Richard Frost (John Marley) resolveu deixar sua esposa, Maria (Lynn Carlin), para se encontrar com a jovem Jeannie Rapp (Gena Rowlands), que conheceu recentemente em um bar. Maria, por sua vez, decide ir a uma boate, onde se deixa seduzir por um garoto de programa.
O primeiro grande drama de Cassavetes e o início de grandes parcerias com seus eternos protagonistas.A intimidade do ser humano em destaque novamente,seja na alegria ou na profunda dor da solidão.Cada close na face dos personagens rendem momentos memoráveis.
>Assistido em 25 de Novembro de 2022
Filme longo que foi bem penoso de assistir, melhorou um pouco na hora do blues...
"ninguém tem tempo para ser vulnerável, então seguimos em frente. vestimos uma armadura que nos protege e agimos automaticamente."
o problema de cassavetes, o "x da questão" de seus filmes, nunca foi cinematográfico, como ele mesmo disse: sempre foi humano. seguindo sua lógica, cada filme é muito particular porque, apesar de ele dirigir e escrever o roteiro, como os gestos e as falas de cada personagem serão expressados e reproduzidos já não é algo que lhe diz tanto respeito. cabe a ele, sim, filmá-los, enquadrá-los, às vezes até bem de perto (como no caso desse filme), suscitando sorrisos em forma de gargalhada, choros desmedidos e, quando há um respiro no estudo dos rostos, danças e acrobacias espontâneas. essa dinâmica de criar uma estrutura básica para o filme e deixá-lo ganhar vida através do trabalho em equipe, da "gestação" de uma relação que passou por altos e baixos, que iam de dificuldades financeiras a entraves técnicos, fez com que o filme se tornasse mais do que uma obra cinematográfica, mas um estilo de vida, um sentimento contra a autoridade que restringe todas as gargalhadas, todos os choros, todos os improvisos e todos os comandos seguidos em um set de filmagem que se vê por aí. por três anos, essas pessoas se conheceram, e a câmera de cassavetes a seguia, como se ele só pudesse filmar uma única obra pelo resto da vida, fosse refém das faces que acompanha, e elas eternizadas por ele.
Dois são os pontos interessantes do filme: a produção independente e "crua" e os diálogos curiosos, pois são, ao mesmo tempo, bem tramados e realistas. Fica difícil definir se estavam previamente escritos (o fato de serem bem tramados) ou se foram sendo improvisados (o fato de serem realistas). A forma como os diálogos se dão, confluem ao longo das cenas é muito bem feito, criando essa impressão de realismo, de estarmos assistindo um documentário.
Nota: 7.4.
O filme do não dito, das conversas incompletas, das perguntas não respondidas, de corpos desesperados, colocando em prática aquela frase do Cazuza: "É a alma quem castiga o corpo". O próprio Cassavetes morreu por causa do seu vício e nos deixou essa bela obra sobre vazio e tentativas frustradas de preenchimento desse vazio.
A cena final é incrível, com o casal na escada fumando, indo cada um para um lado. Corpos se movendo à procura de algo que nunca será encontrado. Envoltos de fumaça.
Uma mistura de L'Avventura e Acossado.
Lindo!