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Data de lançamento
23 Nov. 2016Duração
Moana Waialiki é uma corajosa jovem, filha do chefe de uma tribo na Oceania, vinda de uma longa linhagem de navegadores, que é seu maior hobbie e, também, trabalho. Querendo descobrir mais sobre seu passado e ajudar sua família, ela resolve partir em busca de seus ancestrais, habitantes de uma ilha mítica que ninguém sabe onde é. Com a ajuda do lendário semideus Maui, Moana começa sua jornada pelo mar aberto, onde vai enfrentar criaturas marinhas e descobrir antigas histórias do submundo.
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Revisto em 02.08.26
definitivamente não precisava de um remake ridículo de live action
“Moana” transforma uma aventura marítima em uma jornada de autodescoberta, mostrando que explorar o mundo é apenas parte de um processo muito maior de compreender a própria identidade. A animação acompanha Moana, destinada a liderar seu povo, enquanto ela desafia os limites de sua ilha para restaurar o equilíbrio do oceano e encontrar seu verdadeiro lugar. Ao abordar temas como pertencimento, legado, coragem e amadurecimento, o filme atualiza a fórmula clássica da Disney sem perder o encanto, construindo uma protagonista independente, curiosa e determinada, cuja evolução acontece por iniciativa própria e não pela intervenção de outras pessoas.
Ao lado do carismático Maui, o filme desenvolve uma parceria marcada por humor, conflitos e cumplicidade. Sob a aparência confiante do semideus, surgem inseguranças que dão profundidade ao personagem e enriquecem sua relação com Moana. A narrativa também encontra um equilíbrio entre fantasia e a cultura polinésia, valorizando suas tradições sem tratá-las apenas como pano de fundo. Embora a história perca um pouco de ritmo em sua parte central, essa breve oscilação não compromete a força da jornada, que recupera seu impacto emocional na reta final.
A realização técnica é um dos maiores destaques da animação. A qualidade da animação impressiona pela riqueza de detalhes, especialmente na forma como o oceano ganha personalidade própria e participa ativamente da narrativa, enquanto cenários, figurinos e embarcações reforçam a identidade cultural do filme. A trilha sonora se integra organicamente à história, utilizando as canções para aprofundar emoções e valorizar a ambientação, inclusive com trechos em outros idiomas que ampliam sua autenticidade. As interpretações vocais também elevam a experiência, com Auli’i Cravalho transmitindo toda a energia e sensibilidade de Moana, Dwayne Johnson criando um Maui divertido e complexo, e até personagens secundários, como Heihei, conquistando espaço graças a um humor simples, mas extremamente eficiente.
Mais do que celebrar independência ou aventura, “Moana” propõe uma reflexão madura sobre a relação entre tradição e mudança. O filme mostra que honrar o passado não significa permanecer preso a ele, mas compreender seu valor para seguir em frente. Ao combinar personagens cativantes, uma mitologia consistente, humor bem dosado, emoção sincera e um espetáculo visual impressionante, a animação se consolida como uma das produções mais marcantes da Disney nos últimos anos. Mesmo revisitado muito tempo depois, continua encantando pela delicadeza com que lembra que crescer não é abandonar quem somos, mas finalmente descobrir o caminho até nossa própria identidade.
para mim, é o filme mais lindo criativamente das animação
seria uma nota 5 ou 4 se não tivesse tanta
"eu não vou conseguir"
*cantoria ou papo motivacional e um pico de vamos seguir e frente* repita mais 7x a mesma coisa
MOANA
Direção: John Musker e Ron Clements
Ano: 2016
Assistido em: 12/04/2026
A dupla John Musker e Ron Clements é tão importante para a Disney quanto o próprio Walt ou o Roy. Bom, na verdade, para a Disney como um todo eu posso estar exagerando, mas para a Disney Animation Studios, sem sombra de dúvidas, eles estão no topo da hierarquia. Quem conhece a história do estúdio sabe que eles salvaram a empresa da falência no final da década de 1980 com o clássico The Little Mermaid (1989), que iniciou a chamada Era Renascentista. Como eu nasci nesse período, tive contato com a obra da dupla praticamente desde o berço. Mas, infelizmente, a partir da década de 2000, a animação 2D foi perdendo força e os trabalhos da dupla foram ficando cada vez mais raros. Quando Moana foi lançado, lá em 2016, eu não estava numa vibe muito boa para produções da Disney e acabei deixando passar. Até que hoje resolvi assistir, e só tenho uma coisa a dizer: como eu me arrependo de não ter assistido essa maravilha antes.
Moana é a filha do chefe Tui e vive na ilha de Motunui, onde sente um chamado constante do oceano que contrasta com as regras impostas por seu povo. Quando a escuridão começa a ameaçar a ilha, ela descobre que precisa encontrar Maui, um semideus responsável por roubar o coração de Te Fiti. Determinada, Moana parte em uma jornada pelo mar para devolver o artefato ao seu lugar de origem e restaurar o equilíbrio da natureza, enfrentando criaturas perigosas e aprendendo a confiar em si mesma.
O grande trunfo dos filmes da dupla Musker e Clements está em seus personagens extremamente carismáticos, que são deliciosos de acompanhar, e aqui não foi diferente. Moana não é uma protagonista qualquer da Disney, e não digo isso apenas pelo fato de ela ser polinésia. Digo pelo fato de ela não ter interesse amoroso, de pôr a mão na massa, de ser uma guerreira, uma lutadora, alguém que não tem medo das adversidades. Sua companhia também é maravilhosa. Maui é fanfarrão, divertido, o arquétipo do personagem errado que precisa se endireitar, e faz isso brilhantemente. E, claro, há a estrela do filme, aquele que rouba a cena, que é simplesmente maravilhoso e me fez gargalhar horrores: o galinho Heihei. Aliás, galo não — para mim, essa criatura é um deus extremamente poderoso. É inacreditável as coisas que ele faz, sempre garantindo uma risada.
Visualmente, o filme é deslumbrante. Ele é tecnicamente muito difícil de ser feito, porque envolve água, e quem entende minimamente de cinema sabe que água é um pesadelo em qualquer produção, seja animação ou live-action. Mas aqui tudo funciona, tudo é muito bem articulado. Em muitos momentos, a água parece real. Outro detalhe absurdo é o nível de detalhamento: o cabelo da Moana, o corpo do Maui, as penas do Heihei. Enfim, para uma dupla de diretores que nunca havia trabalhado com cinema 3D, Musker e Clements arrebentaram logo no primeiro (e único) trabalho nesse formato.
Sobre as músicas, confesso que não sou o maior fã de Lin-Manuel Miranda. Já tive contato com diversos trabalhos dele e nunca houve nada que eu achasse realmente marcante ou que grudasse na minha cabeça. Aqui, porém, as canções funcionam. São simpáticas, ajudam no avanço da história, principalmente o tema principal, “How Far I’ll Go”, que é muito cativante, muito importante para a narrativa e, sim, fica na cabeça.
Repetindo o que disse no primeiro parágrafo, me arrependo muitíssimo de ter demorado tanto para assistir Moana, de ter perdido a oportunidade de vê-lo no cinema. É um filme delicioso, divertido, faz rir, tem emoção, tem aventura e é muito bem equilibrado. É o tipo de trabalho que, considerando seus realizadores, poderia facilmente se encaixar na Era Renascentista. E isso ajuda a explicar por que ele se tornou uma febre ao longo dos últimos anos no streaming Disney+. Porque é um filme muito superior à maioria das animações que saem hoje em dia. Fico até triste ao saber que ele não fez o sucesso que merecia, porque é, inegavelmente, uma obra-prima da animação moderna.