No início da Segunda Guerra Mundial a cavalaria polonesa ainda lutava com lanças e espadas contra as primeiras tropas de infantaria alemã, que invadiram a Polônia. Apesar da inferioridade numérica e de armamentos, conseguiram um relativo sucesso. Logo, os tanques panseres chegam e dão aos alemães uma superioridade esmagadora contra os ousados cavaleiros. Este filme, conta a sensível história de um valente cavalo branco puro-sangue, que durante a resistência polonesa passa pelas mãos de vários militares e acaba se ferindo. Um fato histórico e comovente, sobre a guerra que devastou o mundo. Mais um capítulo pouco conhecido do sofrimentos impingindo pelos nazistas ao povo polonês.
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É um bom filme, está abaixo dos dirigidos por Wajda até aquele momento, mesmo porque a trilogia da guerra dele é bem acima da média, então fica difícil querer comparar. Há alguns pontos de destaque, o primeiro é a direção, Wajda consegue tirar imagens lindas da história que é um pouco simples demais em vários aspectos, segundo ponto é que adorei a música composta por Tadeusz Baird, ele voltou a trabalhar com o diretor em Samson (que preciso rever). Outra coisa é a maravilhosa Bozena Kurowska, que morreu tão jovem no palco durante uma apresentação aos 32 anos (a causa da morte nunca foi divulgada, mas boatos dizem que ela estava com leucemia), ela consegue brilhar em cena. Por último, mas eu sou suspeito para falar, é o cavalo em si, sou um apaixonado por cavalos, é o animal que acho mais bonito (Não cavalgo há anos), Lotna é maravilhoso de se olhar, um tremendo cavalo.
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O filme possui aquela estranheza bela e arrebatadora dos produtos típicos do Leste Europeu... A fotografia revezando as cores fortes com o tom sépia pé excelente, bem como a estrutura narrativa, que não se prende a um único personagem, mas vai girando em torno da égua-título. O mestre Wajda se especializou neste tipo de estrutura, aliás. Possui algo de imediatista em sua construção dialogística, mas isto pode ser também urgência. Ótimo! (WPC>)
Lotna certamente não é o melhor produto do mestre Andrzej Wajda, pelo menos se comparado a obras magistrais tais como Cinzas e Diamantes, Kanal e Danton. Wajda é considerado por muitos especialistas como um "diretor de símbolos", isso devido à sua forma peculiar de representar o contexto político-social polonês no pós 2ª Guerra Mundial através de imagens sintéticas que carregam em seu bojo, a meu ver, toda a significção ou sentido que o diretor propõe em cada filme. Sendo assim, o personagem Maciek morrendo sobre um monte de lixo no desfecho narrativo de Cinzas e Diamantes é uma forma de expressar estetica e simbolicamente a situação da juventude polonesa que lutara durante a guerra ao lado da Resistência liberal, agora numa situação deprimente e irreversível em que as portas para a retomada dos estudos e uma vida juvenil normal estão fechadas a longo prazo. Se o simbolismo de Wajda em Cinzas e Diamantes é um mecanismo cinematográfico relevante para expressar a visão pessimista do realizador, isso é feito de forma pontual e utilizado apenas em momentos-chave da narrativa - o efeito provocado pela imagem sintetizadora de sentido é, assim, alcançado pela sua pequena regularidade. Em Lotna as imagens simbólicas aparecem de forma criativa, porém banal. Criativas pois enxugam esteticamente o sentido que se quer produzir através de imagens - com os peixes sufocados em cima de uma bancada, por exemplo, não se quer exprimir ou prenunciar a situação catastrófica em que se encontra a rudimentar e anacrônica cavalaria frente o avanço moderno dos tanques nazistas? Banal pois as imagens-símbolos aparecem gratuitamente na tela, em situações inventivas e peculiarmente wajdanianas, porém repetitivas ou regulares. Entretanto, Lotna é um filme que marca uma quebra na filmografia de Wajda em termos de gênero, sendo este o seu primeiro épico. Enfim, um filme que merece ser visto para se chegar a uma compreensão da filmografia de Wajda tomada em sua totalidade - embora o DVD da Silver Screen Collection deixe bastante a desejar, já que a imagem parece não ter passado por uma restauração e sua qualidade mais se assemelha ao VHS.