Pol (Allan Paule), um jovem filipino belo e atraente, sonha em se mudar para a capital Manila em busca de trabalho para ajudar a sustentar sua família. Por conta de suas origens rurais e precárias, o rapaz também é garoto de programa e tem um amante fixo americano que o ajuda financeiramente. Quando ele diz que vai embora, Pol decide que chegou a hora de ir tentar a sorte na capital. Ele vai se tornar um "macho dancer" com a ajuda de Noel (Daniel Fernando), despertando o interesse da jovem prostituta Bambi (Jaclyn Jose) e descobrindo os perigos da vida noturna de Manila.
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Esse filme nos transporta para um mundo que a maioria de nós jamais viu, e faz isso de maneira sensível e comovente, ele lança uma luz reveladora sobre sexualidade e imperialismo. Podia ser só um pouquinho mais curto!! Incrível!!
Enquanto eu assistia fiquei chocada em saber q tiveram coragem de fazer em filme desses nos anos 80, ele deixa parceiros da noite no chinelo, é muito mais polêmico e explícito.
Tanto que já começo eu consegui entender completamente o porquê da polêmica, o filme além de abordar a homossexualidade sem filtros e de não ter pudor de mostrar nu frontal masculino, também não tem o problemas em expor as mazelas sociais que afligem as Filipinas, quase todos os personagens vendem o corpo para sobreviver, tudo isso fruto da pobreza extrema que assola o país até hj, Filipinas é mostrada praticamente como point sexual, estrangeiros vão lá pra conseguir sexo fácil com homens, mulheres e até menores de idade, mostra tmb como policiais corruptos ás vezes agem pior que os criminosos, fiquei muito pensativa com o q eu vi em tela, um filme realmente corajoso e pertinente até para os dias atuais.
Um tesouro sociológico homoerótico do grande cineasta filipino Lino Brocka que corresponde brilhantemente ao potencial de sedução imediata do cartaz do filme. Até mesmo quem nunca ouviu falar do diretor, deparando-se com tamanha sensualidade e poesia, ficará marcado pela imagem dos dois garotos abraçados em meio a um banho de espuma e se sentirá obrigado a assistir nem que seja pela curiosidade de descobrir um filme gay filipino dos anos 80.
Lino Brocka critica a corrupção na polícia e o abuso de poder sob os regimes de Ferdinand Marcos e de Corazon Aquino, a primeira mulher a assumir a presidência do país. O diretor foi censurado por abordar abertamente prostituição, turismo sexual e tráfico de drogas. Precisou contrabandear uma cópia integral do filme no exterior para poder aprensentá-lo em festivais. Apesar do fracasso nas Filipinas, “Macho Dancer” foi um sucesso de crítica internacional.
Por trás da libertinagem glamurosa e decadente da vida noturna em Manila representada no filme, o protagonista encontra um submundo violento de tráfico e prostituição que manifestam de modo catártico a precariedade de quem ali vive à margem da sociedade. O ponto alto da sessão vai além de saber se o personagem é gay ou não. É o retrato sociológico de uma era — personagens contradizendo definições, preocupados acima de tudo em sobreviver.
É uma experiência fílmica atípica não apenas pela impunidade do protagonista no ato final, mas também pela estética novelesca oriunda das referências de vida do próprio cineasta que começou a carreira no gênero do melodrama popular antes de adotar um olhar autoral. O resultado é um verdadeiro deleite entre autorretrato e realismo social — do gênero policial à telenovela com um imaginário homoerótico em planos longos a apreciar sem moderação.