Dirigido por
Duração
Em meio às injustiças sociais, Lantouri é o nome de uma gangue de rua no Teerã, capital do Irã. O grupo rouba pessoas na rua e invadem casas em ricos distritos do norte da cidade. Suas ações também incluem sequestrar os filhos de famílias que enriqueceram através da corrupção e do desfalque do dinheiro público. Pasha, um dos membros da quadrilha, apaixona-se por Maryam, uma jornalista e ativista social, articuladora de uma campanha contra a violência e que tenta convencer as famílias das vítimas a perdoarem os assassinos.
Sem anúncios
Aproveite o melhor do Filmow sem interrupções
Jogos Vorazes: Amanhecer na Colheita
Quem tiver muito interesse de vê-lo, achei online com legendas em inglês. É só me chamar!
Legenda, alguém sabe?
O mal-estar social que “Lantouri” causa é totalmente indescritível. Só a minha reação em certos pontos de êxtase da trama é prova disso. Senti-me numa espécie de sala IMAX 3D, porém a adrenalina foi outra, a do incomodo.
Há exatamente um mês atrás, o tão esperado (pelo menos por mim) “Lantouri” estreou na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. Pude assistir ao filme apenas na última sessão (houve apenas três). E decepção? Não, mas o sentimento de impotência, e até de vergonha me assolou mais uma vez. Algo similar ocorreu dois anos antes na mesma mostra, com o mesmo diretor, porém era “Eu não estou com raiva!”. Daí nasceu minha relação de amor e ódio com Reza Dormishian e Navid Mohammadzadeh (ator principal dos dois filmes). Entretanto, quase um mês depois tive palavras, após tentar absorver este filme por quase um mês.
“Lantouri” é provocador. Segue a linha de muitos filmes persas, ficção + documentário (embora seja óbvio que ali tudo é falso, mas com bases reais). Dormishian seguiu a mesma linha de outros longas de seus conterrâneos, também exibidos na mostra: O apartamento, Quarta-Feira e Uma casa na rua 41. O cinema persa levou os conflitos humanos ao extremo, dessa vez crimes foram postos a tona, junto com os dois lados da moeda: ódio x perdão. A referida gangue Lantouri é analisada por profissionais, leigos e religiosos todo o filme, enquanto o enredo se desenrola de forma não linear. Com cenas rápidas e tomadas fotográficas (não sei se utilizei o termo correto), característica já marcante do diretor, o que atrapalha um pouco na hora de acompanhar as legendas. Mas...
A trama muda de lado, visa várias opiniões, confunde o público. Provoca nossos sentidos e princípios de forma devastadora. Confesso que com mais de uma hora de filme estava odiando Dormishian, ele estava quase a me convencer que a vingança é um prato que se come quente e bem. O enredo não visa apenas o crime de Pasha (o ataque com ácido contra Maryam). Vai além. Visa todo o histórico de vida e psicológico dos integrantes da Lantouri. E logicamente visa toda a trajetória de luta de Maryam pelos direitos humanos fundamentais, o direito à vida. A situação muda conforme a questão do ataque ocorre, e a punição. É como uma profecia daqueles que julgam a galera dos Diretos Humanos com o discurso “Bandido bom é bandido morto”, “Merece sentir na pele”, e isso ocorre ironicamente com Maryam, e a reação não é diferente, ela recorre a retaliação. “Viver com uma face desfigurada e sem visão é pior do que a morte, ele merece o mesmo”, o que acalenta mais o sentimento de empatia com a vítima. A partir daí vem outra questão. “O agressor não merece a morte, mas sim viver com a culpa e ter o mesmo fardo, ou seja, viver com a mesma sequela. Não é isso?" E assim caminha o troco, com apoio de uma sociedade imensamente religiosa e acredito que do próprio público indignado. No ponto alto do filme, em meio ao ato de cegar o agressor, que é um tanto perturbado, obsessivo e controverso, surge a segunda chance. Não por compaixão, medo ou sentimento alheio, mas por amor próprio. “Lantouri” ensina que o perdão é um sentimento individual, perdoe para ser perdoado!
No fim o resultado foi catastrófico, saí do cinema, significantemente vazio, em pleno feriado de cabeça baixa, boca seca e de pernas bambas. Sinto que este sentimento foi coletivo. Reza Dormishian nos deu espelhos!
Grande surpresa! uma das ótimas revelações da 40ª Mostra