Em 1964 um músico decide começar a lecionar, para ter mais dinheiro e assim se dedicar a compor uma sinfonia. Inicialmente ele sente grande dificuldade em fazer com que seus alunos se interessem pela música e as coisas se complicam ainda mais quando sua mulher dá à luz a um filho, que o casal vem a descobrir mais tarde que é surdo. Para poder financiar os estudos especiais e o tratamento do filho, ele se envolve cada vez mais com a escola e seus alunos, deixando de lado seu sonho de tornar-se um grande compositor. Passados trinta anos lecionando no mesmo colégio, após todo este tempo uma grande decepção o aguarda.
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02.05.1999
03.01.1998
E eis que 6 anos depois, reencontro esta obra potente e me vejo simetricamente no papel de Mr. Holland. Obrigado a todos os alunos do mundo!
Emocionante, e com um combo gigante de situações a se analisar.
Cobrindo um intervalo de mais de 30 anos, “Mr. Holland” é um filme sensível e tocante e que abarca variadas questões a partir da relação entre professor e alunos. O filme retrata a trajetória de um músico profissional – Glenn Holland (Richard Dreyfuss) – que, por uma necessidade financeira, assume a responsabilidade pelas aulas de música numa escola pública americana, relegando a sua vocação de compositor para o segundo plano. Embora sinta-se inseguro e descontente num primeiro momento, a docência vai aos poucos se tornando a principal ocupação do Sr. Holland, principalmente depois que sua esposa – Iris (Glennne Headly) – lhe noticia sua gravidez e a motivação financeira passa a dar o tom da situação do casal. Embora enfrente os desafios inerentes à docência e à sua vida pessoal, o Sr. Holland procura adaptar-se à passagem do tempo a fim de inculcar a apreciação musical em seus alunos. Dentre os desafios enfrentados: o desinteresse dos alunos e, sobretudo, a resistência da direção conservadora do colégio frente à incorporação de conteúdos atualizados.
A música parece figurar como o elemento centralizador na vida de Glenn Holland; por isso mesmo, quando descobre a surdez no filho – a incapacidade fisiológica de escutar música –, a relação entre ambos para a ser constituída por um impasse. Porém, à medida que a criança cresce, vai dando mostras de que a música não prescinde exclusivamente da audição para ser fruída. O filme, de certa forma, demonstra a luta de um professor para incluir seus alunos na sociedade e na escola e, além disso, retrata as transformações de uma família ao adaptar-se às necessidades da deficiência auditiva do filho.
Embora segura, a direção de Stephen Herek opta pela regularidade, sem lançar mão de inovações narrativas ou cinematográficas. Apenas chama a atenção a recorrência a cenas documentais que o autor utiliza para comunicar a passagem do tempo. A atuação de Richard Dreyfuss é o melhor aspecto da obra – o ator inclusive foi indicado ao Oscar pelo papel. A trilha sonora – aspecto central – também se destaca. Nesse sentido, a apresentação em libras de uma canção de John Lennon é emocionante e memorável.
⭐ 3.8 / 5.0