Annette, uma mulher calculista, organiza uma festa de noivado para a filha. O amor verdadeiro fica em segundo plano, sendo que a principal razão para o noivado é o dinheiro. Porém, os fantasmas do marido e do amante da mãe comparecem à festa para tentar salvar a jovem de um futuro sem amor.
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É comum assistir filmes antigos e pensar de forma equivocada: "o enredo já é 'batido', nada de 'novo' etc". Porque estes antigos justamente precederam as histórias que consideramos boas e envolventes... Como os clássicos literários... (Mas já estou divagando). Enfim, o que quero colocar é que esse filme representa bem, de forma leve e divertida, encenações e efeitos visuais muito interessantes para a época. Devia ser muito legal ir ao cinema assistir estes filmes; uma experiência.
Gostei do recurso de passado e presente, e a ideia de redenção dos personagens. A representação dos fantasmas me divertiu muito! A música presente no filme (instrumental ou cantada) é ótima. E claro, o enredo é gostoso de acompanhar, percebendo como não mudamos em relação aos interesses materiais sobrepondo os afetivos, imersos em contratos e as obrigações do mundo masculino e feminino; a desilusão amorosa como causadora de dor e morte; e a vida como esse lance de sentimentos, matéria e espírito.
Adentrei a sessão temente de que encontraria uma filme "menor" do diretor. Na duração, talvez. No impacto emocional? Jamais! Trata-se de uma obra belamente desenvolvida, em que, pouco a pouco, o julgamento de culpa atribuído às vítimas da infelicidade é estendido e desvelado, revelando o quão desoladoras são as conseqüências dos conchavos afetivos de classe. É um filme que revela o quão hábil é o diretor "vienense" em sua denúncia da falsidade que esconde-se sob a pompa aristocrática (ou pequeno-burguesa, como descende aqui). Ritmicamente célere, possui um caráter de fascinante crônica em defesa do amor e em perdão do adultério ninfômano. Como diz François Truffaut, Max Ophüls é um magistral "advogado de mulheres". Parece que não, neste filme suspeitoso, até a metade: logo descobrimos o brilhantismo mágico de sua eloqüência defensiva. Extraordinário e injustiçado filme! Lindo... Como não projetarmo-nos na trama, não é? Como? (WPC>)