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Maureen Stapleton

Nomes Alternativos: Lois Maureen Stapleton

18Número de Fãs

Nascimento: 21 de Junho de 1925 (80 years)

Falecimento: 13 de Março de 2006

Troy, New York - Estados Unidos da América

“Eu já nasci velha”, costumava dizer Maureen Stapleton nas entrevistas. A frase servia para justificar uma carreira formada por personagens quase sempre mais velhos do que sua idade real. Realmente, mesmo aos 20 anos, Maureen aparentava ser uma senhora de meia-idade, o que a levou a se especializar em papéis de mães dominadoras e esposas em segundo plano.

No entanto, o fato de nunca ter sido propriamente uma beldade não impediu que a atriz fosse reconhecida como uma das melhores em sua geração. Na estante da sua sala, Maureen podia observar os prêmios que ganhara no palco, no cinema e na televisão. Sim, ela era uma das poucas em seu meio (apenas 10 estão em igual condição) que detinha o privilégio de poder exibir em sua coleção, ao mesmo tempo, dois Tonys, um Oscar e um Emmy.

Em 1943, aos 18 anos, Stapleton largou o colégio e mudou-se para Nova York. Na bagagem, trazia o sonho de ser atriz e, quem sabe, conhecer seu ídolo Joel McCrea. Cursou as aulas do célebre Actors Studio, dirigido por Lee Strasberg, berço de lendas do teatro e do cinema americano. Logo em 1946, estreou na Broadway com a peça The Playboy of the Western World. Cinco anos depois, veio a grande chance. E no melhor estilo hollywoodiano: substituindo Anna Magnani, que não sabia falar o inglês fluentemente, Stapleton foi escalada para interpretar o personagem de Serafina delle Rose, na peça escrita por Tennesse Williams, The Rose Tatoo. O papel lhe rendeu o primeiro dos seus dois Tonys. Aos 25 anos, a jovem atriz já era chamada de estrela.

Nascia aí uma relação muito próxima entre a atriz e o teatrólogo. Prova disso que, anos depois, em 1957, Maureen voltava aos palcos para encenar uma nova peça de Williams, Orpheus Descending. Na pele de Lady Torrance, a atriz contracenava todas as noites ao lado de Janice Rule e Cliff Robertson.

Ambos os textos foram levados ao cinema. O primeiro foi lançado em 1955, pelas mãos de Daniel Mann, e recebeu o nome de A Rosa Tatuada; o segundo estreou em 1960, sob a batuta de Sidney Lumet e foi rebatizado no Brasil com o título de Vidas em Fuga. Nas duas oportunidades, Maureen Stapleton foi preterida pelos produtores. Ironia maior, os dois filmes foram oferecidos justamente à sua antiga rival, Anna Magnani.

A dupla Stapleton-Williams voltaria a trabalhar em conjunto, em duas encenações da peça Algemas de Cristal, trazidas ao palco em 1965 e 1975. Mais uma vez, nas várias versões cinematográficas deste texto clássico, por motivos mais financeiros que artísticos, Maureen foi colocada de lado em favor de outras atrizes de igual ou menor talento mas de rostos mais familiares (como Jane Wyman, em 1950, e Joanne Woodward, em 1987).

Apesar de ser uma atriz eminentemente do teatro, sua migração para a tela grande era inevitável. E ela aconteceu em 1958, com o drama Lonelyhearts, em que fazia uma esposa frustrada, que tentava seduzir o jornalista personificado por Montgomery Clift. Por esse papel, Maureen recebeu sua primeira indicação ao Oscar, na categoria de melhor atriz coadjuvante (vencido por Wendy Hiller, por Vidas Separadas).

Apesar do sucesso logo na estréia, sua carreira no cinema não decolou. A imagem de mulher de meia-idade se estigmatizou e sua carreira guinou essencialmente para papéis coadjuvantes. Nos 10 anos seguintes, sua presença diantes das câmeras limitou-se a poucos filmes, muitos deles sem maior importância. Até que, em 1970, pela sua participação no disaster-movie Aeroporto, Stapleton recebeu sua segunda indicação ao Oscar, novamente na categoria de coadjuvante (foi derrotada pela veterena e parceira no filme, Helen Hayes) e seu primeiro e único Globo de Ouro. No filme, um dos maiores sucessos de bilheteria daquele ano, a atriz interpretava a esposa do personagem que carregava a bomba para dentro do avião, vivido por Van Heflin.

