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Data de lançamento
4 Set. 2009Duração
Um novo jogo de videogame é a grande febre do momento. Através dele milhões de internautas podem assistir um grupo de condenados lutando para sobreviver como se fossem personagens virtuais, sendo controlados por jogadores. Kable (Gerard Butler) é a grande estrela do jogo, sendo comandado por um adolescente. Em meio à batalha, Kable precisa usar suas habilidades para vencer o jogo e derrubar o sistema que o aprisiona.
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Roteiro acima da média pra um filme de ação, quase uma extensão de Matrix. Poderia ter sido uma obra prima, mas é muito apegado a clichês do gênero.
Vale pela criatividade do conceito e pela estética futurista, mas a execução deixa a desejar. O filme aborda temas como desumanização e controle, mas se perde numa edição que mais parece um videoclipe de 1h30 — é tanto corte que você mal entende a ação.
A câmera não para em momento algum, os cortes são frenéticos demais e o estilo "sujo" do filme às vezes cruza a linha do bizarro sem necessidade (a cena do vômito no tanque de combustível foi uma das coisas mais doidas que já vi haha).
Gerard Butler faz o papel do brucutu de sempre (e está maravilhoso), e o Michael C. Hall está divertidíssimo como um vilão que parece ter saído de um musical psicodélico, mas o roteiro se perde no meio de tanta explosão e acaba não aprofundando os temas sociais que propõe.
Premissa boa sobre realidade paralela, mas num enredo e roteiro raso, confuso/bagunçado.
Eu diria que Gamer me ganhou mais pela ideia do que pelo filme em si. A premissa é provocativa demais pra ignorar: gente controlada como avatar, violência transformada em entretenimento, massas consumindo caos como quem joga um “battle royale” sem pensar no custo humano. Conceitualmente, isso é cyberpunk puro, quase uma crítica social disfarçada de FPS cinematográfico.
A direção tem aquela assinatura Neveldine/Taylor frenética, câmera "nervosa" , cortes acelerados, montagem que tenta replicar a sensação de estar dentro de um jogo. Tecnicamente, é uma escolha intencional, eu diria, mas faltou hierarquia. Quando tudo é choque, nada choca de verdade. O som sofre do mesmo mal: a trilha e o design sonoro não sustentam a emoção da cena, parecem empolgados demais pra existir e pouco preocupados em servir ao momento. Isso quebra a imersão do mundo que eles mesmos tentaram criar.
E falando em mundo, a direção de arte é um ponto que eu valorizaria fácil: a estética suja, urbana, cheia de neon e tecnologia improvisada conversa com a distopia que o filme propõe. O figurino, os cenários e a forma como a tecnologia é mostrada têm coerência com esse futuro saturado e dessensibilizado. O problema é que o roteiro não acompanha a ambição visual. Ele até começa forte, mas perde fôlego no miolo, cria aquela “barriga” clássica que derruba o ritmo de uma história que merecia cadência de jogo bem calculado, com recompensa emocional no timing certo.
Sobre o Gerard Butler, eu diria que ele foi a escolha certa pra traduzir intensidade física e presença de protagonista, e talvez tenha pesado na minha nota na época... não por atuação perfeita, mas por ele conseguir emprestar gravidade a um personagem que o texto não escreveu com a mesma força. Mas, revendo a sensação geral, o filme não vive do ator. Vive do debate que ele desperta: até onde a gente abriria mão do controle da própria vida só pra sobreviver ou pertencer a algo maior?
E quantas vezes a gente não é “operado” pelas expectativas dos outros sem perceber que a batalha não é externa, é interna?
No fim, eu diria que é um filme que vale pela conversa que gera depois, não pela execução impecável. Ele tinha ouro bruto, visual e conceito, mas o acabamento deixou a desejar. E ainda assim, esse mundo exagerado, caótico e tecnológico me fez favoritar, porque às vezes a gente não lembra do filme, mas lembra de como ele fez a gente pensar.
4,5 estrelas seria santificar demais. 3 seria injusto com a ousadia da premissa. Então 3,5 continua sendo aquela nota honesta: um filme que falha como jogo completo, mas acerta como faísca pra reflexão adulta.
Foi filmado antes do diretor Mark Neveldine fazer Crank: High Voltage.
Michael C. Hall, ator da série Dexter, recomendou o ator Sam Witwer para o seu papel. Witner trabalhou com Hall na série, interpretando o personagem "Neil Perry".
Efren Ramirez faz uma ponta no filme, como um DJ da festa rave.
Os novos âncoras são representados pelos atores da série Psych, James Roday e Maggie Lawson.