Nova Inglaterra, 1912, na casa de verão dos Tyrone. O patriarca da família, James Tyrone (Ralph Richardson), é um homem idoso que há muito tempo abandonou as aspirações de ser um grande ator, escolhendo viajar todos os anos apresentando a mesma peça. Sua esposa, Mary (Katharine Hepburn), se tornou viciada em morfina, com pouco ou nenhum contato com a realidade desde o nascimento do filho mais novo. O casal tem dois filhos: o mais velho, Jamie (Jason Robards), é um ator fracassado que foi "forçado" a seguir os passos do pai e assim se tornou um alcoólatra. Jamie tem inveja do talento do irmão mais novo, Edmund (Dean Stockwell), que quer ser escritor mas sua carreira pode ser abreviada por estar com tuberculose. A jornada de um longo dia termina numa noite infernal, na qual os três homens da família se embriagam enquanto Mary ensadecidamente fala como se fosse jovem, quando era bem mais feliz.
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Ela é realmente muito boa, e a peça é um clássico do teatro moderno, porém… Eugene O’Neill tem melhores.
Agora fazendo a linha pessimista e simplificador de dramas humanos:
Que situação chata. Que pessoas chatas e arregonas. Não dão uma alfinetada sem voltar atrás e dizer “sorry kid”, “sorry mom”, “sorry dad” aoooooo que saco. Eu se fosse o pai já tinha dado na cara desses três faz horas! Desculpa o desabafo, acho que não nasci pra conviver com gente tão doente assim! Mesmo em cinema.
Talvez um dos primeiros filmes que assisti a explorar discussões em um ambiente fechado. Katharine Hepburn entrega a melhor atuação de sua carreira, enquanto Jason Robards também está impecável. Os closes nos personagens calados, constrangidos ao ouvir certas verdades, são poderosos e reveladores. Sidney Lumet, com sua monstruosa sensibilidade e delicadeza, conduz o filme com precisão absoluta. Ele explora as relações humanas, memórias e vícios de forma esplendida.
O filme retrata com maestria a solidão que permeia uma família que, apesar de morar junta, vive emocionalmente isolada. Cada um busca consolo no passado, tentando encontrar algum alívio em memórias. A trama destaca como nenhum dos integrantes realmente compreende os sentimentos do outro, mesmo compartilhando a vida em família. Todos se escondem atrás de algo: a bebida, no caso da maioria, enquanto Katharine Hepburn recorre às drogas. Os ambientes da casa são explorados de maneira brilhante, quase se tornando um personagem à parte. Pessoalmente achei um filme brilhante e um dos melhores que vi nos últimos tempos.
A breve história de 4 almas angustiadas e que precisam conviver.
As atuações são muito boas. Entretanto, o estilo é teatral demais, todo a movimentação, as ações, iluminação, tudo pensado para uma peça. Então você fica esperando alguma reviravolta, mais ação fora da casa, mas o foco, em 3h, é justamente o aprisionamento deles naquela casa.
O autor Eugene O'Neil dá um relato autobiográfico de sua explosiva vida familiar, onde convive com sua mãe viciada em drogas tentando aceitar a morte do filho, seu pai afundando-se na bebida depois de perceber que não é mais emocionalmente instável e desajustado. Toda família é refletida pelo olhar sensível de O'Neil.
Sobre o filme "Longa Jornada, Noite Adentro", o exímio cineasta Sidney Lumet entrega uma conceituada produção do gênero drama familiar, valorizado pelo excepcional elenco e primazia de qualidade. Katharine Hepburn, Ralph Richardson, Jason Robards, Dean Stockwell e Jeanne Barr se sobressaem no quesito interpretação. Filmaço!
Um drama familiar que vale ser visto pelas grandes atuações do elenco, tendo Katharine Hepburn sendo indicada para o Oscar de melhor atriz, embora ela fique boa parte do filme fora de cena. As quase três horas de duração são um grande desafio já que o ritmo teatral é intenso e a história parece não evoluir já que quase nada de relevante nela acontece. Nada contra adaptações de textos teatrais para o cinema, mas ambos possuem linguagens diferentes e esse filme desconsiderou completamente isso.