Um médico é enviado para investigar um surto de peste, tendo que decidir as prioridades para o uso de uma vacina. Tendo perdido sua esposa recentemente, ele começa a se interessar por uma rica dama.
A história é bem contada, embora pudesse ser um pouco melhor desenvolvida. Dirigido pelo mestre dos faroestes John Ford é um trabalho que pouco se parece com outros que eu vi dele. O filme concorreu a 4 Oscars incluindo o de melhor filme. Obs: Essa sinopse do Filmow é um spoiler gigantesco que revela algo importante que só ocorre nas cenas finais do filme.
Ford tinha um controle narrativo diferenciado mesmo em um período cheio de filmes truncados e cheios de falatórios sem fim. Seu filme já possui uma cadência bastante moderna que seria melhor realizada lá da metade para o fim dos anos 30. Colman defende bem seu personagem mas confesso que perdi um tanto do interesse do meio pro fim.
O titulo, 'Médico e Amante', dado no Brasil não condiz com o filme. A trama é centrada na carreira, de médico pesquisador, que ele tenta construir. O interessante de assistir, nos dias de hoje, é vermos como a sugestão de usar vacinas em cobaias humanas eram repelidas, há época, e também, quando ele diz que vai fazer um teste cego, ou seja, placebo na metade das pessoas ele quase foi linchado pela comunidade médica kkkkk
Lançado no Brasil sob o título simplista de 'Médico e Amante', "Arrowsmith" é um John Ford um pouco fora da curva. Tendo ficado mais conhecido pelos seus faroestes, o cineasta aqui apresenta um drama romântico com uma temática que tateia a questão da ética médica e do uso de cobaias humanas para a descoberta de novos medicamentos e a eficácia de vacinas. Algo que para nós hoje parece super natural - afinal de contas como poderia ser diferente? - mas que para a década de 30 provavelmente era visto como algo absurdo e ofensivo. O longa-metragem possui uma primeira metade titubeante que parece não saber muito bem para onde quer se dirigir - ainda assim, é bastante eficiente no propósito de desenvolver os personagens de Ronald Colman e Helen Hayes e fazer o público se importar com eles - mas é só em sua segunda metade que o filme realmente ganha força, com a designação mais clara de sua temática e de seus objetivos. É nesse momento também que John Ford dá sinais visuais do grande compositor de enquadramentos que viria a se tornar, no uso de objetos, sombras, formas e silhuetas que aprisionam seus personagens enquanto a tragédia se avizinha. É uma pena no entanto que o final soe tão brusco, anticlimático e, de certa forma, dramaticamente insatisfatório, tanto para os personagens quanto para o público que sai da projeção com a sensação de que ficou faltando mais sentimento.
Drama indicado a 4 categorias no Oscar: melhor filme, melhor roteiro adaptado, melhor fotografia e melhor direção de arte. Foi escrito por Sidney Howard do romance de 1925 de Sinclair Lewis (1885-1951), "Arrowsmith", que recusou o Pulitzer de 1926 por causa da suposta defesa do trabalho pelo prêmio que endossava "a saudável vida americana".
Houve um remake, a minissérie tcheca Arrowsmith (97). Prólogo dos créditos iniciais: A história de um homem que dedicou sua vida ao serviço e seu coração ao amor de uma mulher. O primeiro filme sonoro americano a apresentar um personagem negro, Dr. Oliver Marchand, interpretado por Clarence Brooks (1896-1969) com um diploma universitário que fala inglês perfeito, não embaralha e não age da maneira estereotipada usual na qual os negros eram retratados nos filmes de Hollywood na época. Uma pena o infeliz título que lembra mais uma pornochanchada brasileira. Mas não o leve a sério!
Ronald Colman (1891-1958) está mais carismático do que nunca, mas tem algumas edições instáveis. Esta é uma excelente descrição de como a ética e a ambição pessoal geralmente têm grandes impactos sobre como a vida pessoal é vivida. A estrutura episódica do filme garante que raramente se torne entediante - embora a estória perca algum impulso no final. "Arrowsmith" move profundamente o público pela mera virtude do espírito que pulsa na narrativa.
