Um padre e um repórter envolvem-se nas lutas dos sem-terra do Nordeste. A insistência do jornalista ameaça a vida do padre e de pessoas próximas a ele.
Co-produção do Brasil e Estados Unidos que é um drama nacional da Boku Films, Duerto Produções, Propaganda Films, Ravina Produções e Riofilme indicado a 5 categorias no Prêmio Guarani: melhor diretor, melhor ator, Henry Czerny, melhor roteiro, e melhor música, vencendo o de melhor atriz coadjuvante, Marília Pêra.
As rodagens aconteceram na Bahia e no Rio de Janeiro. Estréia cinematográfica de Lázaro Ramos, que aparece numa ponta. Estréias no cinema de Marília Gabriela (ela interpreta uma versão de si mesma) e de Miguel Lunardi. O 1° longa-metragem dirigido pela baiana Monique Gardenberg, que também foi roteirista. Ela dirigiu alguns curtas antes deste filme. A estória tinha de tudo pra ter um potencial melhor, mais agradável e estimulante, mas a trama peca por ser muito confusa e cansativa, com imagens escuras em excesso e a mistura de idiomas exageradas: as vezes os americanos falam em português e os brasileiros falam em inglês.
Com atores internacionais no elenco e muitos diálogos em inglês, talvez até mais do que as falas em português. Este detalhe tira um pouco da veracidade da trama, sobretudo quando se mostra a relação do jornal. O filme apresenta um retrato político da atual situação dos sem-terra brasileiros (qualquer semelhança com os vândalos terroristas do MST não é mera coincidência) e discute, em igual proporção e bem mais à vontade, a ética jornalística com trágicas consequências. O título lembra o licor de jenipapo, típica fruta nordestina oferecida por Marília Pêra para conquistar o jornalista americano Michael Coleman, interpretado por Henry Czerny que, na vida real, é um canadense.
Lançado em 1995, “Jenipapo” é um filme brasileiro e estadunidense dirigido por Monique Gardenberg a partir de um roteiro seu, escrito em parceria com Cyrus Nowrasteh. Surpreendentemente pouco conhecido, “Jenipapo” trata de conflitos éticos em torno da disputa pela terra. No filme, Michael (Henry Czerny) é um jornalista estadunidense que trabalha para um jornal progressista bilíngue. Em meio às disputas políticas acerca de uma polêmica lei agrária prestes a ser aprovada, Michael é designado para entrevistar o Padre Louis Stephen (Patrick Bauchau), um famoso missionário católico, líder de uma comunidade do Nordeste e associado à defesa ativa do direito à terra. Antes de proceder à entrevista, Michael desenvolve uma verdadeira obsessão pela figura do sacerdote; lê, vê e ouve tudo sobre e padre, tornando-se um conhecedor a fundo de seus ideais. Porém, existe um problema: desde algum tempo, o padre vem se recusando a conceder entrevistas ou a se posicionar publicamente, mesmo diante da aprovação da lei que certamente prejudicará os trabalhadores rurais sem terra. Michael, entretanto, vai até Jenipapo, uma comunidade rural do recôncavo baiano, a fim de se encontrar pessoalmente com o Padre Louis; lá, confronta-se com um clima de tensão que envolve crimes fundiários, jaguncismo e o silêncio impassível do Padre, o que o leva a abandonar a ética profissional no intuito de publicar a entrevista antes que a lei seja aprovada.
Apesar de ter contado com poucos recursos financeiros, o filme apresenta uma produção caprichada, o que é um grande mérito levando-se em conta o fato de que marcou a estreia da diretora baiana à frente da direção de longas. Além disso, “Jenipapo” desenvolve – e desenvolve bem – uma boa história, em que a disputa pela terra, uma questão social imprescindível no panorama histórico e político do Brasil, serve de catalizadora à dicotomia “ética” vs. “falha moral” (embora, nesse caso, o desvio moral desemboque num bem-estar coletivo). Nesse sentido, o argumento de Monique Gardenberg é fortíssimo: é necessário lembrar que, à época, a questão fundiária era a grande questão social a ser discutida no país. De um modo geral, o filme apresenta algumas falhas no roteiro, mas que não prejudicam o bom encadeamento da história. “Jenipapo” merece ser redescoberto.
Infelizmente pouco lembrado, esse filme é uma das boas produções do período da retomada. Um thriller envolvente falado a maior parte em inglês, mas com um elenco brasileiro de peso, além dos internacionais. Destaque também pra presença do renomado Philip Glass na trilha sonora.
