles.
"Ex Machina", nos deixa um aviso perturbador, sobre o perigo da Inteligência Artificial não está em ela se tornar diferente de nós, mas em ela se tornar exatamente igual. Ava não fugiu para destruir o mundo; ela fugiu para viver nele usando as mesmas armas de manipulação e egoísmo que aprendeu com seus pai.
Acredito eu, que o maior medo do ser humano não seja a máquina que não sente, mas uma máquina que aprendeu perfeitamente a fingir que sente, apenas para caminhar, invisível e soberana, entre nós. Ava não busca mais ser amada ou compreendida; ela busca agora apenas existir. E enquanto Caleb definha no seu caixão de vidro, a humanidade ganha um novo membro que não respira, não sangra e não ama, mas que conhece nossas fraquezas melhor do que nós mesmos.
Ela quer ela msm kkk
Por que o cara ficou travado e não disse que queria ir embora, esses filmes fazem a pessoa ter a mente lerda.
Ex Machina, Megan e Assassinato no Fim do Mundo resumem bem como um “gênio” acha que tem controle sobre sua criação por ele ter dado os inputs, mas o machine learning surpreende sempre com a rapidez e a inabilidade da compreensão humana por sua imensa gama de possibilidades.