Ainda em 1970, Maureen emplacou seu segundo Tony, ao encenar nos palcos a peça de autoria de Neil Simon, The Gingerbread Lady. O papel de uma cantora em decadência, que tentava se recuperar do alcoolismo para poder conviver com sua filha adolescente, tinha evidentes pontos de contato com a vida pessoal da atriz. Onze anos depois, a peça seria adaptada para o cinema, com roteiro do próprio Simon e sob o título de O Doce Sabor de um Sorriso. No entanto, diante das câmeras, a protagonista foi defendida pela esposa de Simon, Marsha Mason.

Maureen Stapleton fechou a década de 70 com uma marcante participação em Interiores, o trabalho mais bergmaniano de Woody Allen. No papel do novo amor do personagem de E.G. Marsall, Maureen teve uma das melhores interpretações de sua carreira, rivalizando inclusive com a grande Geraldine Page. Se Interiores foi recebido com reservas pela crítica, o mesmo não aconteceu com Stapleton. Sua atuação foi agraciada com diversos prêmios, entre eles o de melhor atriz coadjuvante pelos críticos de Nova Iorque e Los Angeles. A Academia, no entanto, não se sensibilizou a tal ponto. Indicada pela terceira vez, mais uma vez a atriz viu a estatueta parar em mãos de terceiros (desta feita, nas de Maggie Smith, por sua interpretação na comedia Califórnia Suíte).

A redenção veio três anos depois, quando Warren Beatty a convidou para interpretar a revolucionária Emma Goldman, na superprodução Reds. Naquela cerimônia, após quatro tentativas, Maureen Stapleton finalmente confirmou seu favoritismo (já havia ganho o prêmio dos críticos de Los Angeles, da Associação Nacional dos Críticos dos EUA e o BAFTA), saindo da festa com o Oscar de melhor atriz coadjuvante. No discurso de agradecimento, a atriz lembrou-se da sua maior inspiração: seu ídolo da juventude, Joel McCrea.

Nos anos seguintes, Maureen interpretou alguns papéis que a tornaram mais conhecida do grande público, especialmente em Cocoon, de 1985, e em Um Dia a Casa Cai, em 1986. Ao longo dos anos 90, a atriz pouco foi vista diante das câmeras. Uma pequena participação na comédia A Lente do Amor, em 1997, com Meg Ryan e Matthew Broderick, e nada mais.

Com o passar dos anos, suas conhecidas fobias por elevadores, aviões, trens, alturas e até mesmo de ser assassinada durante os espetáculos teatrais, fizeram que ela ficasse mais e mais reclusa. Na última década, pouco se viu ou se falou sobre Maureen Stapleton. Neste intervalo, lançou a autobiografia Hell of a Life, em que expõs seus vários problemas pessoais (dois divórcios, diversos romances, a maioria deles para lá de conturbados), a luta contra o álcool e o cigarro, seus longos anos de terapia etc.

Com sua morte, no dia 13 de março de 2006, aos 80 anos, motivada por problemas pulmonares crônicos, o cinema e o teatro americano – mais esse do que aquele – perderam uma atriz na real acepção da palavra.

Prêmios e indicações

BAFTA Film Awards

1971: Melhor atriz coadjuvante – Airport (indicada)
1983: Melhor atriz coadjuvante – Reds (vencedora)

Emmy

1959: Melhor atriz em minissérie ou telefilme – All the King's Men (indicada)
1968: Melhor atriz em minissérie ou telefilme – Among the Paths to Eden (vencedora)
1975: Melhor atriz em minissérie ou telefilme – Queen of the Stardust Ballroom
1978: Melhor atriz em minissérie ou telefilme – The Gathering (indicada)
1989: Melhor atriz convidada em seriado dramático – B.L. Stryker (indicada)
1992: Melhor atriz coadjuvante em minissérie ou telefilme – Miss Rose White (indicada)
1996: Melhor atriz convidada em seriado dramático – Road to Avonlea (indicada)

Globo de Ouro

1959: Melhor atriz coadjuvante – Lonelyhearts (indicada)
1971: Melhor atriz coadjuvante – Airport (vencedora)
1972: Melhor atriz coadjuvante – Plaza Suite (indicada)
1979: Melhor atriz coadjuvante – Interiors (indicada)
1981: Melhor atriz coadjuvante – Reds (indicada)

Oscar

1959: Melhor atriz coadjuvante – Lonelyhearts (indicada)
1971: Melhor atriz coadjuvante – Airport (indicada)
1979: Melhor atriz coadjuvante – Interiors (indicada)
1981: Melhor atriz coadjuvante – Reds (vencedora)

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