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Sinopse
Depois de serem confundidos com terroristas e jogados na Baía de Guantánamo, os viciados em drogas Harold e Kumar escapam e retornam aos EUA, onde fogem pelo país com agentes federais em sua perseguição.
O filme é a continuação direta do clássico cult "Madrugada Muito Louca" de 2004. O primeiro filme já era insano, mas essa sequência conseguiu a proeza de elevar o nível de absurdos e das piadas de gosto duvidoso.
A versão sem censura é muito superior. O humor é ofensivo do início ao fim e isso é o grande diferencial do filme, pois dá pra notar que a produção não tinha nenhuma preocupação com cancelamentos, os caras debocham de tudo e todos, dando destaque para a sátira política sobre os conservadores da época do governo George W. Bush e a histeria em cima do 11 de Setembro, que ainda era notícia em 2008.
É impossível ver um besteirol desses e não se divertir com as cenas politicamente incorretas. As melhores são: a ameaça de bomba no avião, a boa ideia da festa de "botton less", o ciclope no porão, sonho erótico com o saco de maconha, festa da Ku Klux Klan, a cena da 5ª emenda e o final com o Bush.
É uma continuação que manteve a essência e soube capitalizar em cima da polêmica sobre Guantanamo na época, e usar isso como marketing. Pena que a parte da prisão foi muita curta e perderam a chance de explorar mais a situação.
Partiu concluir a trilogia com "Um Natal Muito Louco de Harold & Kumar"!
Curiosidade: Ironicamente, pouco tempo após o lançamento deste filme que zomba intensamente da política de Washington, o ator Kal Penn (Kumar) fez uma pausa na carreira de ator para trabalhar no governo real dos EUA, tornando-se Diretor Associado no escritório de Relações Públicas da administração de Barack Obama em 2009.
Harold & Kumar Escape from Guantanamo Bay (2008) / Uma Madrugada Muito Louca 2
O que já não tem nada a ver com o título fica pior quando o nome da primeira vez tinha sentido, pois ele se passava em uma madrugada só; aqui ele acontece em mais de um dia. Ainda assim, a sequência mantém boa parte do tom caótico e insano que marcou o original. Não deixou o nível cair muito, o filme é bom, porém levemente inferior ao primeiro pelo fato de terem exagerado e muito em muitas coisas, ampliando demais a escala e criando situações tão absurdas que às vezes rompem qualquer sensação de lógica interna.
A partir do momento em que Harold (John Cho) e Kumar (Kal Penn) são confundidos com terroristas, o filme vira um evento nacional envolvendo terrorismo, Guantánamo, rednecks, a Klu Klux Klan e até o presidente dos Estados Unidos. Essa escalada constante funciona em algumas partes, mas em outras traz uma sucessão de coincidências tão extremas que deixam a estrutura do roteiro frágil. A dinâmica da dupla segue divertida, mas desta vez marcada por um detalhe que incomoda: não sei como que Harold não socou Kumar após a primeira merda que ele fez, vive fazendo bosta e tomando atitude isolada. O filme quer que isso seja parte do charme irresponsável de Kumar, mas chega um ponto em que a paciência do próprio espectador acaba.
Durante a perseguição do governo, somos apresentados a um dos personagens mais exagerados do filme: o agente racista Ron Fox, interpretado por Rob Corddry, cuja personalidade é construída inteiramente em cima de estereótipos grotescos. O policial racista sempre usa coisas racistas como o refrigerante de uva como os negros, as moedas de ouro com os judeus, e cada fala sua tenta elevar esse preconceito a um nível tão absurdo que vira paródia — mas nem sempre funciona. Esse estereótipo forçado é combatido por Beecher, que tenta ajudar Harold e Kumar sempre que pode. Beecher funciona como a única figura racional e humana no meio da bagunça,
e exatamente por isso sua morte causa incômodo: ele acaba morrendo quando a porta do avião abre,
o que eu não gostaria que tivesse acontecido, ele merecia uma redenção e algum reconhecimento por ser o único lúcido.
Conforme a jornada avança, surgem as muitas conveniências de roteiro, espalhadas ao longo da trama. São tantas que nem me lembro, mas algumas se destacam especialmente no final.
