Dirigido por
Duração
Gerard havia encontrado sua felicidade: o amor, o simples amor que dá sentido à vida. Marianne e ele estavam em Positano há algum tempo com Martin, melhor amigo de Gerard, e Lola, sua companheira. O grupo retorna a Paris, e Gerard passa todas as noites na casa de Martin fumando haxixe, tocando guitarra e falando de Marianne. Mas, um dia, ela o deixa por causa de um outro homem.
Escrito e dirigido por Philippe Garrel, J'entends plus la guitare é dedicado à cantora Nico, com quem Garrel teve um relacionamento.
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Este é um dos meus filmes favoritos, mas é porque sou um velho sinistro.
Achei o filme muito cansativo, apesar dos diálogos densamente ricos.
Vi esse filme faz bastante tempo, e me lembro de que achei a fotografia muito bonita. O clima autobiográfico reina o tempo inteiro. Se alguém tiver curiosidades acerca do relacionamento de Philippe Garrel com a saudosa Nico, basta assistir esse filme.
Incrível a reviravolta emocional que o filme opera: no início, estava achando cansativo o sobejo de chantagens emocionais, de solilóquios acerca de um ideal cadente de amor finito... Depois que a heroína (e, por conseguinte, as óbvias reminiscências do relacionamento trágico com Nico) entre em cena, o filme triplica de interesse, acerta-nos em cheio, naquilo que temos de mais frágil, apaixonado e humano. As atrizes femininas são soberbas, bem como o uso melancólico da trilha sonora. Magistral, mui doloroso! (WPC>)
Não são muitos os filmes que me impressionam.
Muito se fala em cinema autoral e pessoal, mas poucos são aqueles cineastas que conseguem gerar uma obra de marca tão indelével e particular quanto o diretor Philippe Garrel logrou em “Já não ouço a guitarra” (1991). Trata-se de uma produção ficcional, mas o próprio Garrel revela que o roteiro é bastante inspirado em fatos de sua vida amorosa com a cantora e modelo alemã Nico, que além de uma expressiva discografia solo também teve participação antológica no fundamental primeiro disco do Velvet Underground. Nesse sentido, é fascinante como um aspecto intimista da vida de Garrel, e que ele aborda de forma bastante visceral, ganha uma dimensão universal no sentido que seu drama amoroso ganha ressonância no imaginário coletivo (afinal, Nico representa um capítulo relevante na história cultural dos últimos 50 anos). Nesse sentido, a habitual estética de Garrel, aqui num de seus momentos de apuro mais elevado, é o veículo mais que ideal para abarcar o seu relato emocional e amargo de um relacionamento que se desintegra. Como entre outras obras do cineasta, sua narrativa não é detalhista . A trama se divide em momentos cujo espaçamento de tempo é aleatório – tanto podem se passar algumas horas entre eles quanto semanas, meses, anos... Em cada um desses trechos, o enfoque é no estado anímico dos personagens e não no contexto histórico deles. Essa sensação de elipses temporais é desconcertante, mas também é muito verdadeiro em termos de construção das situações e personagens. Nessa formatação, não interessa se falar em final feliz ou não para os indivíduos. O que o espectador vê é apenas uma fração das suas vidas, sendo que a conclusão em aberto de “Já não ouça a guitarra” ganha uma conotação de brutal coerência formal e temática.