A história é bem contada, embora pudesse ser um pouco melhor desenvolvida. Dirigido pelo mestre dos faroestes John Ford é um trabalho que pouco se parece com outros que eu vi dele. O filme concorreu a 4 Oscars incluindo o de melhor filme. Obs: Essa sinopse do Filmow é um spoiler gigantesco que revela algo importante que só ocorre nas cenas finais do filme.
Ford tinha um controle narrativo diferenciado mesmo em um período cheio de filmes truncados e cheios de falatórios sem fim. Seu filme já possui uma cadência bastante moderna que seria melhor realizada lá da metade para o fim dos anos 30. Colman defende bem seu personagem mas confesso que perdi um tanto do interesse do meio pro fim.
O titulo, 'Médico e Amante', dado no Brasil não condiz com o filme. A trama é centrada na carreira, de médico pesquisador, que ele tenta construir. O interessante de assistir, nos dias de hoje, é vermos como a sugestão de usar vacinas em cobaias humanas eram repelidas, há época, e também, quando ele diz que vai fazer um teste cego, ou seja, placebo na metade das pessoas ele quase foi linchado pela comunidade médica kkkkk
Lançado no Brasil sob o título simplista de 'Médico e Amante', "Arrowsmith" é um John Ford um pouco fora da curva. Tendo ficado mais conhecido pelos seus faroestes, o cineasta aqui apresenta um drama romântico com uma temática que tateia a questão da ética médica e do uso de cobaias humanas para a descoberta de novos medicamentos e a eficácia de vacinas. Algo que para nós hoje parece super natural - afinal de contas como poderia ser diferente? - mas que para a década de 30 provavelmente era visto como algo absurdo e ofensivo. O longa-metragem possui uma primeira metade titubeante que parece não saber muito bem para onde quer se dirigir - ainda assim, é bastante eficiente no propósito de desenvolver os personagens de Ronald Colman e Helen Hayes e fazer o público se importar com eles - mas é só em sua segunda metade que o filme realmente ganha força, com a designação mais clara de sua temática e de seus objetivos. É nesse momento também que John Ford dá sinais visuais do grande compositor de enquadramentos que viria a se tornar, no uso de objetos, sombras, formas e silhuetas que aprisionam seus personagens enquanto a tragédia se avizinha. É uma pena no entanto que o final soe tão brusco, anticlimático e, de certa forma, dramaticamente insatisfatório, tanto para os personagens quanto para o público que sai da projeção com a sensação de que ficou faltando mais sentimento.
Drama indicado a 4 categorias no Oscar: melhor filme, melhor roteiro adaptado, melhor fotografia e melhor direção de arte. Foi escrito por Sidney Howard do romance de 1925 de Sinclair Lewis (1885-1951), "Arrowsmith", que recusou o Pulitzer de 1926 por causa da suposta defesa do trabalho pelo prêmio que endossava "a saudável vida americana".
Houve um remake, a minissérie tcheca Arrowsmith (97). Prólogo dos créditos iniciais: A história de um homem que dedicou sua vida ao serviço e seu coração ao amor de uma mulher. O primeiro filme sonoro americano a apresentar um personagem negro, Dr. Oliver Marchand, interpretado por Clarence Brooks (1896-1969) com um diploma universitário que fala inglês perfeito, não embaralha e não age da maneira estereotipada usual na qual os negros eram retratados nos filmes de Hollywood na época. Uma pena o infeliz título que lembra mais uma pornochanchada brasileira. Mas não o leve a sério!
Ronald Colman (1891-1958) está mais carismático do que nunca, mas tem algumas edições instáveis. Esta é uma excelente descrição de como a ética e a ambição pessoal geralmente têm grandes impactos sobre como a vida pessoal é vivida. A estrutura episódica do filme garante que raramente se torne entediante - embora a estória perca algum impulso no final. "Arrowsmith" move profundamente o público pela mera virtude do espírito que pulsa na narrativa.