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Data de lançamento
4 Nov. 2015Duração
Com a nação de Panem em uma guerra de grande escala, Katniss Everdeen enfrenta o Presidente Snow em um confronto final. Junto de um grupo de seus amigos mais próximos, Katniss sai em uma missão com a unidade do Distrito 13, a medida que eles arriscam suas vidas para libertar os cidadãos de Panem, e encenar uma tentativa de assassinato contra o Presidente Snow, que se tornou cada vez mais obcecado com a destruição dela. As armadilhas mortais, os inimigos e as escolhas morais que esperam por Katniss irão desafiá-la mais do que qualquer arena que ela enfrentou.
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Jogos Vorazes: A Esperança – O Final (2015) fecha a saga principal com uma proposta naturalmente mais pesada: depois de três filmes construindo a rebelião, agora a história precisa lidar com as consequências de uma guerra. O resultado é um encerramento ambicioso e emocional, mas também irregular, que funciona melhor como conclusão dos personagens do que como uma experiência de ação constante.
Katniss Everdeen (Jennifer Lawrence) está determinada a derrubar o Presidente Snow e acabar definitivamente com o regime de Panem. Após os acontecimentos anteriores, ela se torna cada vez mais importante como símbolo da revolução, enquanto os rebeldes avançam contra a Capital. Ao lado de Gale, Finnick, Beetee e outros combatentes, Katniss participa de uma missão cada vez mais perigosa, aproximando-se do centro do poder de Snow. Ao mesmo tempo, Peeta continua profundamente marcado pelo condicionamento sofrido durante seu cativeiro, fazendo com que Katniss precise lidar não apenas com o inimigo externo, mas também com a possibilidade de perder definitivamente alguém que ama. Conforme a guerra avança, alianças, estratégias políticas e decisões militares tornam o conflito mais imprevisível, colocando Katniss diante de escolhas que ultrapassam sua própria sobrevivência.
O ponto mais forte está justamente na evolução de Katniss. Ela já não é simplesmente a garota tentando sobreviver aos Jogos: tornou-se uma peça fundamental de uma guerra que frequentemente escapa ao seu controle. Jennifer Lawrence sustenta muito bem essa transformação, especialmente nos momentos em que a personagem demonstra exaustão, trauma e dúvida. A relação com Peeta também ganha uma dimensão mais dolorosa, porque o conflito deixa de ser apenas romântico e passa a envolver identidade, memória e confiança. Gale, por outro lado, representa uma visão muito mais radical da guerra, criando um contraste interessante com Katniss. O filme também reforça uma das melhores ideias da franquia: a linha entre libertação e manipulação política pode ser extremamente tênue.
Em termos de ritmo, o filme é mais movimentado que A Esperança – Parte 1, mas ainda carrega alguns problemas de cadência. Há boas sequências de combate, perseguição e infiltração, e a atmosfera de guerra é consideravelmente mais sombria do que nos primeiros filmes. A direção consegue transmitir perigo e sensação de perda, mas algumas cenas de ação parecem prolongadas além do necessário, enquanto determinadas decisões narrativas poderiam receber mais desenvolvimento. Ainda assim, a fotografia, a ambientação da Capital e principalmente a sensação de que ninguém está realmente seguro ajudam bastante na imersão. O filme entende que o encerramento precisava ter consequências e, por isso, evita transformar a guerra em uma aventura heroica convencional.
Como conclusão, A Esperança – O Final é mais forte emocionalmente do que como filme de ação. Ele consegue fechar os principais conflitos da saga e, principalmente, mostrar o preço psicológico de tudo aquilo que Katniss viveu. Existem excessos, algumas escolhas discutíveis e momentos em que o ritmo pesa, mas o encerramento possui uma maturidade que combina com a trajetória da personagem. Depois de quatro filmes acompanhando Katniss lutar para sobreviver, faz sentido que o capítulo final esteja muito mais preocupado com o que essa sobrevivência custou a ela.
Nota: 7,5
Se não fosse pela Jennifer Lawrence esses filmes estariam respirando por aparelhos…
Não existem heróis nem vilões aqui. Existem pessoas moldadas por um sistema tão profundamente enraizado em Panem que, quando a guerra finalmente termina, a linha entre libertador e opressor já não existe mais. A Capital caiu, mas a lógica que a sustentava continuou viva.
Finalmente terminei de reassistir os 4 filmes da franquia, e vou dizer que fora o segundo que é o meu favorito, esse aqui foi o que mais gostei. Eles abusam da estética russa da segunda guerra, com seus prédios e uniformes, e com seus líderes com intenção de dominação. Ao meu ver temos uma espécie de hitler, o Snow, e seus campos de concentração de trabalho forçado e fome, e do outro lado, stálin, a Coin, com sua habilidade estratégica, união do povo rebelde, mas que assim que a guerra acaba se auto proclama a nova presidente. E é isso que eu gosto de distopia, assim como ficção científica e fantasia, são suas alegorias.
