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Data de lançamento
10 Março 2017Duração
Um eclético time de exploradores se aventura nas profundezas de uma desconhecida ilha do Pacífico, a Ilha da Caveira – tão bela quanto traiçoeira – sem saber que estão invadindo os domínios dos reis dos símios, o mítico Kong.
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Tem Alguns Spoilers...
"Kong: A Ilha da Caveira" não veio pedir licença, nem banana e nem fazer poesia pra filme algum. Ele veio pra quebrar as pernas do mito, mexer no lixo do clássico do macaco apaixonado e atropelar todos os filmes de King Kong que vieram antes. Jordan Vogt-Roberts não fez apenas mais uma história de monstro; ele ligou um motor V12 movida a fúria e vingança no meio da sala de cinema, entregando um espetáculo de pura adrenalina, psicodélia e maldade do início ao fim.
O filme teve a audácia e a coragem de abraçar o entretenimento bruto com um estilo visual acachapante. A ambientação no final da Guerra do Vietnã é o combustível perfeito para o caos. A fotografia é um deleite de cores quentes e saturadas — céus carregados em tons de laranja e fogo, sol gigante, silhuetas imponentes e uma selva vibrante que parece viva e pronta para devorar qualquer um. É a louca estética "Apocalypse Now" batida no liquidificador com a energia do rock and roll dos anos 60 e 70. Ouvir guitarras distorcidas de Creedence, Black Sabbath, Jefferson Airplane e The Stooges embalando o pavor dá ao filme uma personalidade única e contagiante.
Nesse inferno, o Kong não é tratado como um animal acuado ou uma atração de circo. Ele é uma divindade ancestral, uma força da natureza imponente e imperturbável. A presença desse titã na tela carrega massa, peso e um senso de escala que faz o cinema tremer e quase chorar. Ele é o guardião brutal de um mundo esquecido pelo tempo, cercado por criaturas bizarras e pesadelos escondidos no ssubterrâneos que transformam a ilha num verdadeiro tabuleiro de sobrevivência.
Para encarar esse purgatório, o filme escala um elenco de peso liderado por Tom Hiddleston, Brie Larson, John Goodman, Corey Hawkins, John C. Reilly brilhante e muita gente nervosa. Mas o motor da tragédia humana atende por um nome: Samuel L. Jackson. O personagem dele encarna o militar ferido no orgulho, cego pelo ódio e pela obsessão da derrota no Vietnã. Ele transforma a expedição numa cruzada pessoal, arrastando todo o seu batalhão para uma espiral de vingança doentia contra um monstro de trinta metros de altura, num mar de nalpan em chamas! É o embate definitivo entre a impressionante microscopica dos homens e a soberania gigantesca de um Rei.
"Kong: A Ilha da Caveira" é cinema pipoca 4x4 na sua forma mais nobre e visceral. Sem perder tempo com enrolação, o filme entrega uma experiência visceral e alucinante, repleta de ação bruta e uma energia acelerada que quase não se vê mais em Hollywood. Um lembrete barulhento e inesquecível de que, quando o cinema de ação decide focar no ritmo, na estética e na fúria de suas raizes, o rugido dos monstros ecoam para muito além da sua tela.
Belíssima fotografia, grande elenco e uma trilha sonora de arrepiar.
Kong: Skull Island é aquele tipo de filme que parece ter saído direto de um pôster desbotado dos anos 70 — cheio de cor, fumaça e helicópteros que acham que estão no Vietnã, mas acabam em um safári com monstros. E Kong, em vez de ser o vilão que rapta mocinhas, vira o zelador da natureza — um guardião peludo que sabe exatamente quem é a verdadeira ameaça. O filme encontra força justamente no contexto histórico: 1973, a guerra no Vietnã chega ao fim, protestos ecoam nas ruas, e a confiança americana desaba junto com os helicópteros cortando nuvens de poeira. Colocar Kong nesse cenário é um acerto: a fera e a farda dividem o mesmo espaço simbólico. É aí que a Monarch, organização misteriosa, decide explorar uma desconhecida ilha. O resultado? Um zoológico de egos: cientistas, militares, jornalistas e mercenários — todos carregando seus medos, mas que o roteiro, infelizmente, esqueceu de aprofundar.