Um projeto ambicioso,mas sem grande produção.Direção ineficaz e atuações que ajuda em alguns momentos.
>Maratona Lázaro Ramos - Assistido em 21 de Junho de 2024
Co-produção do Brasil e Estados Unidos que é um drama nacional da Boku Films, Duerto Produções, Propaganda Films, Ravina Produções e Riofilme indicado a 5 categorias no Prêmio Guarani: melhor diretor, melhor ator, Henry Czerny, melhor roteiro, e melhor música, vencendo o de melhor atriz coadjuvante, Marília Pêra.
As rodagens aconteceram na Bahia e no Rio de Janeiro. Estréia cinematográfica de Lázaro Ramos, que aparece numa ponta. Estréias no cinema de Marília Gabriela (ela interpreta uma versão de si mesma) e de Miguel Lunardi. O 1° longa-metragem dirigido pela baiana Monique Gardenberg, que também foi roteirista. Ela dirigiu alguns curtas antes deste filme. A estória tinha de tudo pra ter um potencial melhor, mais agradável e estimulante, mas a trama peca por ser muito confusa e cansativa, com imagens escuras em excesso e a mistura de idiomas exageradas: as vezes os americanos falam em português e os brasileiros falam em inglês.
Com atores internacionais no elenco e muitos diálogos em inglês, talvez até mais do que as falas em português. Este detalhe tira um pouco da veracidade da trama, sobretudo quando se mostra a relação do jornal. O filme apresenta um retrato político da atual situação dos sem-terra brasileiros (qualquer semelhança com os vândalos terroristas do MST não é mera coincidência) e discute, em igual proporção e bem mais à vontade, a ética jornalística com trágicas consequências. O título lembra o licor de jenipapo, típica fruta nordestina oferecida por Marília Pêra para conquistar o jornalista americano Michael Coleman, interpretado por Henry Czerny que, na vida real, é um canadense.
Lançado em 1995, “Jenipapo” é um filme brasileiro e estadunidense dirigido por Monique Gardenberg a partir de um roteiro seu, escrito em parceria com Cyrus Nowrasteh. Surpreendentemente pouco conhecido, “Jenipapo” trata de conflitos éticos em torno da disputa pela terra. No filme, Michael (Henry Czerny) é um jornalista estadunidense que trabalha para um jornal progressista bilíngue. Em meio às disputas políticas acerca de uma polêmica lei agrária prestes a ser aprovada, Michael é designado para entrevistar o Padre Louis Stephen (Patrick Bauchau), um famoso missionário católico, líder de uma comunidade do Nordeste e associado à defesa ativa do direito à terra. Antes de proceder à entrevista, Michael desenvolve uma verdadeira obsessão pela figura do sacerdote; lê, vê e ouve tudo sobre e padre, tornando-se um conhecedor a fundo de seus ideais. Porém, existe um problema: desde algum tempo, o padre vem se recusando a conceder entrevistas ou a se posicionar publicamente, mesmo diante da aprovação da lei que certamente prejudicará os trabalhadores rurais sem terra. Michael, entretanto, vai até Jenipapo, uma comunidade rural do recôncavo baiano, a fim de se encontrar pessoalmente com o Padre Louis; lá, confronta-se com um clima de tensão que envolve crimes fundiários, jaguncismo e o silêncio impassível do Padre, o que o leva a abandonar a ética profissional no intuito de publicar a entrevista antes que a lei seja aprovada.
Apesar de ter contado com poucos recursos financeiros, o filme apresenta uma produção caprichada, o que é um grande mérito levando-se em conta o fato de que marcou a estreia da diretora baiana à frente da direção de longas. Além disso, “Jenipapo” desenvolve – e desenvolve bem – uma boa história, em que a disputa pela terra, uma questão social imprescindível no panorama histórico e político do Brasil, serve de catalizadora à dicotomia “ética” vs. “falha moral” (embora, nesse caso, o desvio moral desemboque num bem-estar coletivo). Nesse sentido, o argumento de Monique Gardenberg é fortíssimo: é necessário lembrar que, à época, a questão fundiária era a grande questão social a ser discutida no país. De um modo geral, o filme apresenta algumas falhas no roteiro, mas que não prejudicam o bom encadeamento da história. “Jenipapo” merece ser redescoberto.
⭐ 3.8 / 5.0
Bom filme., com questões bem atuais .
Infelizmente pouco lembrado, esse filme é uma das boas produções do período da retomada. Um thriller envolvente falado a maior parte em inglês, mas com um elenco brasileiro de peso, além dos internacionais. Destaque também pra presença do renomado Philip Glass na trilha sonora.