Taipei. Uma voz lembra dez anos atrás, em 2001, quando Vicky estava em um relacionamento de ida e volta com Hao-Hao. Ela é jovem, bela e sem propósito. Ele é um folgado. Cigarros e álcool embalam suas noites.
Vemos pedaços de sua vida: quando Hao-Hao rouba o Rolex do pai; quando ela consegue um emprego como hostess de um clube, onde ela encontra Jack, que se torna seu padroeiro e protetor; quando ela visita Yubari, no Japão, por seu festival de cinema no meio do inverno.
Vicky tem alguma expectativa do futuro? O tempo simplesmente passa?
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Em uma atmosfera com a cor mais rara da natureza, a câmera tenta ver, focar o efêmero tom quente dos sentimentos.
Memórias, pesadelos, lembranças e devaneios, o éter da mente humana. Cada escolha um caminho, esses tais dos caminhos tortuosos da vida.
A câmera de Hsiao Hsien pulsa junto com a trilha sonora com música Techno enquanto nos tornamos cúmplices do relacionamento corrosivo que Vicky tem que enfrentar. Um filme de imersão pura, de semi slow motions notáveis , de uma ambientação corrosivamente moderna . Uma pena que pós separação o nível caia bastante especialmente porque o bailar da câmera some. Penso que fiz as pazes com o cinema de Hsiao Hsien, a quem sempre nutri um distanciamento descomunal.
Não consegui me conectar com a história em nenhum momento. A melhor coisa do filme é a cena de abertura.
Foi uma puta experiência ver esse filme. Fiquei um tanto perdido durante ele, mas gostei e imergi bastante em inúmeros momentos. Mesmo sem saber se tinha gostado tanto, ele ficou na cabeça, ao ponto que cheguei do trabalho e tive que assistir de novo aquela cena inicial maravilhosa.
Pesquisei sobre e fui aprender um pouco sobre o cinema de fluxo (para além de ver o philippe leão falar várias vezes em seus vídeos) e o filme fez muito mais sentido, parece que "aceitei" de vez que eu adorei o que tinha assistido.
É um filmaço e eu preciso urgentemente ver de novo
Os planos, as cores, as luzes, a trilha sonora, tudo é muito encantador a princípio, compondo o ritmo do que vem.
Por outro lado, essa história de alguém jovem perdido me parece um pouco batida, velha talvez? E até sei que é provável que os filmes que me fazem pensar que essa temática é batida tenham vindo depois, justamente por influência de Millennium Mambo. De todo modo, não importa. O estilo faz sua parte, andando a esmo tal qual Vicky, deixando pontas soltas, nos fazendo contemplar o que se tem para ver de mais ordinário, nos cegando com as luzes. Um milênio começa, com ele as esperanças de deixar tudo pra trás. Dessa vez vai ser diferente.
Com a mesma temática (e estilo parecido) recomendo Victoria, de 2015. Creio que consegue transmitir melhor a confusão e a solidão.