Murphy faz sua estréia como roteirista e diretor nesta comédia passada no Harlem (tradicional bairro negro) dos anos 1930. Ele é o filho adotivo de um dono de bar (Pryor) que usa malícia e esperteza para se livrar de mafiosos brancos que querem acabar com o negócio da família.
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Filme divertido, curiosamente sendo até hoje o único que o Eddie Murphy dirigiu. A comédia não é o ponto forte, muito menos o foco, mas os momentos cômicos que tem foram bem feitos. Destaque para a dupla do Richard Pryor e Murphy, duas grandes lendas da comédia lado a lado é realmente bem interessante.
Outro ponto alto é o figurino, a cenografia e a reconstrução do Harlem dos anos 30 são visualmente impressionantes.
A falta de comédia talvez tenha sido a maior decepção do filme. Eddie Murphy (que escreveu e dirigiu) por algum motivo preferiu dar um ar mais sério ao seu personagem e ao filme em geral, frustrando o público que esperava um filme pra dar risadas.
Além disso falta coesão entre as tramas, que alternam entre cenas pastelão (tiro no dedo da gorda e perseguição do mafioso chorão) e outras mais dramáticas, incluindo até assassinatos. Esta salada de estilos deixa o filme estranho. O final também é apressado com a troca do dinheiro e eliminação dos vilões feita de forma confusa e pouco verossímil.
De positivo, a ambientação do Harlem dos anos 40 é convincente, com cenografia e figurinos bem trabalhados. O filme inclusive chegou até a ser indicado ao Oscar de Melhor Figurino na época.
Por fim, a ideia inicial era até promissora mas faltou experiência e até talento na direção do Eddie Murphy. Ele mesmo admitiu em entrevistas: "Não foi uma experiência agradável. Eu só queria ver se conseguia dirigir. E descobri que não consigo e não vou mais fazer isso. E o mais importante é que eu não gostei de fazer isso. O problema com "Harlem Nights" não foi tanto a direção e sim o roteiro. Foi simplesmente escrito por mim de forma errada e muito rápida."
A parceria de Richard Pryor e Eddie Murphy, apesar de ser considerada histórica, parece não fluir tanto em cena. São poucas piadas entre os dois e a falta de química era nítida. Mais tarde Eddie Murphy explicou o motivo: "Foi decepcionante porque Richard não era do jeito que eu pensei que seria. Richard Pryor vinha ao set, dizia sua fala e ia embora, não era como uma coisa colaborativa. O Richard não gosta de mim. Era disso que se tratava... e eu só descobri depois de fazer o filme com ele."
07.11.1992
Tem Eddie Murphy no auge. Tem Richard Pryor, um dos melhores comediantes de stand-up de sua geração. Porém, o filme não é totalmente de comédia.
Se passa na década de 30, auge dos gangsters. E tem mais trama policial do que comédia em si. Mesmo assim, a dinâmica dos dois funciona bastante. É o primeiro filme e único até agora, dirigido pelo Eddie Murphy, capaz se fosse outro diretor o filme teria tido outra rota.
Um filme com Pryor e Murphy merecia um roteiro melhor, infelizmente não da pra salvar nada. Sem ritmo, sem graça.