Dirigido por
Duração
O filme aborda a corporeidade dos seres humanos, sobre a condição humana como inteiramente potencializadas, transcendida e contida por corpos em sua dimensão escatológica final. Sem uma narrativa clara ou roteiro pré-determinado, sem vozes e para além da ficção, no qual amor e esforço são da mesma matéria, onde prazer e sofrimento são ambos expressos através de momentos aparentemente silenciosos de riso e grito.
Sem anúncios
Aproveite o melhor do Filmow sem interrupções
"Mangue-Bangue" transcende o cinema tradicional, servindo como uma obra visceral e perturbadora que nos desafia a confrontar as sombras da sociedade e os limites da própria humanidade. Ambientado no coração pulsante do Rio de Janeiro, onde a marginalidade e a opressão se encontram, o filme desenha um retrato cruel e sincero do desespero e da resistência.
A narrativa, centrada em trabalhadores sexuais transgêneros e suas interações com hippies e um corretor de ações fugitivo, expõe as fissuras de um sistema capitalista em colapso. Aqui, a nudez não é apenas física, mas simbólica, desnudando as hipocrisias e os desejos reprimidos de uma sociedade que se afoga em suas próprias contradições. As imagens cruas e escatológicas atuam como uma denúncia silenciosa, onde o vômito do corretor se torna um ato de purificação, expurgando os excessos do capitalismo de seu corpo.
O filme ressoa como um grito primal de liberdade e autodescoberta, celebrando a transgressão como um ato político e artístico. Cada cena é uma provocação, uma chamada à ação contra as normas sufocantes e ditatoriais que moldam nossas vidas. O retorno ao "homem primitivo" aqui não é um retrocesso, mas uma busca por autenticidade e conexão com a essência humana, livre das amarras da civilização moderna.
"Mangue-Bangue" não é apenas um filme; é um manifesto de resistência e renascimento. Através das performances inesquecíveis de Maria Gladys e Paulo Villaça, somos levados a uma jornada de autoafirmação e renascimento, onde a sujeira e a alegria se entrelaçam de forma indissociável. O cinema de Neville D'Almeida é uma celebração da anarquia, uma declaração de que a verdadeira liberdade só pode ser encontrada na ruptura com as convenções estabelecidas.
Em última análise, "Mangue-Bangue" nos desafia a reconsiderar o que significa ser humano, a abraçar nossa vulnerabilidade e a encontrar força na comunidade e na transgressão. É um lembrete poderoso de que, para renascer, precisamos primeiro confrontar e expurgar os demônios de nosso passado e presente.
- disruptivo do começo ao fim, um tapa na cara da censura da época
- parece o neville entrando na área do sganzerla e do bressane e mesmo assim consegue se destacar bastante
- gostei muito, mas prefiro mais seu estilo usual
No começo, eu estava incorrendo num grande equívoco: julgando moralmente os personagens, ainda que inconscientemente. Estava incomodando-me com as celebrações toxicômanas, que logo cederam espaço para outro tipo de relação sobrevivencial e de reconhecimento de semelhantes à margem da sociedade: as crises vomitivas do Paulo Villaça são espetaculares. Ver Damião Experiência em cena foi uma bênção. Maria Gladys é sempre maravilhosa. E aqueles dez minutos finais: geniais! Muita mijada, cagada, banhos... No cinema nevilleano, a cachoeira cede espaço a uma torneirona aberta no meio da maloca. Jorro de puro gozo (e escatologia). Adorei! (WPC>)
Paulo Villaça e Maria Gladys juntos, precisa de mais alguma coisa? Obra prima. ;)
Corpos ariscos que rosnam.