Lola, em filipino, significa avó. O neto de Lola Sepa foi assassinado pelo neto de Lola Puring, ambas são muito pobres e é esta tragédia que ligará o seu destino: uma tentará encontrar forma de pagar o funeral do falecido, a outra, uma maneira de pagar a fiança do assassino. Na primeira audiência de tribunal, o amor e a força das duas vão confrontar-se pois estão ambas dispostas a tudo pelos netos, mesmo que um seja a vítima e o outro o homicida.
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Muito mais que uma narrativa sobre a pobreza, Lola retrata um país esquecido de si e de seu povo.
As Filipinas foram um dos primeiros territórios asiáticos a serem vitimados pelo imperialismo europeu, e só no século passado alcançou sua soberania: foi colônia espanhola do século XVI ao XIX, mas teve sua revolução frustrada, e passou para o domínio dos EUA, situação que perdurou até 1946.
Ao longo do filme, em diversos ambientes de estrutura precarizada, somos — se tal paradoxo é possível — sutilmente bombardeados pela língua inglesa, que infesta não só as ruas da cidade, mas também todas as instituições públicas, as quais supostamente se destinariam a assistir aquela população que não reconhece o idioma como seu. Em duas cenas particularmente bizarras, para não dizer enfurecedoras, uma das idosas recebe uma intimação do tribunal, mas não consegue lê-la, pois não foi redigida na língua que fala; mais tarde, quando todo o núcleo de personagens vai à Corte para o julgamento do acusado, nada podem fazer além de se sentar rígidos, desnorteados, pois a audiência é integralmente realizada em inglês — quando o juiz lhes exige a palavra, ato de mera formalidade, devem mecanicamente repetir três vocábulos que pouco lhes faz sentido: "Yes, your Honour".
As personagens principais, vovó Sepa e vovó Puring, tem em comum sobretudo o fato de serem alvo de diversos processos de segregação. Se por um lado são marginalizadas pelo sistema público, por outro, embora matriarcas de suas respectivas famílias, são esquecidas pelos parentes até que a voz da necessidade reclame a sua presença — e elas, eternas mães, fadadas à servilidade feminina e à invisibilidade da terceira idade, fazem de bom grado; sorriem, amam. Em ambos os casos, quando servem ao seu propósito, são novamente enxotadas como criaturas inconvenientes. O desmazelo social também se reproduz na confusão entre o espaço urbano precário e a natureza, que toma parte na agressão: para conseguir sair do casebre onde vive, vovó Sepá precisa de balsa; nas ruas falhas da cidade, ambas enfrentam com suas ossadas artríticas o vento que lhes sopra a imundice e a chuva violenta que lhes faz encolher sob um guarda-chuva desgastado; quer em casa ou na cidade, em passos lentos e rígidos, devem subir e descer uma série sem fim de degraus, sempre pelo bem dos seus queridos ingratos.
Não confundam o desfecho com outro caso de fetichização da pobreza ou da devoção materna. Não é que
o amor resolve o conflito, como a sinopse prenuncia; é que não há escolha.
Onde baixo? Alguém sabe?
Lindo filme. Vidas miseráveis acometidas por uma tragédia. Atuações inesquecíveis. Filmado com câmera na mão dando uma sensação de documentário o que traz uma veracidade pungente. Cena maravilhosa dos barcos acompanhando o caixão.
Meu primeiro filme filipino, e que história linda! Depois de aceitar os pressupostos da narrativa, é só se deleitar. Com um estilo diminuto e contemplativo, sentir a dor e a tristeza natural das duas vovós vem por tabela. De rasgar o coração! Brillante Mendoza a se explorar.
Produção muito precária. Um filme artesanal.
Claramente a maioria dos atores é amadora, pois os coadjuvantes não são nem um pouco naturais.
Mas nem chega a ser um demérito, pois talvez dê até uma magia diferente.
A história é bonita e nos faz pensar em alguns valores, na pobreza e no orgulho.