Os intrusos da cidade grande chegam à pacata Divinéia, no Mato Grosso, com uma missão: desviar o curso do rio Jurapori, que corta a cidade, e instalar uma hidrelétrica. A consequência disso seria o desaparecimento de Divinéia, submersa nas águas.
No princípio, havia a terra, o céu e o sol. Um dia, o homem branco chegou e, com ele, trouxe a noite. Com a noite, vieram a treva e a tristeza; mas Tupã viu tudo e disse: "preciso lavar a terra do sangue do ódio do homem branco". E fez a terra chorar e chorar tanto que as lágrimas cobriram tudo, até o pico dos montes.
Uma novela muito interessante e diferente dentro da obra de Janete Clair, de tom mais crítico e realista. Assim como em O Espigão, a discussão aqui sobre o "progresso" x defesa do meio ambiente era pertinente em 1974 (sobre a construção de uma hidrelétrica no lugar de uma cidade de interior, um ano antes do início da construição de Itaipu que culminou no desaparecimento das nossas cachoeiras das Sete Quedas). A questão ambiental continua mais pertinente e atual do que nunca, nesse nosso país que coleciona extinções e catástrofes ambientais por culpa do homem. As mudanças climáticas que vivemos já demonstram bem o mal que fizemos e o que vamos colher daqui em diante... Regina Duarte chama a atenção com uma personagem problemática e complexa, já saindo um pouco de suas mocinhas açucaradas. Juca de Oliveira fez muito bem o herói rural combativo e Jardel Filho visceral como sempre em suas interpretações, mas os destaques pra mim ficam para Dina Sfat (Chica Martins impagável) e Neuza Amaral (a cena final de Nara é inesquecível). Preciso ressaltar que o final foi muito bom, acima da média, o que é raro em novelas de TV, que costumam ter finais apressados e conclusões feitas nas coxas. Aqui eu achei tudo bem redondinho (ignorando os buracos bizarros entre os capítulos, pois vamos do 2 para o 104 e depois do 105 para os 208 e 209! Surreal!). Apesar de tudo isso, deu para sentir bem o gosto da trama em capítulos muito bons que fizeram jus à memória da trama. Nem toda novela do Fragmentos teve essa sorte de sobreviver em capítulos bons e interessantes, infelizmente. Outro absurdo que dá muita raiva é ver uma novela de 209 capítulos ser resgatada em apenas SEIS capítulos. Estamos falando de mais de 200 capítulos na lata do lixo. Novamente a Globo seguiu a "regra dos seis capítulos" e só manteve os dois capítulos iniciais, dois do meio e os dois últimos, evidenciando o fato da novela não ter sido perdida em incêndio, como tanto se divulga, e sim APAGADA propositalmente! Com certeza por conta de toda a dor de cabeça que o folhetim deu por ter sido alvo constante da Censura Federal, e talvez por ser uma "novela em preto e branco que ninguém ia querer rever" (pensamento do fim do século passado). Enfim, crimes contra a natureza, contra a cultura: PRA FRENTE BRAZIL! Com Z mesmo, porque o Brasil com S só falta jogar a pá de cal em cima.
No princípio, havia a terra, o céu e o sol. Um dia, o homem branco chegou e, com ele, trouxe a noite. Com a noite, vieram a treva e a tristeza; mas Tupã viu tudo e disse: "preciso lavar a terra do sangue do ódio do homem branco". E fez a terra chorar e chorar tanto que as lágrimas cobriram tudo, até o pico dos montes.
Uma novela muito interessante e diferente dentro da obra de Janete Clair, de tom mais crítico e realista. Assim como em O Espigão, a discussão aqui sobre o "progresso" x defesa do meio ambiente era pertinente em 1974 (sobre a construção de uma hidrelétrica no lugar de uma cidade de interior, um ano antes do início da construição de Itaipu que culminou no desaparecimento das nossas cachoeiras das Sete Quedas). A questão ambiental continua mais pertinente e atual do que nunca, nesse nosso país que coleciona extinções e catástrofes ambientais por culpa do homem. As mudanças climáticas que vivemos já demonstram bem o mal que fizemos e o que vamos colher daqui em diante...
Regina Duarte chama a atenção com uma personagem problemática e complexa, já saindo um pouco de suas mocinhas açucaradas. Juca de Oliveira fez muito bem o herói rural combativo e Jardel Filho visceral como sempre em suas interpretações, mas os destaques pra mim ficam para Dina Sfat (Chica Martins impagável) e Neuza Amaral (a cena final de Nara é inesquecível). Preciso ressaltar que o final foi muito bom, acima da média, o que é raro em novelas de TV, que costumam ter finais apressados e conclusões feitas nas coxas. Aqui eu achei tudo bem redondinho (ignorando os buracos bizarros entre os capítulos, pois vamos do 2 para o 104 e depois do 105 para os 208 e 209! Surreal!). Apesar de tudo isso, deu para sentir bem o gosto da trama em capítulos muito bons que fizeram jus à memória da trama. Nem toda novela do Fragmentos teve essa sorte de sobreviver em capítulos bons e interessantes, infelizmente.
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