Primeiro a Vanessa larga o casamento, que em teoria seria dividido pela família da noiva, e do noivo Calson, aí acontece tudo que aconteceu e no final todo mundo aplaude, imagina a família do noivo aplaudindo aquilo. Não há qualquer explicação, é apenas aceito como se fosse natural.
Logo depois vem outro momento extremamente conveniente:
quando Harold tromba Maria fazendo o ensaio fotográfico no final, simplesmente beija ela e vazam de lá, fodase o trampo da mina de modelo,
mais um exemplo dentre tantas outras conveniências e absurdos que foram muito forçados.
Mas nem tudo se perde nessa tempestade de exageros. A sátira política do filme é, sem dúvida, um dos seus pontos altos. A parte do presidente Bush foi muito boa, a parte que ele fala sobre maconha e hipocrisia é ótima. É um momento surpreendentemente afiado e inteligente, que equilibra crítica social com humor.
O mesmo, porém, não pode ser dito do destino de outro personagem querido: a morte do Neil Patrick Harris foi um ponto baixo do filme, desnecessário. Ainda assim, o próprio filme se acerta isso no final, pois Neil Patrick Harris sobrevive na cena pós-créditos.
No geral, a comédia funciona, diverte, tem momentos inspirados, mas perde parte do charme do primeiro filme ao tentar ser maior que sua própria proposta. A química de Harold e Kumar continua sendo o coração da franquia, mesmo que cercada de absurdos um pouco mais exagerados do que o necessário.
Curiosidades
A cena com George W. Bush foi parcialmente improvisada pelo ator James Adomian.
Kal Penn deixou a carreira de ator temporariamente alguns anos depois para trabalhar no governo Obama, o que torna as piadas políticas ainda mais curiosas em retrospecto.
A franquia foi originalmente planejada para ter quatro filmes, mas o terceiro só saiu em 2011.
Rob Corddry declarou em entrevistas que sua intenção era que o agente racista fosse tão absurdo que funcionasse como crítica — algo que muitos espectadores não perceberam de imediato.
A camafeu de Neil Patrick Harris foi novamente escrito por ele mesmo, incluindo piadas metalinguísticas sobre sua personalidade pública.
O filme é a continuação direta do clássico cult "Madrugada Muito Louca" de 2004. O primeiro filme já era insano, mas essa sequência conseguiu a proeza de elevar o nível de absurdos e das piadas de gosto duvidoso.
A versão sem censura é muito superior. O humor é ofensivo do início ao fim e isso é o grande diferencial do filme, pois dá pra notar que a produção não tinha nenhuma preocupação com cancelamentos, os caras debocham de tudo e todos, dando destaque para a sátira política sobre os conservadores da época do governo George W. Bush e a histeria em cima do 11 de Setembro, que ainda era notícia em 2008.
É impossível ver um besteirol desses e não se divertir com as cenas politicamente incorretas. As melhores são: a ameaça de bomba no avião, a boa ideia da festa de "botton less", o ciclope no porão, sonho erótico com o saco de maconha, festa da Ku Klux Klan, a cena da 5ª emenda e o final com o Bush.
É uma continuação que manteve a essência e soube capitalizar em cima da polêmica sobre Guantanamo na época, e usar isso como marketing. Pena que a parte da prisão foi muita curta e perderam a chance de explorar mais a situação.
Partiu concluir a trilogia com "Um Natal Muito Louco de Harold & Kumar"!
Curiosidade: Ironicamente, pouco tempo após o lançamento deste filme que zomba intensamente da política de Washington, o ator Kal Penn (Kumar) fez uma pausa na carreira de ator para trabalhar no governo real dos EUA, tornando-se Diretor Associado no escritório de Relações Públicas da administração de Barack Obama em 2009.
O primeiro é bom, mas esse eles elevaram a quinta potência, ficou ruim, com raras situações engraçadas.
