Armin, com seus quarenta anos, é freelancer com muito tempo e pouco dinheiro. Ele não está realmente feliz, mas não pode imaginar uma vida diferente. Uma manhã, o mundo parece o mesmo de sempre, mas a humanidade desapareceu. Ele é o único homem que restou na Terra.
O filme funciona como uma alegoria para inúmeros assuntos que se dispõe a discutir, como
solidão, liberdade, vida primitiva, relação entre pais e filhos, vida, morte, relacionamento amoroso e traz até mesmo uma metáfora sobre Adão e Eva
É certo que a história parece se alongar em determinadas cenas, mas o filme é paciente e nada que ele expõe é em vão ou gratuito, é tudo uma construção em progressão para chegar onde é necessário.
O interessante também é o filme ir na contramão de histórias desse tipo. Não há grandes tensões, explosões, zumbis perseguindo o personagem. É o fim, mas pode ser também um começo de uma vida nova e melhor para alguém que
vivia uma vida infeliz e solitária antes, uma vida antes de pressões constantes por resultado e por aguentar tudo sem reclamar. E ai que está uma das grandes discussões do filme quanto a estar só ou sozinho. Como somos seres sociais, incorremos sempre no perigo de nos sentirmos solitários vez ou outra e aprender o que fazer com esse vazio é o grande desafio, mas quando o personagem central é a única pessoa que resta no mundo (ou ele acha que é), o vazio inquietante da solidão não faz mais sentido, ele aparentemente se conforma. Dai a mulher aparece e todo aquele sentimento de antes do "apocalipse" também retorna, o homem volta a ter medo de se sentir solitário.
A decisão de não transformar o argumento do filme em algo espalhafatoso e raso, me soa bastante acertado. Por não assumir essa postura de retrato tragédia, ele incorpora questionamentos mais naturais e críveis, que aproximam o público justamente por conta de seu lado mais humano. O que faríamos se do dia pra noite, ao acordarmos, percebermos que somos o último resquício do que conhecemos por humanidade? Sem companhia, sem família, apenas com o mundo ao redor. Como seria?
E ao adotar essencialmente esse tom mais intimista, o roteiro redefine a jornada e leva aquele relato para um caminho mais pessoal, não se atendo tanto aos motivos ou se importando necessariamente com o que realmente aconteceu ali. O que importa é a abordagem. E aqui, com essa abordagem mais próxima ao natural, se evidencia o vazio causado pela solidão. Não importa como, mas tudo desemboca nesse fator.
“In My Room” é basicamente sobre a complexa ambiguidade no ser/estar. Estamos ou somos sozinhos? De verdade, difícil definir. O que sabemos é que sempre precisaremos de algo/alguém para suportar o peso que é simplesmente existir.
Eu queria meio que entender o que aconteceu realmente de forma externa, mas ao que me parece os acontecimentos surge como uma metáfora visual para dar vasão aos sentimentos de Armin. Uma realidade bem visceral.
walking dead ? só que ñ
Impressionado com esse filme!!!