O conflito selvagem entre dois policiais de Los Angeles. Avila investiga a violência da própria polícia e procura provas contra Peck, tira charmoso, corrupto e cínico. Peck sabe que Avila tem um ponto fraco: uma mulher insatisfeita.
Fazia um bom tempo que não assistia a este triller policial televisivo (muito exibido na Rede Globo lá no início dos anos 90). O jogo de gato e rato aqui fica por conta dos charmosos Richard Gere e Andy Garcia (Gere, exalando sensualidade pelos poros num papel vilanesco). Já Andy Garcia foi o contraponto ideal na pele do policial honesto. O elenco de apoio está é bom e ajuda a contar a estória deste enredo sobre a violência de próprios membros da polícia, com leve destaque para Nancy Travis e William Baldwin. JUSTIÇA CEGA, é uma fita protótipa de seu tempo , onde filmes assim, lotavam as prateleiras das vídeo locadoras e eram exibidas aos borbotões na TV aberta, gênero policial muito visto na época. Muito bom triller policial meio esquecido pelo tempo.
Tem policial que prende, e tem policial que prende o olhar. Dennis Peck, interpretado por um Richard Gere deliciosamente sujo, é esse segundo tipo. Em Internal Affairs, ele não está só do lado errado da lei — está do lado errado da ética, da monogamia e da contabilidade. E ainda assim, a gente assiste hipnotizado. Gere entrega um personagem que não precisa levantar a voz nem puxar a arma: basta um sorriso torto e um comentário insinuante pra desestabilizar qualquer um. Ele faz do vilão um espetáculo à parte, um lobo em farda de cordeiro.
Do outro lado dessa balança corrompida está Raymond, vivido por Andy Garcia, o homem da corregedoria que parece mais perturbado com o comportamento sexual do investigado do que com os crimes em si. Peck é o tipo que dorme com a mulher do colega e ainda leva um pratinho pra casa no café da manhã. E Raymond é o tipo que surta. O jogo entre os dois funciona quase como um espelho torto: um é o reflexo que o outro evita encarar, mas não consegue desviar o olhar. O filme se diverte apertando os botões certos — e a gente se pega caindo nas provocações junto com o protagonista.
Gere brilha como um vilão que nunca sua — mesmo cercado, mesmo à beira do colapso, ele mantém o charme intacto. É daqueles personagens que orbitam todos ao redor dele, não por força, mas por gravidade emocional. Ele não seduz só mulheres (embora o faça em escala industrial), ele seduz situações. Sabe virar jogo, inverter culpa, espalhar tensão como quem acende um cigarro. E se o roteiro não detalha exatamente de onde vem sua fortuna ilícita, também não faz tanta falta: a gente entende que o crime aqui é mais de manipulação do que de contrabando.
Claro, nem tudo escapa ileso. A relação entre Raymond e a esposa beira o esboço. O ciúme do protagonista é quase uma entidade no filme, mas a psicologia por trás dele nunca sai do rascunho. Em vez de explorar, o filme prefere sugerir — e nem sempre isso basta. Às vezes, a tensão entre os rivais soa mais viva do que qualquer tentativa de intimidade conjugal. E o desfecho… bem, parece que alguém apertou o botão de encerrar antes de deixar o jogo amadurecer. A narrativa vinha num passo seguro, espalhando pistas, plantando dilemas, cercando o vilão por todos os lados — e de repente, a mulher de Peck entrega tudo numa cena que parece chegar cedo demais. O cerco ainda nem tinha se fechado de verdade, e o roteiro já tratava o colapso como inevitável. Faltou pressão, faltou clima.
Mesmo assim, Internal Affairs é uma ótima pedida pra quem gosta de thrillers que sabem onde colocar a câmera e, mais importante, sabem onde cutucar. Não é só sobre corrupção na polícia. É sobre poder, sobre desejo, sobre como um homem pode desmoronar só porque o outro sabe sorrir no momento certo. E se é verdade que todo bom vilão rouba a cena, então aqui Gere não roubou só a cena — ele saiu com o filme inteiro no bolso.