04.02.2009
Harold & Kumar Escape from Guantanamo Bay (2008) / Uma Madrugada Muito Louca 2
O que já não tem nada a ver com o título fica pior quando o nome da primeira vez tinha sentido, pois ele se passava em uma madrugada só; aqui ele acontece em mais de um dia. Ainda assim, a sequência mantém boa parte do tom caótico e insano que marcou o original. Não deixou o nível cair muito, o filme é bom, porém levemente inferior ao primeiro pelo fato de terem exagerado e muito em muitas coisas, ampliando demais a escala e criando situações tão absurdas que às vezes rompem qualquer sensação de lógica interna.
A partir do momento em que Harold (John Cho) e Kumar (Kal Penn) são confundidos com terroristas, o filme vira um evento nacional envolvendo terrorismo, Guantánamo, rednecks, a Klu Klux Klan e até o presidente dos Estados Unidos. Essa escalada constante funciona em algumas partes, mas em outras traz uma sucessão de coincidências tão extremas que deixam a estrutura do roteiro frágil. A dinâmica da dupla segue divertida, mas desta vez marcada por um detalhe que incomoda: não sei como que Harold não socou Kumar após a primeira merda que ele fez, vive fazendo bosta e tomando atitude isolada. O filme quer que isso seja parte do charme irresponsável de Kumar, mas chega um ponto em que a paciência do próprio espectador acaba.
Durante a perseguição do governo, somos apresentados a um dos personagens mais exagerados do filme: o agente racista Ron Fox, interpretado por Rob Corddry, cuja personalidade é construída inteiramente em cima de estereótipos grotescos. O policial racista sempre usa coisas racistas como o refrigerante de uva como os negros, as moedas de ouro com os judeus, e cada fala sua tenta elevar esse preconceito a um nível tão absurdo que vira paródia — mas nem sempre funciona. Esse estereótipo forçado é combatido por Beecher, que tenta ajudar Harold e Kumar sempre que pode. Beecher funciona como a única figura racional e humana no meio da bagunça,
e exatamente por isso sua morte causa incômodo: ele acaba morrendo quando a porta do avião abre,
Conforme a jornada avança, surgem as muitas conveniências de roteiro, espalhadas ao longo da trama. São tantas que nem me lembro, mas algumas se destacam especialmente no final.
Primeiro a Vanessa larga o casamento, que em teoria seria dividido pela família da noiva, e do noivo Calson, aí acontece tudo que aconteceu e no final todo mundo aplaude, imagina a família do noivo aplaudindo aquilo. Não há qualquer explicação, é apenas aceito como se fosse natural.
Logo depois vem outro momento extremamente conveniente:
quando Harold tromba Maria fazendo o ensaio fotográfico no final, simplesmente beija ela e vazam de lá, fodase o trampo da mina de modelo,
Mas nem tudo se perde nessa tempestade de exageros. A sátira política do filme é, sem dúvida, um dos seus pontos altos. A parte do presidente Bush foi muito boa, a parte que ele fala sobre maconha e hipocrisia é ótima. É um momento surpreendentemente afiado e inteligente, que equilibra crítica social com humor.
O mesmo, porém, não pode ser dito do destino de outro personagem querido: a morte do Neil Patrick Harris foi um ponto baixo do filme, desnecessário. Ainda assim, o próprio filme se acerta isso no final, pois Neil Patrick Harris sobrevive na cena pós-créditos.
No geral, a comédia funciona, diverte, tem momentos inspirados, mas perde parte do charme do primeiro filme ao tentar ser maior que sua própria proposta. A química de Harold e Kumar continua sendo o coração da franquia, mesmo que cercada de absurdos um pouco mais exagerados do que o necessário.
Curiosidades
A cena com George W. Bush foi parcialmente improvisada pelo ator James Adomian.
Kal Penn deixou a carreira de ator temporariamente alguns anos depois para trabalhar no governo Obama, o que torna as piadas políticas ainda mais curiosas em retrospecto.
A franquia foi originalmente planejada para ter quatro filmes, mas o terceiro só saiu em 2011.
Rob Corddry declarou em entrevistas que sua intenção era que o agente racista fosse tão absurdo que funcionasse como crítica — algo que muitos espectadores não perceberam de imediato.
A camafeu de Neil Patrick Harris foi novamente escrito por ele mesmo, incluindo piadas metalinguísticas sobre sua personalidade pública.
Assistido em 15/11/2025
lombra é mato