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I Am Curious (Yellow), foi um marco cinematográfico que ajudou a definir a emergente mudança no cinema sueco da década de 60, realizado por Vilgot Sjöman. Como a New Wave francesa, o filme usa jump cuts e a sua história não está estruturado de uma forma convencional tipo Hollywood. Além disso, contém elementos documentais, por exemplo, ele apresenta uma breve aparição do Dr. Martin Luther King Jr, que é entrevistado por Sjöman sobre a sua opinião sobre a desobediência civil. Esta entrevista foi filmada em março de 1966, quando o Dr. King e Harry Belafonte estiveram em Estocolmo, para iniciar uma nova iniciativa de apoio aos afro-americanos.
A obra inclui inúmeras cenas de nudez e encenação sexual. Numa cena particularmente controversa, Lena (Lena Nyman), beija seu amante no pênis. Em 1969, o filme foi proibido na Commonwealth de Massachusetts, por ser considerado pornográfico. No entanto, após uma longa batalha judicial, o filme acabou por ser considerado aceitável, e tornou-se num êxito de bilheteira.
A recepcção inicial ao filme foi hostil, mas críticos modernos têm começado a olhar para o filme como clássico. Esta obra saiu em conjunto com outro chamado I Am Curious(Blue).
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Marília Mendonça: Sentimento Louco
Vi porque estava nos 1001 Filmes versão sueca e, sobretudo, porque foi diretamente citado em cena específica na versão em livro de ERA UMA VEZ EM HOLLYWOOD do Tarantino.
Anacrônico. Tem algum valor como descoberta da visão da Suécia sobre si mesma em temas como religião e geopolítica. Mas é só isso.
Vim pelo Don Draper, que segundo ele, ficou chocado com o filme.
Estou revendo Mad Men e também mais atenta aos detalhes. Especialmente sobre os filmes que moldaram, chocaram e entreteram a década de 60 e são mencionados na série.
Em seguida, ainda sobre Mad Men, a Peggy Olson dá a sua opinião e solta "dirty movie". Não concordo. Não é um filme pornográfico e, apesar das cenas de sexo explícitas para a época, parece representar a liberdade sexual.
É instigante mergulhar na busca de identidade ideológica, política e religiosa da Lena e ainda se deparar com a pura metalinguagem do cinema.
Vou agora mesmo assistir a sequência I am curious — Blue.
faz uns trinta anos que tento assistir, mas não encontro legendado nem por um decreto.
Não é fácil digerir este filme. Ainda não sei dizer se gostei ou não. Ele usa diferentes formatos, com diversas quebras de sexta parede (onde vemos o "set"), utiliza arquivo e também um formato documental para abordar temas políticos sobre a igualdade de gêneros, a não-violência pregada por Martin Luther King, o sistema de classes, a sexualidade feminina, parte pelo qual foi considerado um filme pornográfico, mas não é. O sexo, a nudez faz parte do contexto do filme. Ao meu ver, é tratado de uma forma natural. Mas não é esse o ponto forte do filme, é a busca de Lena por uma visão política, religiosa, espiritual, sexual que a complete.
O ano de 1967 merecia um filme como este: sexo, política, gênero, capitalismo, socialismo, comunismo, guerra, não-violência, metalinguagem, cinema, ditaduras e “no Rio Janeiro a gente fode de graça”. O interessante é ver que os temas de hoje são os mesmos de 50 anos atrás (e eu vivo dizendo isso!), ainda que se esteja falando de Suécia.