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8 Março 2012Duração
A famosa poeta Florbela Espanca vive em Portugal na época do fim da Primeira República. Depois de uma separação traumática, ela aceita se casar para encontrar estabilidade e ter paz para escrever. Mas ela logo fica entediada com a vida de casada e, após receber uma carta do irmão, vai correndo encontrá-lo em Lisboa, procurando inspiração e proximidade do círculo literário da capital. Ela vive com intensidade o estilo de vida urbano e não quer voltar quando o marido vai buscá-la. Para manter-se minimamente sã, Florbela escreve.
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O cinema português é pouco apreciado no Brasil, talvez por não termos aqui uma distribuição das obras de forma efetiva. Lá na terrinha há cineastas de qualidade impressionante, sendo Manoel de Oliveira o maior representante, seguido de Miguel Gomes, João Cesar Monteiro, Teresa Villaverde e um que gosto especialmente, Miguel Gonçalves Mendes, com quem passei uma tarde quando estive em Lisboa no Festival de Cinema Itinerante da Língua Portuguesa, o Festin, em 2013. E nessa lista incluo Vicente Alves do Ó, o diretor e roteirista de “Florbela” (2012), um filme poético, de beleza e textura admiráveis, inspirado na vida da escritora e poetisa portuguesa Florbela Espanca (1894-1930).
Foi a produção mais vista nos cinemas de Portugal naquele ano, acredito que pelo fato de a poetisa exercer forte tradição na cultura popular do país. De narrativa lenta (próprio de um cult português), o longa se passa na década final de vida da escritora, 1920-1930, colocando a poetisa como uma mulher à frente de seu tempo. Entediada no casamento, cheia de inquietações, ela deixa o marido para seguir com o irmão (com quem é apegada) para Lisboa. Uma tragédia (que não vou contar, apesar de o fato ser notório na biografia da escritora) faz o mundo de Florbela ruir, então escrever se torna sua salvação, uma maneira de expurgar os sentimentos dolorosos e também de fugir da pressão da realidade.
Como disse, o roteiro não segue a biografia de cabo a rabo da personagem-título, muitos fatos da infância e meninice dela ficam nos diálogos e entrelinhas, como seu nascimento fruto de um casamento extraconjugal, e o abandono pelo pai, que não a reconheceu em vida.
É bom dizer que o filme é bem formal, de extremo rigor técnico, que beira o literário, e conta com locações bem cuidadas, dentro de uma fotografia iluminada – várias locações são da cidadezinha onde Florbela nasceu, Vila Viçosa, na região de Évora, além de externas em Lisboa.
Como muitos escritores por aí, Florbela só ficou conhecida em seu país depois de seu falecimento. No caso, foi uma morte prematura - ela era suicida, tentou a morte várias vezes, até que conseguiu aos 36 anos, por overdose de remédios. Sem sombra de dúvida permanece no topo das maiores escritoras de Portugal, ao lado de Mariana Alcoforado, Agustina Bessa-Luís e Maria Gabriela Llansol.
Ganhador de mais de 20 prêmios em festivais pelo mundo, o longa está disponível em DVD pela Imovison.
POR FELIPE BRIDA - Blog Cinema na Web
Eu tenho grande estima pela poetisa Florbela. Por isso não querendo diminui essa produção pela nota e os comentário negativos não verei para não diminuir a admiração pela poetisa. Mas se quiser ver fique a vontade em conferir *__*
arrastado e insosso
Gostei de conhecer, mas muito triste a história dela. Me dói muito...
Não há outra forma de contar a vida de uma grande poetisa, senão com bela poesia.