Em 1547, Ivan IV (1530-1584), arquiduque de Moscou, se auto-proclama o Czar de Rússia e se prepara para retomar territórios russos perdidos. Superando uma série de dificuldades e intrigas, Ivan consegue manipular as pessoas destramente e consolidar seu poder.
Bastante teatral, a historia russa contada em enredo quase shakesperiano, com suas tramas de corte e tragédias; importante ressaltar que a primeira parte foi feita no auge do stalinismo, não se furta de louvar o Tzar (a monarquia era a suprema inimiga dos vermelhos), mas então sobre ataque alemão, a propaganda mostrava que antes de serem comunistas, eles eram russos.
Que belo trabalho cênico!
Realmente impressionante.
Eisenstein trata Ivan como um grande líder. Alguém que conseguiu deter invasões dos tártaros (muçulmanos), que além de invadir a terra dos russos, sequestrava, e os vendia como escravos. Unificou as terras russas, e confiscava propriedades privadas em beneficio estatal.
Apesar da veracidade, o filme não retrata a loucura de Ivan. Mesmo já podendo se constatar sua maldade na infância, o personagem começa a demonstrar mais sua loucura após a morte de sua esposa, ao final desta parte. Por isso acho que sua verdadeira face será conhecida na parte 2. Ele foi uma pessoa realmente ruim com seu povo. Defendeu dos inimigos estrangeiros, mas ao mesmo tempo, proporcionava crueldades com a população russa, dizimando milhares de aldeias ou vilas inocentes, por pura paranoia.
Revisto novamente no Youtube em 11/06/2023. Extravagância é a definição correta para descrever esta magnífica obra de Eisenstein. Cada fotograma é um espetáculo visual. Com ângulos de câmera oblíquos, cenários gigantescos, vestuário riquíssimo em detalhes e ótimas interpretações, principalmente de Nicolai Cherkasov, como o Czar Ivan. Este épico de grandeza operística, teve uma forte influência da estética expressionista germânica.
"Ivan, o Terrível - Parte I", é simplesmente extraordinário na sua concepção e realização. Um clássico sombrio do antigo cinema soviético que merecia ser mais (re)conhecido.
Queria muito ter gostado, mas o texto não ajuda. Sou um grande fã do cinema da década de 40 e acho que o tom teatral mais contribuem do que atrapalha a experiência, então isso não é problema.
Contudo, devo dizer que o filme despertou pouco em mim, parece bem aquela leva de filmes de guerra hollywoodianos que pouco têm a dizer. Não senti as intrigas, nem o temor, nem as paixões e nem nada, mas tecnicamente é formidável. Devo tentar mais uma vez.