Sim, o filme tem vários defeitos, mas no geral eu gostei bastante.
Agora mudando de assunto mas ainda dentro do filme, entendi porque escolheram Josh para Peeta, q além de ser um short king ele é um ator mais dramático, e o personagem dele seria alguém com mais nuances e temperamento sensível, visto q antes da guerra, era padeiro e pintor. E mesmo seu rival no amor, o Gael, sendo um homem alto e bonito, a Katniss seguiu aquilo que estava dentro do coração, aquele que lhe ajudaria chegar mais perto da paz.
E a Katniss é a nossa Joana "D'Arco", o nosso estandarte que toma as decisões acertadas, o que algo a se esperar de uma protagonista. A Jennifer manda muito bem, claro, a gente percebe os momentos de indecisão, de raiva, de desespero, é difícil não torcer por ela.
Agora consigo assistir A Cantiga dos Passáros e das Serpentes :D
"A esperança é a única coisa mais forte que o medo."
— Presidente Snow
Olhar o desfecho de "Jogos Vorazes" e enxergar apenas um triângulo amoroso ou o brilho artificial dos efeitos especiais é assinar o atestado de que a Panem te venceu. Por trás do espetáculo visual de explosões e do figurino de gala, o que existe é uma autópsia cirúrgica do mundo real. Uma crítica brutal sobre como as estruturas de poder se sustentam no topo, independente de quem ganha ou quem perde no tabuleiro dos jogos de poder do nosso mundo.
A armadilha do sistema é nos fazer acreditar em lados. Ele cria a ilusão da esquerda e da direita, pinta os extremos com cores chamativas e divide a arquibancada para que o povo se estraçalhe enquanto o camarote do poder continue intacto. Na verdade, esses lados são apenas os dois braços de um mesmo corpo oculto. O sistema se reorganiza com uma facilidade assustadora: ele entrega a mão para salvar o braço, cria novas lideranças, financia novas promessas e se finge de aliado para continuar governando o curral.
A verdadeira tirania não veste apenas o terno impecável e gélido de uma ditadura conservadora como a do Presidente Snow; ela também se esconde atrás do discurso inflamado, populista e oportunista de palanque de uma liderança rebelde como Alma Coin. No final, as duas pontas se encontram no mesmo estômago podre da sede de poder.
É nesse cenário de manipulação midiática que a figura da Katniss Everdeen quebra a banca. Ela é a anomalia que a máquina não previu. Ela não passou por quartéis, não decorou cartilhas ideológicas e não treinou para ser um mito. O sistema tentou enjaulá-la em estúdios de chroma key, cobri-la de maquiagem e transformar sua dor num comercial de TV engomado e falso. Mas o herói de verdade não nasce em laboratório de marketing; ele é forjado no terrão, no calor do sangue, no horror do hospital de campanha.
A revolução real da Katniss começou no exato momento em que ela deu um passo à frente para proteger sua irmã caçula da barbárie. Foi uma atitude humana, rústica e desesperada contra homens maus. O resto foi a história sendo escrita pela força bruta da realidade, por alguém que tinha o grito de liberdade preso na garganta, mas que precisou lançar suas flechas no teto e nos corações das pessoas, para incendia-las.
O contraste visual da saga é o reflexo da nossa própria sociedade. De um lado, os distritos de operários, onde o trabalhador parece aprisionado no poço escuro e cinzento do século XIX, sufocado pelo cheiro de óleo diesel e pela poeira do carvão. Do outro, a Capital, um extremo progressista artificial, dominado pelo espetáculo da informação manipulada, por desejos fúteis e por uma beleza morta.
É o conforto da Matrix que alimenta e anestesia os dominadores enquanto os dominados sangram na invisibilidade de escravo do seu dia a dia. Mas na história, toda ditadura e regime tem seu fim: quando o abuso de um lado transborda, a revolta do outro racha o asfalto. Quando a massa acorda e avança cantando contra a opressão, as luzes dos palácios se apagam no medo.
Por isso, o desfecho dessa jornada é foda. Para destruir o monstro, não basta cortar a cabeça e trocar o tirano do trono; e cravar a flecha direto no coração da estrutura. Quando a mira da flecha da Katniss muda de rumo no meio da avenida lotada, a narrativa desaba e o sistema leva um choque de realidade. A Matrix caiu, a flecha não acertou só o coração do novo dono do curral, mas na mente de todo rebanho, que tinha lutado pra ser livre, mas que agora beijava as mão de um novo carrasco.
O exílio final na natureza, o silêncio do Distrito 12 em ruínas e o olhar profundo de quem carrega cicatrizes eternas no peito dizem tudo: a paz não vem com bandeiras ou discursos de vitória no rádio. A paz é o direito sagrado de voltar para a terra, cuidar dos seus e cantar uma canção de ninar para que as próximas gerações nunca se esqueçam de quem foi usado como peão no faminto jogo do poder.