E é aí que mora o maior pecado do filme. Enquanto Kong ruge e manipula helicópteros como se estivesse brincando de carrinho bate-bate, os humanos parecem mais acessórios do que protagonistas. Tom Hiddleston é o mercenário habitual, Brie Larson a fotógrafa engajada que mal consegue carregar a câmera junto das falas sobre paz, e Samuel L. Jackson… bem, ele é o coronel que nunca voltou da guerra. Preston Packard é praticamente o fantasma do Vietnã encarnado em puro rancor, confundindo Kong com o inimigo que o destino lhe negou. É uma boa ideia — obsessão como herança de guerra — mas o roteiro não a trata com a profundidade merecida. Ele se reduz a um homem gritando ordens, como se o mundo fosse um quartel e o gorila, apenas uma missão. Pior ainda: o resto dos militares nem ousa questionar as absurdas ordens, como se seus desenvolvimentos fossem lembrar em piadas de quanto tempo estão longe da família.
Comparando, é curioso: o King Kong de 1933 já sofria com personagens unidimensionais, mas lá isso era quase um sintoma do tempo. A tecnologia era a estrela, a novidade falava mais alto. O de 2005, com toda a megalomania de Peter Jackson, felizmente tem um belo coração pulsando entre o espetáculo — um romantismo trágico, exagerado, mas honesto e tocante. Já o de 2017 parece ter esquecido que o público precisa de alguém pra seguir além da câmera. Todos ali têm função, mas falta personalidade. É como se o filme soubesse pilotar bem as cenas de ação, mas esquecesse de quem está dentro do helicóptero.
E que cenas de ação! Quando o filme resolve rugir, faz bonito. A sequência do primeiro encontro — helicópteros invadindo a ilha enquanto Kong surge entre o pôr do sol — é puro delírio visual. É daquelas cenas que fazem perdoar muita coisa. Aliás, o filme sabe enquadrar Kong como ninguém: refletido em armas ou nos olhos humanos — sempre maior do que a própria imagem. É um balé de destruição que, de tão exagerado, beira o poético. E quando ele mete a mão em um helicóptero, a empolgação é instantânea. A ilha não tem tantos monstros quanto a versão de 2005, mas sabe usar o “menos é mais”: aranhas gigantes, tentáculos e os temíveis lagartos. Destaque para a cena da vala dos pais de Kong, com fumaça verde e uma espada de samurai cortando criaturas que parecem mutações de pteranodontes.
A ambientação também funciona. O filme é lindo de ver, com aquele grão de fotografia que parece saído de uma câmera analógica. As fotos de Mason Weaver — a jornalista de Brie Larson — são pequenas pausas no caos, lembrando que a beleza ainda sobrevive entre a fumaça. Pena que, quando o filme tenta ser humano, falta alma. Entre tantos personagens, apenas Hank Marlow (John C. Reilly), o piloto perdido na ilha desde a Segunda Guerra, realmente respira. Ele é o ponto de luz na selva: um homem que aprendeu a coexistir com o impossível, enquanto os outros ainda tentam conquistá-lo.
No fim, Kong: Skull Island é um bom filme, mas poderia ter sido muito mais. Entende o mito, mas tropeça nas pessoas. Funciona como aventura, falha como narrativa de personagens. Kong é o rei, mas seu trono é cercado de figuras que parecem saídas de um álbum de figurinhas de ação. Ainda assim, é impossível negar: quando o sol se põe e o gorila se ergue, algo dentro do espectador desperta — talvez o desejo antigo de ver o homem pequeno diante daquilo que não entende. E Kong? Ele reina absoluto, lembrando que, na selva ou na guerra, sempre há alguém maior, mais esperto e, definitivamente, mais peludo.
Cara, filme muito da hora!
Gostei, ótimo para passar o tempo