Final do século XIX, sertão do Ceará. O poderoso coronel Pedro Cambará estupra uma escrava negra. Deste ato nasce a menina Lua Cambará, que ganha este nome por ter nascido em noite de lua cheia. Vivendo numa sociedade machista e violenta, Lua precisa lutar com as mesmas armas dos homens para conquistar seu espaço. A partir da morte de seu pai ela dá início ao seu destino sangrento, aventureiro e diabólico.
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Depois do bom "Corisco e Dadá",Cariry retorna ainda melhor em outro assunto empolgante e uma direção grandiosa. Aproveita novamente a ótima ambientação nordestina e todos os elementos que a fotografia pode oferecer.
Dira Paes engata mais um protagonismo memorável e mais uma vez falando sobre as lendas locais. Chico Diaz também faz outra ótima parceria com a atriz,são os dois nomes mais conhecidos do elenco,mas não quer dizer que todo o elenco de apoio não funciona. Cada um com personagens interessantes e em muitos momentos o filme é tomado por esse elenco.
>Maratona Dira Paes - Assistido em 13 de Setembro de 2026
Assisti na seção de filmes restaurados da Mostra de SP 2025 este drama épico brasileiro feito em 2002, que na época não cheguei a ver. O restauro está lindo, realçando imagem e som – boa parte dos filmes da Retomada, assim como de outros momentos do cinema brasileiro, apresentam problemas críticos com nitidez das cenas e diálogos inaudíveis, e o restauro torna-se necessário. Rodado no sertão de Inhamuns e de outros pequenos municípios cearenses, o filme traz para a tela a lenda de Lua Cambará, que na tradição nordestina era uma matriarca temida no século XIX, com ideais escravagistas e que lutava para se impor aos latifundiários que dominavam a região. Mestiça, era filha de um coronel com uma escrava preta, e passou a vida rejeitada. Até conquistar o espaço dos homens por meio da luta e da violência, tornando-se uma mulher rica – mas que se acabou pela ambição. Dira Paes, em início de carreira, entrega um belo trabalho como a protagonista; no elenco, Chico Diaz, Cláudio Jaborandy e W. J. Solha e participações de Nelson Xavier, Via Negromonte e Muriel Racine tornam o longa ainda melhor. Tem ainda um belo trabalho de fotografia, figurino e direção de arte, dignos do bom cinema regionalista realizado no Nordeste Brasileiro. É o segundo filme restaurado de Rosemberg Cariry apresentado na Mostra – em 2023 assisti lá a bonita cópia em 4K de ‘Corisco e Dadá’ (1996), também com Chico Diaz e Dira Paes. A restauração em 4K de ‘Lua Cambará’ foi feita a partir de negativos de imagem e som originais, com apoio do Museu da Imagem e do Som do Ceará (MIS-CE), Instituto Mirante, MAM Rio, Iluminura Filmes e Sereia Filmes. A produção executiva da restauração é assinada por Bárbara Cariry, filha do diretor, com supervisão técnica e color grading de seu irmão, o cineasta Petrus Cariry. Acabaram as sessões da Mostra, mas deve estrear em breve em cinemas selecionados. Por Felipe Brida - Blog Cinema-naweb blogspot com
A lenda de Lua Cambará é muito conhecida no sertão nordestino: "A cearense Lua, filha mestiça de um coronel branco com uma escrava, é a anti-heroína da lenda. Além de perseguir e maltratar o povo do nordeste, negando sua própria mestiçagem, Lua acaba herdando a fortuna de seu pai, que a negou desde o nascimento, o que só acentua sua ganância e egoísmo.
Lua anda sempre acompanhada de seu capataz e seu vaqueiro – mas acaba apaixonando-se pelo último, casado. Ordena, então, que o capataz assassine a esposa do vaqueiro. Mas o encarregado da tarefa, por sua vez, é apaixonado pela própria Lua e, tomado de ciúmes, mata o vaqueiro.
A viúva do vaqueiro, tomada pela fúria e pela dor, roga uma praga para Lua Cambará: mesmo após a morte, vagará sem descanso pela terra, céu e o inferno."
A lenda remonta ao antigo mito grego da Medéia, da imagem recorrente da mulher carregada de ressentimento e ódio.
O filme é baseada numa lenda aqui do Ceará.
Hm, 59 pessoas viram nos cinemas, não és o único Zé Gustavo!