Fazia um bom tempo que não assistia a este triller policial televisivo (muito exibido na Rede Globo lá no início dos anos 90). O jogo de gato e rato aqui fica por conta dos charmosos Richard Gere e Andy Garcia (Gere, exalando sensualidade pelos poros num papel vilanesco). Já Andy Garcia foi o contraponto ideal na pele do policial honesto. O elenco de apoio está é bom e ajuda a contar a estória deste enredo sobre a violência de próprios membros da polícia, com leve destaque para Nancy Travis e William Baldwin. JUSTIÇA CEGA, é uma fita protótipa de seu tempo , onde filmes assim, lotavam as prateleiras das vídeo locadoras e eram exibidas aos borbotões na TV aberta, gênero policial muito visto na época. Muito bom triller policial meio esquecido pelo tempo.
Tem policial que prende, e tem policial que prende o olhar. Dennis Peck, interpretado por um Richard Gere deliciosamente sujo, é esse segundo tipo. Em Internal Affairs, ele não está só do lado errado da lei — está do lado errado da ética, da monogamia e da contabilidade. E ainda assim, a gente assiste hipnotizado. Gere entrega um personagem que não precisa levantar a voz nem puxar a arma: basta um sorriso torto e um comentário insinuante pra desestabilizar qualquer um. Ele faz do vilão um espetáculo à parte, um lobo em farda de cordeiro.
Do outro lado dessa balança corrompida está Raymond, vivido por Andy Garcia, o homem da corregedoria que parece mais perturbado com o comportamento sexual do investigado do que com os crimes em si. Peck é o tipo que dorme com a mulher do colega e ainda leva um pratinho pra casa no café da manhã. E Raymond é o tipo que surta. O jogo entre os dois funciona quase como um espelho torto: um é o reflexo que o outro evita encarar, mas não consegue desviar o olhar. O filme se diverte apertando os botões certos — e a gente se pega caindo nas provocações junto com o protagonista.
Gere brilha como um vilão que nunca sua — mesmo cercado, mesmo à beira do colapso, ele mantém o charme intacto. É daqueles personagens que orbitam todos ao redor dele, não por força, mas por gravidade emocional. Ele não seduz só mulheres (embora o faça em escala industrial), ele seduz situações. Sabe virar jogo, inverter culpa, espalhar tensão como quem acende um cigarro. E se o roteiro não detalha exatamente de onde vem sua fortuna ilícita, também não faz tanta falta: a gente entende que o crime aqui é mais de manipulação do que de contrabando.
Claro, nem tudo escapa ileso. A relação entre Raymond e a esposa beira o esboço. O ciúme do protagonista é quase uma entidade no filme, mas a psicologia por trás dele nunca sai do rascunho. Em vez de explorar, o filme prefere sugerir — e nem sempre isso basta. Às vezes, a tensão entre os rivais soa mais viva do que qualquer tentativa de intimidade conjugal. E o desfecho… bem, parece que alguém apertou o botão de encerrar antes de deixar o jogo amadurecer. A narrativa vinha num passo seguro, espalhando pistas, plantando dilemas, cercando o vilão por todos os lados — e de repente, a mulher de Peck entrega tudo numa cena que parece chegar cedo demais. O cerco ainda nem tinha se fechado de verdade, e o roteiro já tratava o colapso como inevitável. Faltou pressão, faltou clima.
Mesmo assim, Internal Affairs é uma ótima pedida pra quem gosta de thrillers que sabem onde colocar a câmera e, mais importante, sabem onde cutucar. Não é só sobre corrupção na polícia. É sobre poder, sobre desejo, sobre como um homem pode desmoronar só porque o outro sabe sorrir no momento certo. E se é verdade que todo bom vilão rouba a cena, então aqui Gere não roubou só a cena — ele saiu com o filme inteiro no bolso.
25.04.1992
Um Bom elenco,E Uma Trama Polícial Tensa Ate o Fim.
Interessante thriller policial.