O pintor Edouard Frenhofer (Michel Piccoli) vive recluso em sua casa de campo em uma pequena cidade francesa. Quando recebe uma visita do jovem artista Nicolas (David Bursztein) com sua namorada Marianne (Emmanuelle Béart), Frenhofer resolve voltar a pintar um quadro inacabado: A Bela Intrigante. E ele quer Marianne como modelo. O processo criativo pelo qual o pintor passa faz com que não somente sua vida mude, mas mas a de todos em sua volta.
Arte!
Quatro horas de contemplação.Precisa de uma certa paciência,não terá um ritmo acelerado,principalmente em seu início,mas tudo vai ganhando forma até o final.A jornada é regada de lugares belíssimos e momentos especiais entre os personagens.Emmanuelle Béart é uma das sete maravilhas do mundo.
>Assistido em 28 de Maio de 2022
-Dou nota 8/10
Por muito tempo resisti a conhecer essa obra por causa da sua longa duração. De fato há muitos momentos nela que parecem desnecessários, em especial alguns que mostram o pintor criando a sua obra que são longos e repetitivos. Com exceção desses momentos a narrativa é fluida e os diálogos bem escritos. Tudo no filme parece natural e não encenado, mesmo na breve cena em que pode-se ver um microfone aparecer na parte inferior da tela. A nudez também não parece apelativa e é vista sob o olhar do artista que protagoniza a história. Não é uma obra fácil de acompanhar, mas acabou sendo bem mais acessível do que eu imaginava que seria. Com um trabalho de edição mais apurado teria sido uma experiência bem melhor.
Um filme sobre uma musa - quiça, sobre todas as musas. Com prêmio em Cannes, o filme surge naquela que seria a última década do século XX, enfrentando a liquefação do tempo com suas quatro horas de duração. Cenas longas de pinturas que parecem não levar à nada, rascunhos apenas, mas que tomam o espectador paciente de súbito. Amante que sou de filmes em dois atos, exulto a placidez com que o filme se dirige a si mesmo, contando que será sobre pintura e sobre esboços do infinito, mostrando sem discutir as personagens. Vemos Jane Birkin, famosa por seu dueto com Gainsbourg, encarnar um papel de musa do passado, de brilho opaco, mas cuja marca no tempo e no espaço se faz perceber na obra de Frenho, seu marido e pintor frustrado, dado a bebida e a falta de pontualidade. Tudo muda, claro, como é típico deste tipo de filme, e passamos a entender a singularidade entre os quatro personagens principais - cinco, se contarmos Bartô - onde vemos a interlocução sobre arte, encarnada por Frenho e Nicolas, sobre relacionamentos em suas gerações específicas, com os dois casais, e sobre a questão de ser musa, que revolve sobre a da arte, encarnada por Marianne e Liz. O final, tanto surpreendende quanto propositivo, mostra que a verdadeira obra de arte é inominável, que o processo é parte essencial do produto final e que, apesar do insuportável peso do tempo e de sua caminhada, algumas coisas permanecem as mesmas. Claro, existem certas ressalvas com o casal jovem e a irmã de Nicolas que poderiam ser feitas mas, levando em conta o que é próprio à arte que é o cinema, mantenho a opinião - levado, também, por sentimentos pessoais - de que se trata de uma obra prima em relação ao efeito catártico proporcionado ao espectador paciente e ansioso, aquele de tentar convencionar algo quase indizível em um objeto interpretável. As paisagens pictorescas francesas e os jogos de cena, que se passam majoritariamente em dois ambientes, a casa de Frenho e o hotel de Nicolas, cumprem seu papel ao dizer que sim, o mundo é tudo que há ao redor e que sua beleza é infinda, mas também que não há grandeza maior que aquela do confinamento entre dois indivíduos, o criador e a criatura.
La Belle Noiseuse tem mais pontos negativos do que positivos.
- A começar pela longa duração de quatro horas! Somente os primeiros cinquenta minutos, poderiam facilmente serem resumidos em dez, mostrando o pintor conhecendo o casal, e possuindo interesse em pintar Marianne. O filme poderia ter tranquilamente um pouco menos de duas horas. O diretor Jacques Rivette não consegue focar no necessário.
- Foi muito agradável assistir as cenas onde ocorrem as pinturas. Os traços e contrastes moldando forma. Mas vamos confessar que elas são bastante amadoras. Não vemos nenhuma grande obra saindo das mãos daquele ''famoso'' pintor.
- O encerramento deixa muito a desejar. Cada vez menos são mostradas as cenas de desenvolvimento de pintura, e a verdadeira ''grande obra'' final, não é mostrada, ficando assim, na imaginação do espectador.