Em 1930 foi instituído um código normativo (Código Hays) para toda produção cinematográfica visando defender a moral e os bons costumes. As leis presentes neste dispositivo, porém, só exerceram sua força com toda severidade a partir de 1934 quando Hollywood viu-se obrigada a exercer a censura sobre o material que fornecia ás audiências sob pena de sofrer boicotes de âmbito nacional o que poria em risco a lucratividade dos estúdios.Todavia até 1934 a meca do cinema norte-americano floresceu com liberdade criativa e temática sem ter que lidar com as regras impostas por um grupo de censores religiosos ligados às principais igrejas. Produções como Ladrão Romântico fazem parte desta safra. Embora a princípio o filme tenha uma vertente escapista, ele não se reduz apenas a este proposito. Uma vez que os Estados Unidos encontrava-se afundado devido a Grande Depressão (iniciada com a quebra da bolsa de Nova Iorque em 1929 e cujos efeitos se estenderam durante quase toda a década seguinte) e a película da Warner apresentasse a vida de luxos extravagantes da esposa de um barão austríaco era natural que a população afetada pelo pessimismo procurasse a fartura e não a escassez a que já estavam acostumados. Esse era o grande público que ia aos cinemas naquela época. Ladrão Romântico vai além desse alívio para a massa empobrecida e se apresenta como um dos melhores exemplos de filmes a serem futuramente banidos das salas de cinema, pelas novas leis a serem implementadas. Estrelado por Wiiliam Powell, pela lendária Kay Francis e dirigido pelo ex-ator alemão William Dieterle Ladrão Romântico, escancaradamente, expõe temas ultra tabus como adultério, uso de drogas e apologia ao crime de forma natural e sem qualquer polemização. A fotografia apresenta alguns momentos fabulosos como a quebra da quarta parede pela protagonista em uma cena significativa em que ela inclui, olhando para a câmera de forma hipnotizante, o espectador como cúmplice e único confidente de sua empreitada. Dentro do esquema hermético e fechado de estúdios, Ladrão Romântico se sobressai por sua ousadia na cadência narrativa e a fórmula de abordagem das questões sem exercer ditame julgador. Reflexo de uma elite cultural que desde os atribulados anos vinte e suas correntes de livre expressão artística (literatura, cinema, pintura, entre outras) ainda encontra-se sedenta por novas experiências e experimentos procurando brechas de ousadia, até mesmo, dentro da padronizada indústria de entretenimento comercial chamada Hollywood.
Em 1930 foi instituído um código normativo (Código Hays) para toda produção cinematográfica visando defender a moral e os bons costumes. As leis presentes neste dispositivo, porém, só exerceram sua força com toda severidade a partir de 1934 quando Hollywood viu-se obrigada a exercer a censura sobre o material que fornecia ás audiências sob pena de sofrer boicotes de âmbito nacional o que poria em risco a lucratividade dos estúdios.Todavia até 1934 a meca do cinema norte-americano floresceu com liberdade criativa e temática sem ter que lidar com as regras impostas por um grupo de censores religiosos ligados às principais igrejas. Produções como Ladrão Romântico fazem parte desta safra. Embora a princípio o filme tenha uma vertente escapista, ele não se reduz apenas a este proposito. Uma vez que os Estados Unidos encontrava-se afundado devido a Grande Depressão (iniciada com a quebra da bolsa de Nova Iorque em 1929 e cujos efeitos se estenderam durante quase toda a década seguinte) e a película da Warner apresentasse a vida de luxos extravagantes da esposa de um barão austríaco era natural que a população afetada pelo pessimismo procurasse a fartura e não a escassez a que já estavam acostumados. Esse era o grande público que ia aos cinemas naquela época. Ladrão Romântico vai além desse alívio para a massa empobrecida e se apresenta como um dos melhores exemplos de filmes a serem futuramente banidos das salas de cinema, pelas novas leis a serem implementadas. Estrelado por Wiiliam Powell, pela lendária Kay Francis e dirigido pelo ex-ator alemão William Dieterle Ladrão Romântico, escancaradamente, expõe temas ultra tabus como adultério, uso de drogas e apologia ao crime de forma natural e sem qualquer polemização. A fotografia apresenta alguns momentos fabulosos como a quebra da quarta parede pela protagonista em uma cena significativa em que ela inclui, olhando para a câmera de forma hipnotizante, o espectador como cúmplice e único confidente de sua empreitada. Dentro do esquema hermético e fechado de estúdios, Ladrão Romântico se sobressai por sua ousadia na cadência narrativa e a fórmula de abordagem das questões sem exercer ditame julgador. Reflexo de uma elite cultural que desde os atribulados anos vinte e suas correntes de livre expressão artística (literatura, cinema, pintura, entre outras) ainda encontra-se sedenta por novas experiências e experimentos procurando brechas de ousadia, até mesmo, dentro da padronizada indústria de entretenimento comercial chamada Hollywood.