Baseado num romance de Richard Matheson, o filme retrata a dura rotina de Robert Morgan, cientista que sobreviveu a uma praga global e agora se defende dos ataques dos humanos doentes, transformados em vampiros que temem a luz e se alimentam de sangue. Imune à doença, Morgan tenta desesperadamente encontrar outros possíveis sobreviventes, ao mesmo tempo em que se dedica a exterminar sistematicamente os monstros que agora povoam o planeta.
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Só não é mais parado pq se não teria que ser um filme sem personagens...
Sou um fã incondicional de Vincent Price. Até hoje, não vi um só filme em que ele não melhorasse com sua presença. Digo isso com toda convicção, porque, por mais que o entorno dele — o elenco, o roteiro ou a direção — não fossem dos melhores, ele sempre agregava e fazia o filme ser muito mais do que seria apenas por sua atuação. Há algo magnético em Price: seu tom de voz, seu olhar cansado, a forma como transmite solidão e desespero com tanta naturalidade. Ele conseguia elevar até produções menores, fazendo com que ganhassem uma aura de importância e um peso dramático que, sem ele, provavelmente não existiriam. Sempre fazia os filmes galgarem em qualidade só por estar neles.
A ideia central de “The Last Man on Earth” é boa, e a execução, de modo geral, também. O filme adapta o romance “I Am Legend”, de Richard Matheson, e tenta explorar a solidão absoluta de um homem em um mundo devastado por uma praga que transformou os humanos em algo entre vampiros e zumbis. A atmosfera de isolamento é bem construída — aquelas ruas vazias, o silêncio incômodo, a rotina repetitiva de Morgan tentando sobreviver, tudo funciona para criar uma sensação genuína de desespero e exaustão.
Claro que há alguns pontos que podemos contestar. Existem clichês óbvios e básicos desse tipo de filme apocalíptico, que hoje parecem datados, mas na época ainda estavam se consolidando no gênero. Mesmo assim, nada disso realmente atrapalha a experiência.
O problema, para mim, começa a partir do momento em que aparece Ruth. É ali que o roteiro perde parte da força que vinha construindo.
Com a chegada dela, o rumo das coisas muda, e não para melhor.
Eu esperava que, com a introdução de Ruth, o filme ganhasse novas camadas emocionais, talvez até um fio de esperança ou de reflexão mais profunda sobre o que significa ser humano em meio ao fim do mundo. Mas o que acontece é o contrário: a trama se enfraquece e toma um rumo previsível. Os infectados que sobreviveram graças a uma injeção agora querem a cabeça de Morgan — justamente o único sobrevivente imune, aquele que simbolizava a resistência contra o colapso.
No fim, o que poderia ser um clímax poderoso se torna algo totalmente anticlimático. A resolução não traz o peso emocional ou a sensação de encerramento que se esperaria. É como se o filme, que começou com tanta força e atmosfera, simplesmente esvaziasse suas próprias ideias. Ainda assim, “The Last Man on Earth” permanece um trabalho interessante, especialmente por Vincent Price, que carrega o filme nas costas e dá dignidade a cada minuto de tela. E, mesmo quando o roteiro vacila, sua presença mantém tudo de pé.
Assistido em 15/10/2025
Sou fã do Livro,E achei o filme bom,Mas minha versão favorita ainda e A Última Esperança da Terra com Charlton Heston.
Sempre é bom assistir filmes com Vincent Price, ele faz parte da história do cinema, principalmente do cinema de terror.
Primeira versão do livro “Eu sou a lenda” de Richard Matheson. As posteriores foram “A úlltima esperança da terra” de 1971 e “Eu sou a lenda” de 2007.
Nâo li o livro, portanto não sei o quanto foi fiel, mas a trama é bem narrada e tem a presença de Vincent Price como protagonista (o único nome conhecido do elenco) que tem quase sempre uma atuação mais calcada em seu carisma, na sua presença hipnótica e na poderosa voz, do que propriamente em recursos dramáticos. Vincent é uma lenda do cinema, mas suas performances são sempre muito teatrais abusando do “overacting”, não que isso seja problema, e ajuda a evidenciar o tom sinistro que o catapultaram a um ícone do cinema de horror.
O infeliz título nacional reduz o filme a uma história de zumbis, quando na verdade é muito mais, aborda a extinção da espécie humana atingida por uma epidemia causada pelo próprio homem, além de apresentar um personagem amargurado, afogado na solidão e na angústia.
O final um pouco apressado, diminui o impacto que se espera pela construção narrativa, mas ainda assim é um belo exemplo de ficção cientifica/horror.